quarta-feira, junho 07, 2023

Aí vai mais uma "venda" do Estado

O Estado português acaba de vender a EFACEC a uma empresa alemã e como já é hábito a questão que se coloca é: terá sido mesmo uma venda?
Reparem nisto que o próprio ministro afirmou:
 "Até agora, o Estado colocou 132 milhões de euros, mais 85 milhões de euros em garantias", indicou António Costa Silva.

Ainda não se sabe o preço da "venda" mas é muito pouco crível que tenha sido sequer 85 milhões.
Portanto o Estado está especializar-se em nacionalizar empresas "sucata" (TAP, Novo Banco, EFACEC), depois de gastar larguíssimos milhões a decapar a ferrugem e a pinta-las de fresco, ainda diz aos compradores:
- reparem bem que somos tão "incríveis" que se correr mal o negócio cobrimos os prejuízos futuros até ao limite de xxx milhões (no caso EFACEC foram 85, no caso da TAP foram 400 e no Novo Banco era quase infinito).

Negócios destes é que vale a pena.
E ninguém vai para a prisão, o que também é uma mais valia.

terça-feira, setembro 28, 2021


Tanto atraso mental neste País...

Quando se exige sustentabilidade, respeito pela Natureza, pegada ambiental minima, andam os "Camelos" do Ministério do Ambiente a financiar barreiras transversais nos rios, Andam a propagar a praga que mais contribui para a fragmentação dos habitats aquáticos e para o enfraquecimento das populações da ictiofauna. Quando aqui ao lado se está a investir na remoção de obstáculos aqui investem a recuperá-los. E para quê? Para efeitos estético e de lazer. "Que se foda a ecologia, queremos é sítios bonitos." 
Assim vai Portugal





quinta-feira, julho 15, 2021

a justiça dos castiguinhos

José Socrates, Ricardo Salgado, Joe Berardo, Filipe Vieira, António Mexia, Zeinal Bava, Henrique Granadeiro, e tantos tantos outros. O que têm de comum perante os órgãos de justiça de Portugal?

São visceralmente catalogados de intocáveis pelo próprio sistema de justiça que os devia regular. Os juízes, os procuradores, os próprios policias sabem que nada podem fazer.
Esta é a realidade que o aparato mediático dos últimos tempos tenta disfarçar.
E qual é a base que me sustenta esta conclusão?
É precisamente a maneira como se processa o frenesim das investigações criminais que os percorrem.

A justiça portuguesa sabe que não os consegue apanhar em julgamento e que portanto a única maneira de os punir perante o resto da sociedade é montando um circo à volta das detenções no momento em que são inquiridos e constituidos arguidos.
Alguma coisa tem de ser "dada" ao povo, não vá ele revoltar-se contra este sistema de cleptocracia institucional que existe no nosso país. Então "dá-se" este circozinho, onde entram as imagens deles a serem metidos nos carros policiais, as caravanas de fotógrafos a tirar fotos aos vidros escurecidos, as fotografias das celas com "camas de cimento" e sanitas sem separação, os dias "intermináveis" em que ficam detidos, à espera das sessões de tortura com juiz e procurador a fazerem perguntas cruéis. 
São todas estas imagens que são essenciais passar ao povo. 
- Estão a ver! Estes senhores maus já estão a sofrer. 
É preciso mostrar que estão a sofrer.

Acabados estes dias de castigo, mandam-nos para casa com uma pulseira, ou com uma cauçãozinha, e chamam pelo próximo cliente, ao mesmo tempo que alugam outra sala para guardar os biliões de documentos angariados no ultimo processo.

Na antiga escola primária o professor castigava os maus alunos, virando-os contra uma parede com um chapéu de orelhas de burro. Em Portugal, a justiça auto-limita-se a fazer o mesmo perante a casta superior, rica em crimes de colarinho branquinho.

 

segunda-feira, dezembro 28, 2020

Que se passa com as redações das TV portuguesas?


Ontem foi dia 27 de dezembro e ficou assinalado como o inicio da campanha de vacinação contra a doença Covid-19. Os noticiários encheram-se de noticias sobre isso, como seria de certa forma natural esperar que acontecesse. Só que nunca esperei ver mais de 1 hora de noticia, em ciclos repetitivos, onde só mudava o local de reportagem. 
Fizeram-se reportagens em todos os hospitais públicos de Lisboa Porto e Coimbra, mostrando pessoal hospitalar a ser vacinado, e perguntando até à exaustão sempre as mesmas coisas (também pouco mais haveria para perguntar). Over and over and over and over até à exaustão.
Como se isso não bastasse, hoje (2º dia da campanha) voltaram a fazer o mesmo! Lisboa, Porto, Coimbra; reportagem e direto; perguntar se tiveram hesitações em tomar e como se sentem; entrevista rápida a um administrador para dizer que está tudo a correr bem e passar para outro hospital para repetir o ciclo......
Não acham que chegava fazer uma reportagem apenas?
Que diferença haverá entre vacinar no Curry Cabral ou no Santo António?
Para quê tanto tempo e tantos recursos gastos numa só noticia?
Não havendo mais nada no mundo para reportar, porque não encurtar os serviços noticiosos e passar musica, ou desenhos animados?

Que falta faz um Diácono Remédios...

segunda-feira, dezembro 21, 2020

https://eco.sapo.pt/2020/12/21/leilao-do-5g-arrisca-tornar-portugal-na-18-a-comunidade-autonoma-espanhola-alerta-miguel-almeida/

Leilão do 5G arrisca tornar Portugal “na 18.ª comunidade autónoma espanhola”, alerta Miguel Almeida - presidente executivo da NOS

O Miguel é apenas um exemplo do que todos os outros operadores de telecom a operar em Portugal já vieram dizer. Estão todos ferozmente contra o regulador ANACOM por causa das regras impostas por este no leilão 5G.
Confesso desde já que não li essas regras nem sei ao detalhe os problemas que os CEOs detetaram, mas de uma coisa sei, é mais saudável que os regulados protestem contra o regulador, do que andem aos abraços. Infelizmente para nós, consumidores, é raríssimo encontrar na história portuguesa das telecom, períodos de protesto entre ambos e como todos nós (e as nossas carteiras) sabemos os resultados são péssimos. Tudo o que se trate de comunicar é quase sempre mais caro neste país do que em nos outros países da UE, seja móvel, tv, dados, etc. O mesmo se passa na energia é nos outros mercados regulados.
A origem do pecado, em todos eles é exatamente essa captura sistemática que os que têm mais poder - Os Regulados - fazem aos que supostamente lhes deviam apresentar as regras do jogo, protegendo a qualidade dos serviços e os consumidores.
Por uma vez estou a assistir a alguma coisa diferente e sinto que é bom. A ultima vez que algo parecido aconteceu, terminou com a demissão dos que do lado dos consumidores, tentou lutar contra os CEO. Na altura foi um Secretário de Estado da Energia.

quinta-feira, janeiro 16, 2020

Adam Smith serve para tudo, até para pintar de verde

https://eco.sapo.pt/opiniao/so-o-capitalismo-pode-ser-verde/

Deparei-me com este artigo e não posso deixar de questionar uma das "verdades" que o autor apregoa: 

"aumentar a produção utilizando menos recursos é o objectivo de qualquer sociedade de base capitalista. Desde que o custo dos recursos sejam devidamente cobrados (algo que, assumidamente, muitas vezes não tem sido feito no caso dos recursos naturais e ambientais), o objectivo das empresas num mercado livre é precisamente fazer mais com menos, utilizar menos recursos para produzir mais." 

- trata-se da tal fábula do século XVII que falava na mão invisível, só que desta vez aplicada não à eficiência na formulação dos preços, mas à consciência ecológica do capital.

Ao autor (economista) faltou introduzir um detalhe: "O Lucro" ou em linguagem capitalista a Margem. Se qualquer empresa em mercado livre (como diz o economista, puder produzir mais bens, usando mais recursos, ou recursos ambientalmente sensíveis ou inadequados, e com isso aumente as suas margens e entusiasme os seus accionistas, e engrosse o pacote de bónus dos seus gestores, não tenham dúvidas absolutamente nenhumas que será isso que ela irá fazer.
Sem apelo nem agravo.

quinta-feira, maio 02, 2019

no mundo do capitalismo corporativo...

https://observador.pt/2019/05/02/mais-de-mil-clientes-bancarios-reclamam-a-deco-sobre-comissoes-mbway/

Mais de mil clientes bancários reclamam à Deco sobre comissões MBWay


No mundo do capitalismo corporativo cada vez mais monopolista, os cidadãos têm o dever de preencher o papel de verdadeiros REGULADORES das diversas atividades económicas. Em casos como este do MBway, só há uma atitude de cidadania a tomar: FECHAR as contas no BPI e em qualquer outro banco que aplique taxas a esta funcionalidade da SIBS. 
Protestar é apenas o lado para onde melhor dormem os CEO...
A única intervenção que os irá efetivamente incomodar é ver de repente uma debandada de clientes procurar quem os trate de forma mais equitativa.
Enquanto continuarmos a protestar sem agir, eles continuarão no caminho do abuso sistemático do bem mais precioso que qualquer empresa tem: os seus clientes.
Pensem, Acordem a Atuem JÁ

sexta-feira, abril 12, 2019


Idade da reforma tem de subir para 69 anos para evitar quebra do sistema


https://jornaleconomico.sapo.pt/noticias/idade-da-reforma-tem-de-subir-para-69-anos-para-evitar-quebra-do-sistema-432917


Este tipo de estudos são constantemente bombardeados para a população e como partem de premissas incompletas chegam a conclusões falsas.
Os estudiosos consideram sempre que o país está isolado do mundo, ao estilo do The Walking Dead, e que tirando os indígenas lusos, o resto do mundo é formado por uma horda de zombies. 
Em nenhuma parte do estudo se diz ou quer dizer que a demografia do planeta não pára de subir. Em parte nenhuma do estudo se considera outra forma de fazer crescer a população ativa de Portugal que não seja a de fazer bebés. 
Na resolução de problemas temos de abrir a imaginação a todas as soluções e não ficar focados nas que mais nos interessam. No caso de mais este estudo, o que lhes interessa é dizer isto: se não se privatizarem as pensões, vocês vão acabar por morrer no posto de trabalho.

PS: atualização do mesmo estudo em Dezembro de 2020 - a idade de reforma já subiu para 72!

https://observador.pt/2020/12/21/ocde-portugueses-poderao-ter-de-trabalhar-ate-aos-72-anos/

quinta-feira, abril 04, 2019

Bancos e comissões de inquérito

https://eco.sapo.pt/2019/04/04/deputados-ja-admitem-uma-quarta-comissao-de-inquerito-a-caixa/


Deixo a minha modesta proposta:

Porque não criar em cada conselho de administração dos bancos uma comissão de inquérito para ir avaliando os "crimes" antes de eles acontecerem?
Era uma medida de transparência e de regulação do sector financeiro, dada a exposta incapacidade de atuação do Banco de Portugal nessa matéria.

quinta-feira, março 28, 2019

A Cow based Economics Lesson



SOCIALISM
You have 2 cows.
You give one to your neighbor.

COMMUNISM
You have 2 cows.
The State takes both and gives you some milk.

FASCISM
You have 2 cows.
The State takes both and sells you some milk.

NAZISM
You have 2 cows.
The State takes both and shoots you.

BUREAUCRATISM
You have 2 cows.
The State takes both, shoots one, milks the other, and then throws the milk away.

TRADITIONAL CAPITALISM
You have two cows.
You sell one and buy a bull.
Your herd multiplies, and the economy grows.
You sell them and retire on the income.

ROYAL BANK OF SCOTLAND (VENTURE) CAPITALISM
You have two cows.
You sell three of them to your publicly listed company, using letters of credit opened by your brother-in-law at the bank, then execute a debt/equity swap with an associated general offer so that you get all four cows back, with a tax exemption for five cows.
The milk rights of the six cows are transferred via an intermediary to a Cayman Island Company secretly owned by the majority shareholder who sells the rights to all seven cows back to your listed company.
The annual report says the company owns eight cows, with an option on one more.
You sell one cow to buy a new president of the United States , leaving you with nine cows.
No balance sheet provided with the release.
The public then buys your bull.

SURREALISM
You have two giraffes.
The government requires you to take harmonica lessons.

AN AMERICAN CORPORATION
You have two cows.
You sell one, and force the other to produce the milk of four cows.
Later, you hire a consultant to analyze why the cow has dropped dead.

A FRENCH CORPORATION
You have two cows.
You go on strike, organize a riot, and block the roads, because you
want three cows.

A JAPANESE CORPORATION
You have two cows.
You redesign them so they are one-tenth the size of an ordinary cow and produce twenty times the milk.
You then create a clever cow cartoon image called a Cowkimona and market it worldwide.

AN ITALIAN CORPORATION
You have two cows, but you don't know where they are.
You decide to have lunch.

A SWISS CORPORATION
You have 5000 cows. None of them belong to you.
You charge the owners for storing them.

A CHINESE CORPORATION
You have two cows.
You have 300 people milking them.
You claim that you have full employment, and high bovine productivity.
You arrest the newsman who reported the real situation.

AN INDIAN CORPORATION
You have two cows.
You worship them.

A BRITISH CORPORATION
You have two cows.
Both are mad.

AN IRAQI CORPORATION
Everyone thinks you have lots of cows.
You tell them that you have none.
No-one believes you, so they bomb the ** out of you and invade your country.
You still have no cows, but at least you are now a Democracy.

AN AUSTRALIAN CORPORATION
You have two cows.
Business seems pretty good.
You close the office and go for a few beers to celebrate.

A NEW ZEALAND CORPORATION
You have two cows.
The one on the left looks very attractive.

EDP os avençados da Nação

Parabéns ao Daniel Oliveira por este artigo inspirado (10-01-2012)


Procurando alternativas para este sistema económico insustentável e por isso mesmo condenado a desaparecer - Resource Based Economy




Os bancos, em geral, continuam a agir como entidades sinistras e pouco confiáveis. Sinal disto é a recente modificação de termos relacionados com as transferências bancárias. Normalmente quando se mudam estas coisas é para as tornar mais simples, mais intuitivas mais generalizadas. 
Pois bem: TRANSFERÊNCIA SEPA+ ou TRANSFERÊNCIA A CRÉDITO INTRABANCÁRIA, parecem ter sido criadas para confundir os clientes em vez de lhes facilitar o entendimento do que estão a fazer. 

sexta-feira, março 15, 2019

De volta ao local do crime

Até já os banquitos lusos fabricam as bombas atómicas que quase derrubaram o capitalismo (tal como o conhecemos, ou seja na versão oligárquica)

segunda-feira, março 04, 2019

Falharam-nos... de novo... com o Novo Banco

https://www.publico.pt/2019/03/04/economia/opiniao/falharamnos-novo-novo-banco-1864087#gs.EN89PVzZ

quinta-feira, janeiro 22, 2015

O Super Mário Draghi vai começar a imprimir notas. Porque é que eu acho que isso pouco ou nada irá ajudar a estimular economia real da Eurozona.

O BCE vai anunciar hoje o plano de comprar até 50 mil milhões de euros, por mês, de obrigações soberanas, no mercado secundário. O que é que isto quer dizer, traduzindo para português? 
Significa que quem tiver comprado dívida de países da zona Euro, a pode vender, ao preço da cotação diária, que terá sempre comprador. A partir desse momento o detentor da dívida passará a ser o próprio BCE o que equivalerá a dizer que essas obrigações como que saem do mercado e portanto desce a pressão especulativa sobre os países devedores. Para além disso, com os 50 mil milhões de notas frescas a entrar no sistema há que pense que aconteça um estimulo à economia da zona, que se afaste o cenário da deflação e se parta rumo ao crescimento sustentado do PIB
Onde está o problema?
Quem são os principais e potenciais vendedores dessas dívidas? são os bancos, os fundos de pensões, as seguradoras, os fundos de investimento. São as entidades que levam a sua vida a criar dinheiro a partir de dinheiro, sem produzir essencialmente nada, apenas controlando e tirando partido das movimentações dos chamados mercados.
A partir do momento em que essas entidades decidam vender as obrigações ao BCE e recebam esse dinheiro, vão se colocar a seguinte questão: e agora onde vamos reinvestir esta liquidez extra?
Recordo novamente que essas instituições, não sabem fazer mais nada que não comprar e vender mercadorias nas praças financeiras. Compram ouro, vendem petróleo, compram milho, vendem hipotecas, compram casas, vendem acções. Sendo assim, os 50 mil milhões de euros por mês, vão ter como destino, essencialmente a compra desses bens, e como o excesso de procura leva ao aumento dos preços, vamos assistir ao aumento generalizado do preço dos activos para onde for canalizada a liquidez fornecida pelo BCE. Concretizando, vamos assistir à subida artificial do preço das acções, das matérias primas, do imobiliário. Não vai ser o mundo real, das pessoas, que vai passar a consumir mais coisas para fazer crescer o valor intrínseco das empresas e subir a respectiva cotação. Não vai ser o mundo real das pessoas, que vai produzir mais demografia, para subir a procura de casas.
As cotações vão subir, porque os compradores, vão ter de encontrar um lugar onde pôr os 50 mil milhões de euros por mês, e como é muito dinheiro, a coisa mais provável que pode acontecer é a criação de bolhas especulativas. Os EUA, têm um histórico impressionante de ciclos de bolha, nas ultimas décadas, criadas por este tipo de estímulos tão do agrado de Alan "Pai de todas as bolhas" Greenspan.
De acordo com os ideólogos do mercado, se injectarmos dinheiro no topo da pirâmide, ele vai mais tarde ou mais cedo escorrer para os patamares mais abaixo e assim todos beneficiam. Se calhar por isto não ser exactamente verdade é que neste momento, 1% das pessoas do planeta, possuem já quase 50% dos bens da Terra.
Os EUA e o Reino Unido, (inspiradores deste modo de vida), já estão a fazer o que o BCE vai iniciar, desde praticamente o inicio da crise e se tirarmos uma fotografia à sua situação, veremos que as bolsas estão no máximo, a construção de casas novas está a crescer bem, mas a desigualdade, a pobreza e o crime continuam a subir.
Os programas de estimulo patrocinados pelo Estado, foram inventados por JM Keynes, mas o que ele idealizou e que teve resultados explosivos na saída da depressão de 1930, eram estímulos injectados directamente na base da pirâmide, fazendo uso de investimentos dos Estados em infraestruturas, e bens comunitários. Só assim a economia real, recebe o estimulo do dinheiro extra que é posto em circulação.  

sexta-feira, maio 02, 2014

12ª avaliação

Hoje foi o dia em que o ministro Sacadura e a ministra Marilu, anunciaram ao país o resultado da 12º e última avaliação da troika (concluída ontem às 20h52!!!), ao estado a que este país chegou.
Hoje, como em inúmeras outras ocasiões, o casal de ministros explicou que o sistema nacional de pensões não é sustentável e que tudo tem de ser feito para o "sustentabilizar".
Ora aqui chegados eis algumas questões que me perturbam.
1. Todos sabemos que o Estado português, à semelhança do resto do país (não podemos falar de um sem falar do outro), gasta mais dinheiro do que aquele que dispõe como receita, e daí o recurso à dívida. Sabemos também que dentro das contas do Estado, deste Estado falido, existem várias rubricas. Existe o já referido sistema de pensões, como existe o sistema de justiça e como existe também o serviço da dívida. Até aqui tudo tranquilo e tudo pacifico. O problema começa a desenrolar-se quando os diversos governos do partido do Arco, catalogam as pensões e restantes prestações sociais como insustentáveis, e ao mesmo tempo juram a pés juntos que, por exemplo, a dívida já o é. 
Como é que eles conseguem dentro de uma massa global falida, distinguir o que é, do que não é sustentável? É um pouco como se a uma empresa insolvente, se dissesse: "meus amigos, os salários dos trabalhadores vão ficar por pagar, mas o empréstimo para a frota da administração tem mesmo de ser pago, custe o que custar".
2. Todos sabemos que parte substancial da dívida criada nos últimos 3 anos foi para cobrir o maior roubo jamais efectuado num país "civilizado". O crime BPN custou-nos 7 mil milhões de euros. Gente anónima que passa por nós pelas ruas das nossas cidades, e gente famosa que passa por nós nas televisões, recebeu dinheiro desse bando de criminosos, deixou de pagar os empréstimos e o banco faliu. Como faliu e alguém achou que ele era grande de mais para falir, o Estado endividou-se para pagar os buracos, e agora todos estamos a pagar essas dívidas. Sabemos também que o sistema de justiça português não vai conseguir recuperar nenhum deste dinheiro, nem vai sequer, castigar toda essa gente envolvida.
Sendo assim:
a) porque é que pelo menos esta parte da dívida pública, não é catalogada como insustentável pelos mesmos que classificam assim o sistema nacional de pensões?
b) porque é que o partido do Arco não descreve também como insustentável este sistema de justiça, criado e mantido para permitir que os crimes deste calibre, sejam sistematicamente ignorados e não punidos? Porque é que não se faz a reforma deste sistema insustentável?

segunda-feira, abril 28, 2014

Reagan e Passos Coelho

O que têm em comum estes dois nomes: Ronald Reagan e Pedro Passos Coelho?

1. Ambos carregam um passado de encenação. Reagan pela sua anterior profissão de actor de cinema e Passos pelo seu passado na JSD (vivência de aparências e golpes), pelo seu fascínio pela ópera e acima de tudo pelo seu desejo de ser alguém no mundo dos palcos. Um foi actor outro ficou-se pelo wannabe.

2. Ambos aderiram ao modelo económico conservador, que acredita nos mercados livres como única forma de progresso da humanidade (pelo menos para 1% dela). Com as suas frágeis personalidades em constante mutação, bastaram uns esforços de doutrinação, e eles encarnaram os seus papeis com maior ou menor brilhantismo.

3. Ambos sentem a mais pura aversão ao Estado. Para eles o Estado bom é o que pura e simplesmente não existe, ou como diz a cartilha: "o que serve para fornecer a segurança dos bens e dos cidadãos e o que fiscaliza o cumprimento dos contratos." Tudo o resto deve ser entregue às corporações privadas.

4. O perfil de ambos segue paralelo num outro aspecto fundamental, os dois foram investidos de poder, ou seja a ambos foram entregues as rédeas do Estado que tanto abominam.

O que devemos esperar, quando o inimigo toma conta dos destinos do seu arqui-rival?
Certamente que não devemos esperar que o arqui-rival se fortaleça, se torne eficiente, se torne justo, que continue a cumprir o nobre objectivo de servir todos os seus cidadãos. O que devemos saber é que o objectivo final deles é o absoluto desmantelamento do Estado. Seja através de desregulação (como fez Reagan), seja através da privatização de serviços, seja através do nó górdio da dívida pública, que mais não é que o instrumento com o qual se conseguem executar todas as medidas anteriores.
Não é por mero acaso que o consulado Reagan registou o maior aumento do deficit público norte americano desde que há registos.
A dívida enfraquece. A dívida quebra a espinha. É com a dívida que se impõe a um povo a sua escravidão.
Foi precisamente por aí que Reagan começou o trabalho (continuado depois por democratas e republicanos até aos dias de hoje)
Passos Coelho aí fica atrás, porque "a obra" o precedeu. Não foi ele que deu o primeiro passo. A ele coube apenas a imposição das medidas, justificadas e tornadas urgentes com a dívida.

Os resultados deste modo de pensar a relação dos cidadãos com o Estado está infelizmente cada vez mais à vista e resume-se a uma palavra Desigualdade. Os EUA exibem com "orgulho" os piores números. A sociedade e a sua economia estão cada vez mais canalizadas em direcção aos que detêm as mega fortunas acumuladas em décadas de desmantelamento do Estado. Aos pobres é pedido que sobrevivam como puderem, e não incomodem, num país que já foi chamado "terra das oportunidades". As corporações são actualmente verdadeiros Estados dentro do Estado. Governam-se com leis próprias e manipulam a seu belo prazer os legisladores. Controlam todos os eleitos. Como dizia Marc Twain: "se as eleições servissem para mudar alguma coisa, ninguém nos deixaria votar".
Lembrem-se da frase anterior: " O Estado só deve servir para fornecer a segurança dos bens e dos cidadãos e fiscalizar o cumprimento dos contratos"
Só quando chegarmos a esta fase é que a cartilha ficará cumprida. Ainda existe um longo caminho a percorrer. Um longo calvário. 
Basicamente o Estado vai subsistir apenas nos tribunais (corruptos e manobráveis pelo poder económico, com já acontece hoje)
Tudo o resto vai ser preenchido pelas corporações privadas. E não se pense que elas vão ser eficientes porque vivem em concorrência umas com as outras e em concorrência os preços são automaticamente regulados "pela mão invisível". Esta pseudo-verdade perde-se porque em primeiro lugar os players desse futuro mercado global de serviços de cidadania, vão ser muito poucos e operarão no mais belo cartel que se possa imaginar, e em segundo lugar os preços só alguma vez baixarão, quando a qualidade do serviço também puder baixar porque acima de tudo o que contará para essas corporações são as margens de lucro que obtêm em cada serviço fornecido e em terceiro lugar, não olhem para a regulação para por ordem neste mercado "livre" porque os reguladores são escolhidos por quem deviam regular. 
Quando este cenário ficar completo e tudo funcionar como planearam os professores de Reagan e Passos Coelho, imagino que o planeta Terra, viverá uma civilização semelhante ao feudalismo mas operada em escala global.
Existirão uns palácios equipados com luxo e tecnologias ainda por inventar, espalhados pelos locais mais fabulosos do planeta, e por onde viajarão como turistas permanentes, uma elite monárquica (já constituída hoje) que concebeu o novo sistema social. O resto da população viverá à margem desses palácios, fornecendo-os em mão de obra, alimentos e outros serviços.

P.S. Os autores de ficção cientifica têm a particularidade de por vezes conseguirem descrever visões do futuro. O facto de se conseguirem concentrar intensamente no futuro partindo das regras, movimentos e estruturas sociais do presente, dá-lhes um poder quase extra-sensorial, de "ver" o que vem aí. Há inúmeros exemplos desta capacidade, sendo Júlio Verne o maior deles.
Actualmente de entre as visões do próxima civilização do "mercado livre", elegi como mais prováveis a das séries The Walking Dead, The Hunger Games e As Palmeiras Bravias.
Numa altura em que o conselho de ministros está reunido para decidir o que fazer à reforma de Estado imposta pelos mercados, dei por mim ontem a reflectir sobre o Estado, o progresso e a iniciativa privada.
Na minha opinião, a relação entre a fatia da economia que está na esfera pública e a que fica entregue às empresas privadas, deve acima de tudo ser a adequada ao estádio de desenvolvimento de cada país. Determinados rácios de desenvolvimento podem ser utilizados para definir esse estádio, embora eu opte sempre por usar os que mostram mais claramente as capacidades intelectuais da população. A percentagem de analfabetos (funcionais ou totais), os índices de leitura, a escolaridade, e outros que demonstrem o civismo (multas de trânsito, por exemplo) e a capacidade de intervenção social (voluntariado, activismo em ONG, associativismo).
Dentro desta perspectiva, é que eu vejo o problema português.
Será que o país pode dar-se ao luxo de ter um Estado mínimo?
Vejamos a questão de outro lado: quantos marcos de progresso obtivemos às custas do Estado que temos, e quantos se devem exclusivamente à iniciativa empresarial privada?
A reduzida mortalidade infantil - Estado
O acesso universal à electricidade, água e telecomunicações - Estado
A rede de transportes - Estado
O cartão pré-pago - PT (quando era Estado)
O cartão multibanco - (nasceu com a banca ainda nacionalizada)
Os parques naturais - Estado
O combate ao analfabetismo - Estado
A protecção civil - Estado
A segurança pública . Estado
A televisão - Estado
A vacinação - Estado
Os Descobrimentos - Estado
As reformas e pensões - Estado
A ciência - Estado (excepto a Gulbenkian e agora a Fundação Champalimod)

Bolas tem de haver alguma coisa do lado das empresas!
Já sei talvez a cortiça (não conheço bem a génese do negocio). Algumas marcas de sapatos (embora com ajudas do Estado à exportação). Os clubes de futebol (embora todos falidos e perdoados sistematicamente de pagar impostos).
Estarei a ver mal ou a balança está assustadoramente a pender para o lado público.
Ok, Então passemos a outra vertente. Se a esmagadora maioria do progresso social, tecnológico, e económico nos foi trazido pelo Estado, quem agora o pretende desmantelar para abrir alas aos mercados livres, não precisará de argumentos ainda mais fortes do que a Dívida?
Não seria obrigatório por exemplo que o grupo que nos aponta o novo caminho, nos indicasse por exemplo, um país onde já tenha sido aplicada esta "receita" e onde tenha sido pelo menos mantido o ritmo de progresso e inovação nas diferentes áreas?
Já nem falo no facto de um Estado mínimo liberalizado exigir um poder de regulação/independência que pode atingir valores assustadores, criando a dúvida, será que desmantelando o Estado, vamos poupar dinheiro?