segunda-feira, março 04, 2019

Falharam-nos... de novo... com o Novo Banco

https://www.publico.pt/2019/03/04/economia/opiniao/falharamnos-novo-novo-banco-1864087#gs.EN89PVzZ

quinta-feira, janeiro 22, 2015

O Super Mário Draghi vai começar a imprimir notas. Porque é que eu acho que isso pouco ou nada irá ajudar a estimular economia real da Eurozona.

O BCE vai anunciar hoje o plano de comprar até 50 mil milhões de euros, por mês, de obrigações soberanas, no mercado secundário. O que é que isto quer dizer, traduzindo para português? 
Significa que quem tiver comprado dívida de países da zona Euro, a pode vender, ao preço da cotação diária, que terá sempre comprador. A partir desse momento o detentor da dívida passará a ser o próprio BCE o que equivalerá a dizer que essas obrigações como que saem do mercado e portanto desce a pressão especulativa sobre os países devedores. Para além disso, com os 50 mil milhões de notas frescas a entrar no sistema há que pense que aconteça um estimulo à economia da zona, que se afaste o cenário da deflação e se parta rumo ao crescimento sustentado do PIB
Onde está o problema?
Quem são os principais e potenciais vendedores dessas dívidas? são os bancos, os fundos de pensões, as seguradoras, os fundos de investimento. São as entidades que levam a sua vida a criar dinheiro a partir de dinheiro, sem produzir essencialmente nada, apenas controlando e tirando partido das movimentações dos chamados mercados.
A partir do momento em que essas entidades decidam vender as obrigações ao BCE e recebam esse dinheiro, vão se colocar a seguinte questão: e agora onde vamos reinvestir esta liquidez extra?
Recordo novamente que essas instituições, não sabem fazer mais nada que não comprar e vender mercadorias nas praças financeiras. Compram ouro, vendem petróleo, compram milho, vendem hipotecas, compram casas, vendem acções. Sendo assim, os 50 mil milhões de euros por mês, vão ter como destino, essencialmente a compra desses bens, e como o excesso de procura leva ao aumento dos preços, vamos assistir ao aumento generalizado do preço dos activos para onde for canalizada a liquidez fornecida pelo BCE. Concretizando, vamos assistir à subida artificial do preço das acções, das matérias primas, do imobiliário. Não vai ser o mundo real, das pessoas, que vai passar a consumir mais coisas para fazer crescer o valor intrínseco das empresas e subir a respectiva cotação. Não vai ser o mundo real das pessoas, que vai produzir mais demografia, para subir a procura de casas.
As cotações vão subir, porque os compradores, vão ter de encontrar um lugar onde pôr os 50 mil milhões de euros por mês, e como é muito dinheiro, a coisa mais provável que pode acontecer é a criação de bolhas especulativas. Os EUA, têm um histórico impressionante de ciclos de bolha, nas ultimas décadas, criadas por este tipo de estímulos tão do agrado de Alan "Pai de todas as bolhas" Greenspan.
De acordo com os ideólogos do mercado, se injectarmos dinheiro no topo da pirâmide, ele vai mais tarde ou mais cedo escorrer para os patamares mais abaixo e assim todos beneficiam. Se calhar por isto não ser exactamente verdade é que neste momento, 1% das pessoas do planeta, possuem já quase 50% dos bens da Terra.
Os EUA e o Reino Unido, (inspiradores deste modo de vida), já estão a fazer o que o BCE vai iniciar, desde praticamente o inicio da crise e se tirarmos uma fotografia à sua situação, veremos que as bolsas estão no máximo, a construção de casas novas está a crescer bem, mas a desigualdade, a pobreza e o crime continuam a subir.
Os programas de estimulo patrocinados pelo Estado, foram inventados por JM Keynes, mas o que ele idealizou e que teve resultados explosivos na saída da depressão de 1930, eram estímulos injectados directamente na base da pirâmide, fazendo uso de investimentos dos Estados em infraestruturas, e bens comunitários. Só assim a economia real, recebe o estimulo do dinheiro extra que é posto em circulação.  

sexta-feira, maio 02, 2014

12ª avaliação

Hoje foi o dia em que o ministro Sacadura e a ministra Marilu, anunciaram ao país o resultado da 12º e última avaliação da troika (concluída ontem às 20h52!!!), ao estado a que este país chegou.
Hoje, como em inúmeras outras ocasiões, o casal de ministros explicou que o sistema nacional de pensões não é sustentável e que tudo tem de ser feito para o "sustentabilizar".
Ora aqui chegados eis algumas questões que me perturbam.
1. Todos sabemos que o Estado português, à semelhança do resto do país (não podemos falar de um sem falar do outro), gasta mais dinheiro do que aquele que dispõe como receita, e daí o recurso à dívida. Sabemos também que dentro das contas do Estado, deste Estado falido, existem várias rubricas. Existe o já referido sistema de pensões, como existe o sistema de justiça e como existe também o serviço da dívida. Até aqui tudo tranquilo e tudo pacifico. O problema começa a desenrolar-se quando os diversos governos do partido do Arco, catalogam as pensões e restantes prestações sociais como insustentáveis, e ao mesmo tempo juram a pés juntos que, por exemplo, a dívida já o é. 
Como é que eles conseguem dentro de uma massa global falida, distinguir o que é, do que não é sustentável? É um pouco como se a uma empresa insolvente, se dissesse: "meus amigos, os salários dos trabalhadores vão ficar por pagar, mas o empréstimo para a frota da administração tem mesmo de ser pago, custe o que custar".
2. Todos sabemos que parte substancial da dívida criada nos últimos 3 anos foi para cobrir o maior roubo jamais efectuado num país "civilizado". O crime BPN custou-nos 7 mil milhões de euros. Gente anónima que passa por nós pelas ruas das nossas cidades, e gente famosa que passa por nós nas televisões, recebeu dinheiro desse bando de criminosos, deixou de pagar os empréstimos e o banco faliu. Como faliu e alguém achou que ele era grande de mais para falir, o Estado endividou-se para pagar os buracos, e agora todos estamos a pagar essas dívidas. Sabemos também que o sistema de justiça português não vai conseguir recuperar nenhum deste dinheiro, nem vai sequer, castigar toda essa gente envolvida.
Sendo assim:
a) porque é que pelo menos esta parte da dívida pública, não é catalogada como insustentável pelos mesmos que classificam assim o sistema nacional de pensões?
b) porque é que o partido do Arco não descreve também como insustentável este sistema de justiça, criado e mantido para permitir que os crimes deste calibre, sejam sistematicamente ignorados e não punidos? Porque é que não se faz a reforma deste sistema insustentável?

segunda-feira, abril 28, 2014

Reagan e Passos Coelho

O que têm em comum estes dois nomes: Ronald Reagan e Pedro Passos Coelho?

1. Ambos carregam um passado de encenação. Reagan pela sua anterior profissão de actor de cinema e Passos pelo seu passado na JSD (vivência de aparências e golpes), pelo seu fascínio pela ópera e acima de tudo pelo seu desejo de ser alguém no mundo dos palcos. Um foi actor outro ficou-se pelo wannabe.

2. Ambos aderiram ao modelo económico conservador, que acredita nos mercados livres como única forma de progresso da humanidade (pelo menos para 1% dela). Com as suas frágeis personalidades em constante mutação, bastaram uns esforços de doutrinação, e eles encarnaram os seus papeis com maior ou menor brilhantismo.

3. Ambos sentem a mais pura aversão ao Estado. Para eles o Estado bom é o que pura e simplesmente não existe, ou como diz a cartilha: "o que serve para fornecer a segurança dos bens e dos cidadãos e o que fiscaliza o cumprimento dos contratos." Tudo o resto deve ser entregue às corporações privadas.

4. O perfil de ambos segue paralelo num outro aspecto fundamental, os dois foram investidos de poder, ou seja a ambos foram entregues as rédeas do Estado que tanto abominam.

O que devemos esperar, quando o inimigo toma conta dos destinos do seu arqui-rival?
Certamente que não devemos esperar que o arqui-rival se fortaleça, se torne eficiente, se torne justo, que continue a cumprir o nobre objectivo de servir todos os seus cidadãos. O que devemos saber é que o objectivo final deles é o absoluto desmantelamento do Estado. Seja através de desregulação (como fez Reagan), seja através da privatização de serviços, seja através do nó górdio da dívida pública, que mais não é que o instrumento com o qual se conseguem executar todas as medidas anteriores.
Não é por mero acaso que o consulado Reagan registou o maior aumento do deficit público norte americano desde que há registos.
A dívida enfraquece. A dívida quebra a espinha. É com a dívida que se impõe a um povo a sua escravidão.
Foi precisamente por aí que Reagan começou o trabalho (continuado depois por democratas e republicanos até aos dias de hoje)
Passos Coelho aí fica atrás, porque "a obra" o precedeu. Não foi ele que deu o primeiro passo. A ele coube apenas a imposição das medidas, justificadas e tornadas urgentes com a dívida.

Os resultados deste modo de pensar a relação dos cidadãos com o Estado está infelizmente cada vez mais à vista e resume-se a uma palavra Desigualdade. Os EUA exibem com "orgulho" os piores números. A sociedade e a sua economia estão cada vez mais canalizadas em direcção aos que detêm as mega fortunas acumuladas em décadas de desmantelamento do Estado. Aos pobres é pedido que sobrevivam como puderem, e não incomodem, num país que já foi chamado "terra das oportunidades". As corporações são actualmente verdadeiros Estados dentro do Estado. Governam-se com leis próprias e manipulam a seu belo prazer os legisladores. Controlam todos os eleitos. Como dizia Marc Twain: "se as eleições servissem para mudar alguma coisa, ninguém nos deixaria votar".
Lembrem-se da frase anterior: " O Estado só deve servir para fornecer a segurança dos bens e dos cidadãos e fiscalizar o cumprimento dos contratos"
Só quando chegarmos a esta fase é que a cartilha ficará cumprida. Ainda existe um longo caminho a percorrer. Um longo calvário. 
Basicamente o Estado vai subsistir apenas nos tribunais (corruptos e manobráveis pelo poder económico, com já acontece hoje)
Tudo o resto vai ser preenchido pelas corporações privadas. E não se pense que elas vão ser eficientes porque vivem em concorrência umas com as outras e em concorrência os preços são automaticamente regulados "pela mão invisível". Esta pseudo-verdade perde-se porque em primeiro lugar os players desse futuro mercado global de serviços de cidadania, vão ser muito poucos e operarão no mais belo cartel que se possa imaginar, e em segundo lugar os preços só alguma vez baixarão, quando a qualidade do serviço também puder baixar porque acima de tudo o que contará para essas corporações são as margens de lucro que obtêm em cada serviço fornecido e em terceiro lugar, não olhem para a regulação para por ordem neste mercado "livre" porque os reguladores são escolhidos por quem deviam regular. 
Quando este cenário ficar completo e tudo funcionar como planearam os professores de Reagan e Passos Coelho, imagino que o planeta Terra, viverá uma civilização semelhante ao feudalismo mas operada em escala global.
Existirão uns palácios equipados com luxo e tecnologias ainda por inventar, espalhados pelos locais mais fabulosos do planeta, e por onde viajarão como turistas permanentes, uma elite monárquica (já constituída hoje) que concebeu o novo sistema social. O resto da população viverá à margem desses palácios, fornecendo-os em mão de obra, alimentos e outros serviços.

P.S. Os autores de ficção cientifica têm a particularidade de por vezes conseguirem descrever visões do futuro. O facto de se conseguirem concentrar intensamente no futuro partindo das regras, movimentos e estruturas sociais do presente, dá-lhes um poder quase extra-sensorial, de "ver" o que vem aí. Há inúmeros exemplos desta capacidade, sendo Júlio Verne o maior deles.
Actualmente de entre as visões do próxima civilização do "mercado livre", elegi como mais prováveis a das séries The Walking Dead, The Hunger Games e As Palmeiras Bravias.
Numa altura em que o conselho de ministros está reunido para decidir o que fazer à reforma de Estado imposta pelos mercados, dei por mim ontem a reflectir sobre o Estado, o progresso e a iniciativa privada.
Na minha opinião, a relação entre a fatia da economia que está na esfera pública e a que fica entregue às empresas privadas, deve acima de tudo ser a adequada ao estádio de desenvolvimento de cada país. Determinados rácios de desenvolvimento podem ser utilizados para definir esse estádio, embora eu opte sempre por usar os que mostram mais claramente as capacidades intelectuais da população. A percentagem de analfabetos (funcionais ou totais), os índices de leitura, a escolaridade, e outros que demonstrem o civismo (multas de trânsito, por exemplo) e a capacidade de intervenção social (voluntariado, activismo em ONG, associativismo).
Dentro desta perspectiva, é que eu vejo o problema português.
Será que o país pode dar-se ao luxo de ter um Estado mínimo?
Vejamos a questão de outro lado: quantos marcos de progresso obtivemos às custas do Estado que temos, e quantos se devem exclusivamente à iniciativa empresarial privada?
A reduzida mortalidade infantil - Estado
O acesso universal à electricidade, água e telecomunicações - Estado
A rede de transportes - Estado
O cartão pré-pago - PT (quando era Estado)
O cartão multibanco - (nasceu com a banca ainda nacionalizada)
Os parques naturais - Estado
O combate ao analfabetismo - Estado
A protecção civil - Estado
A segurança pública . Estado
A televisão - Estado
A vacinação - Estado
Os Descobrimentos - Estado
As reformas e pensões - Estado
A ciência - Estado (excepto a Gulbenkian e agora a Fundação Champalimod)

Bolas tem de haver alguma coisa do lado das empresas!
Já sei talvez a cortiça (não conheço bem a génese do negocio). Algumas marcas de sapatos (embora com ajudas do Estado à exportação). Os clubes de futebol (embora todos falidos e perdoados sistematicamente de pagar impostos).
Estarei a ver mal ou a balança está assustadoramente a pender para o lado público.
Ok, Então passemos a outra vertente. Se a esmagadora maioria do progresso social, tecnológico, e económico nos foi trazido pelo Estado, quem agora o pretende desmantelar para abrir alas aos mercados livres, não precisará de argumentos ainda mais fortes do que a Dívida?
Não seria obrigatório por exemplo que o grupo que nos aponta o novo caminho, nos indicasse por exemplo, um país onde já tenha sido aplicada esta "receita" e onde tenha sido pelo menos mantido o ritmo de progresso e inovação nas diferentes áreas?
Já nem falo no facto de um Estado mínimo liberalizado exigir um poder de regulação/independência que pode atingir valores assustadores, criando a dúvida, será que desmantelando o Estado, vamos poupar dinheiro?

sexta-feira, maio 17, 2013

Too big to fail + too small to count

Portugal inventou uma segunda expressão para completar o anglo-saxónico: too big to fail.
O demasiado grande para falir, que já tivemos oportunidade de experimentar em primeira mão, com o resgate dos criminosos do BPN, foi completado com o: são poucos demais para cortar.
Os pensionistas milionários, são uma minoria tão insignificante, graças a sermos um dos países mais  desiguais na distribuição de riqueza (vejam esta palestra para perceberem bem o que representa ser desigual: http://youtu.be/cZ7LzE3u7Bw), que nunca vale a pena cortar as suas pensões, subvenções e privilégios.
Nos outros sim, teremos "poupanças" extraordinárias que rapidamente equilibrariam as contas, mas nesses não, porque são tão poucos que mesmo que cortássemos 90%, o valor poupado era residual.

Keynes

Tenho andado muito entretido a ler "coisas" sobre o grande economista e guru: J.M. Keynes e tenho vindo a perceber que a lógica do seu pensamento foi sendo subvertida ao longo dos tempos, pela política populista que tomou conta dos países ocidentais.
Grande parte dos que agora se designam "keynesianos" não querem perceber uma série de pressupostos que ele próprio escreveu para enquadrar as famosas medidas de estimulo Estatal à criação de emprego em cenários de recessão económica.
Um dos primeiros desses pressupostos é precisamente o cenário de recessão. A celebre imagem de criar um posto de trabalho para cavar um buraco, e outro para posteriormente o tapar, só pode ser equacionada em cenários de crise económica. O problema é que o calendário eleitoral raramente coincide com o ciclo económico e são mais as vezes em que os governos tomam medidas destas em climas de crescimento, do que em cenários adequados de recessão.
Outro dos erros convenientes de interpretação de Keynes, é que esta imagem, é antes de mais uma mera caricatura, que ele aliás como criatura imensamente egocêntrica adorava criar para, abrilhantar os seus artigos e discursos. O Estado ao seguir o remédio de Keynes, tem obrigatoriamente de escolher investimentos produtivos, ou seja com um inquestionável impacto positivo no futuro económico do país, e não como é habitual, em obras de puro esbanjamento.
Em terceiro lugar, Keynes nunca imaginou que os países que populisticamente deturparam a sua análise, alocassem o dinheiro em investimentos que representassem um encargo extra para o Estado, sob a forma de rendas ou prestações bancárias, porque dessa forma o país que renascesse da crise iria tornar-se um país economicamente mais frágil, porque carregaria mais encargos sobre o seu orçamento.
Por ultimo, Keynes esperava que os países tivessem algum mecanismo que inflacionasse a economia conforme era pratica na sua época. Nunca imaginou que a Europa regressasse a uma versão ainda que light do padrão ouro, que ele tanto lutou para destruir. No cenário do Euro, com uma moeda que não permite inflação, os países que necessitam de investir para criar emprego e assim estimularem a saída da recessão, têm de depender unicamente dos mercados financeiros para emitir dívida pública, e portanto, para além de criar um encargo futuro maior com o serviço dessa dívida, ainda sofrem um agravamento brutal da sua independência face aos humores, nem sempre racionais dos mercados financeiros internacionais. Colocam-se "a jeito" para serem objecto de especulações de vária ordem, conforme foi evidenciado nestes últimos tempos.

sexta-feira, março 08, 2013

Uma pergunta aos estrategas económicos do país (se é que eles existem)

Salário mínimo continua o mais baixo da zona euro - Expresso.pt:


Atendendo a que Portugal tem os salários mais baixos da zona euro e que com excepção dos cargos de topo, todos os outros estão ao nível da produtividade do país (de que outra forma se explicam se não for esta a razão?), então gostava muito que me explicassem, como é que, apesar de os dois últimos governos terem afincadamente tornado mais fáceis os despedimentos, desregulamentar os pactos laborais, etc, Portugal ainda não é o país mais emergente da Zona Euro? Todas as reformas dos últimos governos foram directa ou indirectamente dirigidas ao mercado laboral.
Esta para mim é a mãe de todas as perguntas que qualquer português tem de fazer aos governantes.
E não devemos ficar satisfeitos com a primeira resposta. Devemos repeti-la vezes sem conta até que eles desmanchem o discurso preparado e sejam por uma vez verdadeiros nas explicações.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

A ingovernabilidade, ou o regresso do Bicho Papão da sopa.

As eleições italianas deram o pretexto para os nossos comentadores mediáticos sacarem de novo dos seus ipad e despejarem outra vez sobre o povo português a fábula da ingovernabilidade que poderia surgir num hipotético e "assustador cenário de eleições antecipadas".
Ao assistir ontem a tais ideias "assustadoras" saquei do meu android de 100 euros e tratei de escrever o meu ponto de vista, que vale como é hábito (2 cêntimos de euro).
Pois então cá vai.
É minha convicção que no actual cenário político-partidário, o que Portugal devia fazer era um processo eleitoral contínuo, digamos de base semanal, no qual os eleitores seriam chamados a votar todos os domingos, até se atingir uma conjugação de votos que permitisse apenas uma hipótese de formar governo. Essa hipótese era uma coligação pós-eleitoral entre o PS, PSD e CDS.
- O quê???
- Mas isso é o Bicho Papão que ontem ouvimos em todos os canais de tv!
- Pois é.
Eu vou tentar explicar.
O país vive há décadas a adiar decisões. Todos os partidos do Arco, sabem quais elas são. Todos partilham da convicção de que são necessárias, mas nenhum as quer tomar.
A alternância entre as rosas e as laranjas, pontuadas pelo azul do PP, criam um impasse que nem as maiorias absolutas parecem ser capazes de quebrar. A popularidade tem uma atracção fatal e como acima de tudo o objectivo de cada partido é manter-se o máximo de tempo possível no poleiro de cima deste galinheiro adiado, recorrem a todo o tipo de estratégias para transmitir aos eleitores que eles até queriam melhorar o país, torná-lo mais justo, mais forte, mais independente, mas os outros (os que estão no poleiro de baixo a querer saltar para o de cima) não deixam, ou então é a constituição que não deixa, ou então é um "de" ou um "da" que não deixa, ou então é o tribunal constitucional que não deixa.
Não vou escamotear que as oligarquias que mandam no país não têm uma enorme responsabilidade neste impasse, mas para já o tema é o Bicho Papão.
Colocar o partido do Arco, todo no governo, iria retirar-lhe de uma vez por todas as desculpas para ir fugindo para a frente sem aliviar a carga que vamos arrastando às costas.
É ainda mais curioso que se recorram a países como a Itália e a Grécia como espantalhos para assustar os cidadãos, porque o espectro partidário destes dois países não tem a mínima comparação com Portugal.
Nos dois países existiu (nas últimas eleições) um partido novo a concorrer, e com uma dose grande de voto de protesto, a Syriza e o Movimento 5 estrelas. Em Itália existia ainda a grande incógnita ideológica do Bunga Bunga que acrescenta incerteza quanto ao rumo que o país poderá tomar no dia a seguir às eleições.
Em Portugal, todos sabemos que seja qual for o resultado das eleições, o rumo é exactamente o mesmo. Simplesmente nunca se chega a alterar nada de significativo por causa do tal apego à popularidade, às oligarquias e ao medo de cair do poleiro, no próximo acto de escolha.
Senão concordam digam-me qual foi a última medida relevante tomada pelo grupo laranja, que vos pareça totalmente impossível de ser tomada pelo grupo rosa. Vão ter imensa dificuldade em recordar uma, mas é sem dúvida um exercício que faz muito bem ao cérebro e previne as doenças degenerativas. 
As diferenças entre os grupos do Arco, manifestam-se quando um está no poder e defende a medida A, e o outro grupo que está na oposição adopta de imediato a medida B. Mas essas diferenças são "fabricadas" no momento, para mostrar ao país que os dois grupos defendem ideologias diferentes. Eu tenho a perfeita noção que se inverteremos a ordem dos poleiros o grupo que defendia B na oposição passava a defender A e vice-versa. 
Há já sei, "já tivemos o bloco central uma vez e foi um desastre igual". Pois mas os tempos são outros. Nos tempos de agora há um valor político forte que não existia nessa altura, e que todos os órgãos de soberania defendem - a estabilidade governativa. Os partidos, o Presidente da Republica e os comentadores mediáticos enchem a boca com ela, todos os dias. Como iriam eles descalçar essa bota?

terça-feira, fevereiro 26, 2013

O estranho caso da deflação nos países de Programa

Antes de começar, um elogio: adoro esta expressão que o nosso bem humorado ministro das finanças, utiliza para ser referir aos países sob intervenção da Troika: são os países de programa. É simplesmente fabuloso e passou quase despercebido nos Media nacionais. Ele chama países prostitutas a todos e ninguém percebeu.
Passando à frente, vou tentar expor aqui uma situação que me causa estranheza há muito tempo.
Em termos macro-económicos o processo que está a ser seguido nos tais países de programa (PP) é da criação artificial de um fenómeno de Deflação, através da aplicação de austeridade, que irá com o tempo produzir três objectivos: 
1. Aumentar a competitividade dos PP.
2. Equilibrar o deficit do sector público. 
3. Criar excedente na balança comercial externa.

Vários economistas de renome têm acrescentado e na minha modesta opinião, com toda a razão, que este tipo de receita só atinge os resultados se dentro do espaço económico onde os PP se inserem, ou seja os seus clientes das exportações, se aplicar a receita inversa, ou seja se for promovido um aumento da inflação. Dizem eles que os países do Norte, deviam estar a aquecer a sua economia para ajudar a do Sul a arrefecer. Este não é o assunto principal do meu texto por isso vou deixá-lo por aqui.
Voltemos à Deflação dos PP.
Dos três objectivos descritos em cima, apenas um parece estar a ser alcançado, o terceiro. Geralmente é assim que acontece. Mesmo esse é sempre atingido, numa primeira fase à custa da quebra mais imediata das importações. O lado saudável que surgirá quando o volume das exportações subir significativamente, é infelizmente um assunto que, na falta de uma descoberta de petróleo, ou ouro e diamantes, demorará umas décadas a atingir.
O objectivo número 1 está a ser seguido à custa de um só parâmetro: os salários. Os governos já se esqueceram que a competitividade e a produtividade têm vários parâmetros que a determinam, e se fizermos um esforço de memória, podemos verificar que o partido do Arco (PS PSD e CDS) apenas mexem num. Todos os outros são imutáveis, intocáveis, diria mesmo sagrados. Esta aparente desatenção vai fazer com que a competitividade não aumente, ou aumente de forma insignificante para os objectivos globais pretendidos.
Finalmente o deficit. Como todos já aprendemos a métrica que traduz o endividamento de um país é a razão entre deficit público e o PIB. O PIB é uma estatística que traduz a a riqueza produzida no país. A riqueza do país não é só o que o país exporta. É tudo o que o país vende, interna e externamente. Quando o país deliberadamente empobrece os consumidores, o PIB diminui e se o PIB diminui, o endividamento do país, só diminuirá se a redução do deficit cobrir essa queda.
Depois desta introdução chegamos ao que me trouxe cá.
O governo ainda não percebeu, não quer perceber ou não quer que se saiba, que se tivesse coragem para tomar medidas que deflacionassem os PREÇOS de bens de serviços, ao mesmo tempo que deflaciona os SALÁRIOS, o consumo irá manter-se nos mesmos níveis, o PIB não quebraria e logo o deficit diminuía. 
Mais ainda, uma situação deste tipo, é sustentável ao longo do tempo e portanto é o que se costuma batizar por REFORMA ESTRUTURAL.
É esta receita que o país precisa para sobreviver.

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Porque não chove dinheiro em Portugal?

Um dos axiomas da teoria Capitalista (o chamado "Trickle-down economics"), diz que as sociedades modernas devem promover o aparecimento das classes altas e muito altas porque o dinheiro que eles vão amealhando acaba sempre por escorrer pela cadeia de classes, na direcção das altas para as baixas. Portanto pagar bem ou muitissimo bem a gestores, administradores, políticos, CEO, etc é o melhor que se pode fazer.

Ora Portugal nesse aspecto está entre os países que melhor pratica essa doutrina. Os nossos queridos CEO são muito bem recompensados, mesmo quando a tarefa que desempenham é desempenhável por (não vou dizer chimpanzés) por qualquer português com a escolaridade obrigatória. Estou a falar por exemplo dos Administradores da CP, da RTP, da EDP, dos quais uns são imunes aos prejuizos e outros têm o mercado (leia-se consumidores) aos seus pés. Temos cargos públicos que ganham mais que equivalentes americanos.
Para além dos CEOs e de alguns cargos públicos, Portugal montou um esquema brilhante para criar cidadãos imensamente ricos à custa de roubos de colarinho branco que ficam impunes. Toda a corja que viveu à volta do BPN, do BPP, das facturas falsas, da Operação Furacão, e muito outros, ficou várias vezes milionária e vive bem acima das possibilidades normais dos portugueses.
Perante isto, a questão é pertinente: Porque razão esses ricos e mega-ricos, não deixam escorrer o dinheiro pelas outras classes da sociedade? Porque raio é que Portugal não tem já um boletim meteorológico dedicado à chuva de dinheiro. Todos os dias deviam ser divulgados na TV, em horário nobre, os locais onde os analistas consideram mais provável que ocorram trombas de dinheiro. Mini-Tornados de notas de 20 euros capazes de fazer feliz todas as crianças do bairro do Lagarteiro.
Confesso que não sei responder... (tom irónico) mas começo seriamente a duvidar do axioma. É capaz de ser mais que uma historia para enganar os tolos.

(1) Pensar Portugal – Debate – Google+

(1) Pensar Portugal – Debate – Google+:

Sem dúvida que é uma boa noticia para o sector agrícola em quem depositamos as esperanças de vir a ser um dos pilares da nossa recuperação. No entanto, o que o país precisa verdadeiramente é de uma agricultura sustentável em todos os sentidos do termo, nomeadamente ao nível económico e ambiental.
Estes fundos da PAC, têm subjacente o risco de não resolver verdadeiramente o problema de escoamento dos produtos nacionais, e contribuir apenas para subsidiar produtos excedentários e logo sem mercado. Não é sustentável que a UE continue a funcionar como sócia das empresas de distribuição, pagando "a meias" com elas os produtos aos agricultores. Isso apenas serve para distorcer o mercado, e avolumar os lucros privados.
Espero que os novos fundos, sejam canalizados exclusivamente para o aumento da eficiência das práticas agrícolas, para ajudar a reconversão de espaços abandonados ou degradados, para a investigação e desenvolvimento de novas técnicas de produção, para uma cada vez mais rigorosa e transparente, avaliação dos stocks da pesca, para a fiscalização de práticas de pesca ilegal, para a eliminação do escandalo da devolução ao mar de 70% do que as redes apanham, e para outros fins que objectivamente contribuam para que a Europa e Portugal lidere o mundo no que diz respeito à sustentabilidade do sector primário da economia mundial.

Pensar Portugal – Debate – Google+

Pensar Portugal – Debate – Google+: "Cá em Portugal, o que resta à população é o enxovalhamento público dos nomes envolvidos nos dois lados dos desfalques (no lado de quem "dava" o dinheiro e do lado de quem o recebia sem a minima espectativa de o vir a devolver). Todos já percebemos há muito tempo que esse é a única válvula de escape que vamos ter para libertar a pressão que esta furia coletiva gera em todos os cidadãos honestos.
É preciso termos sempre presentes na nossa memória os nomes dessa gente. Todos os nomes. E isso só será possivel quando a PARVALOREM e a PARPUB divulgarem oficial e publicamente a lista completa de todos os créditos (5 000 000 000 de euros até à data)."



Pensar Portugal – Debate – Google+

Pensar Portugal – Debate – Google+: "Ainda hoje de manhã ouvi na tv o relvas a argumentar: quem estiver a acusar o sr frank tem de apresentar provas de que ele esteve envolvido no assalto ao banco. Vindo do relvas já sabemos que o argumento não tem muita substância, mas se nos detivermos um pouco, podemos responder-lhe dizendo: sr relvas, os portugueses querem acreditar que o frank está inocente. Nós todos queremos que ele seja de facto um herói, um dom quixote del bpn. O problema é que vocês não nos apresentam nada para nós podermos acreditar, para além da vossa palavra. Ora como o sr sabe muito melhor que nós, a vossa palavra está com um rating ainda pior que o do país e como tal, não nos devia levar a mal que duvidemos imenso de tudo o que ouvimos da classe política. Por favor, dê-nos algo para nós nos agarrarmos. Dê email dele pro constâncio. Uma escutazita. Nem que seja um sms. Qualquer coisa que valha mais que as vossas convicções."


terça-feira, dezembro 18, 2012

Governo quer passar escolas para as mãos das autarquias - Renascença

Governo quer passar escolas para as mãos das autarquias - Renascença:

Este novo caminho que o governo está a traçar parece-me no bom sentido e só peca num aspecto: a descentralização da gestão das escolas não pode ser feita à escala Municipal mas sim ao nível Distrital ou de NUT III, tal como se fez a nova Lusitânia. Não há massa critica (técnica, humana e financeira) na maior parte dos municípios para que seja de outra forma.
Mas o que eu quero realçar nesta noticia é a desilusão que cada vez mais acompanha o Ministro Crato.
Este senhor professor, que tanto explicou na tv, nos livros e nos jornais a sua visão para o sector da educação não tem a mínima noção do que quer fazer, como fazer e onde mexer. Tem sido uma sucessão alucinante de ideias, propostas e iniciativas casuísticas que se consomem a si mesmas sem que nada apareça no terreno.
Num dia visita a Áustria e descobre que temos de seguir o modelo dual. Noutro dia acorda a pensar Autarquias e decide experiências piloto em Cascais. Em qualquer dos casos, as ideias surgem soltas, em rumores de noticias de jornal, a que se segue muito barulho de fundo, até as mesmas se atenuarem com o passar dos dias. Até aparecer a nova vaga que o Ministro lançará a seguir.
Continuamos sem saber se vai avançar a avaliação dos professores ou se já está encerrado o assunto. Continuamos sem saber se vão fechar cursos e quais. Em contrapartida da falta de resolução dos problemas herdados, temos uma tempestade de ideias e reformas.
Eu esperava muito dele. A quem o seguiu nos tempos do anterior governo parecia uma pessoa com ideias esclarecidas, com um plano bem pensado e capaz de injectar eficiência na velha locomotiva em que se transformou o Ministério da Educação.
Infelizmente não há a mínima noção do conjunto de espaços que constituem um sistema de ensino e bem ou mal  também não há consequências da sua passagem pela cadeira do poder.
O ministro arrisca-se a perder toda a credibilidade como expert em Educação e passar a ser conhecido como o Ministro malabarista do governo de Passos Coelho.

quinta-feira, dezembro 13, 2012

tudo a produzir, e em força

Ontem tive a oportunidade de assistir atentamente à entrevista do ministro ASP (Álvaro Santos Pereira) ao jornalista Gomes Ferreira e aproveitei para fazer o meu comentário no valor unitário de 2 cêntimos (como é usual).

Pois bem, é sabido por quem assistir a canais televisivos com foco na economia, e quem ler jornais com boa cobertura europeia, que a Europa e os EUA descobriram o erro que constituiu o desmantelamento do seu tecido  industrial. Não há nenhum ministro europeu ou americano que seja entrevistado e que não desbobine exactamente o mesmo discurso. "Temos de produzir mais, vender mais e comprar menos, aumentar o emprego". Até aqui tudo bem. Só que temos um problema, é que todos acordaram ou foram acordados para este problema ao mesmo tempo e como tal todos eles sem excepção estão a apostar tudo na reindustrialização dos respectivos países.
Este facto leva-nos a abordar o assunto em duas fatias: A Nacional e a Europeia.
Entre nós o quadro já é conhecido. A Europa é o nosso mercado preferencial, assumindo a Espanha e a Alemanha os dois principais clientes.
O ministro ASP, de quem guardo aliás boa imagem, quando abordado mais profundamente a pronunciar-se sobre a sustentabilidade das medidas, apenas falou na criação de um rótulo a aplicar nos produtos que no seu fabrico possuam uma superior incorporação nacional. Espera-se depois que seja o patriotismo dos consumidores a privilegiar esses produtos rotulados em detrimento de outros, com preço semelhante mas que se baseiem mais em exportações. É a lógica da substituição de importações por produção nacional. Nada disto é novo e muitos países praticam esta manobra, alguns com bons e outros com menos bons resultados. Certo é que nunca salvou nenhum país em crise e portanto sozinha não me parece que venha a dar suporte ao espectável aumento da oferta de produtos nacionais. Primeiro porque num mundo bem ou mal, globalizado, com o desequilíbrio que existe nos custos de produção entre Portugal e os países emergentes, não será fácil ter preços semelhantes entre os dois tipos de produtos. Segundo porque o mercado interno é extremamente pequeno. Terceiro porque estando a praticar um regime de empobrecimento da sociedade o consumo interno irá certamente manter-se retraído durante os próximos anos, diminuindo ainda mais esse mercado. 
É precisamente o tamanho do nosso mercado, que dita que esta medida dos rótulos tem de ser complementada e muito com o aumento das vendas ao exterior. Só que é aqui que a chamada "porca torçe o rabo", porque os nossos principais parceiros europeus e americanos estão a "cozinhar o bolo" com a mesma receita e portanto todos eles estão a rotular os seus próprios produtos e a pedir às pessoas para comprarem o que é deles. Sendo esta a situação, a solução passará por procurar novos mercados. Se não o fizermos com antecedência, podemos estar a incentivar a produção em excesso, face ao escoamento e a consequente criação de excedentes levará à falência provável das novas apostas salvadoras do país. Mas onde se encontram novos mercados? Em Angola, até quando? No Oriente, a que preço? 
Pensava que o ministro ASP, nos iria trazer algum esclarecimento mais sobre esta dúvida, mas de novo veio apenas o rótulo. 
A meu ver a única via será dirigir esta industrialização para os sectores que se distinguem do resto da oferta global. São nichos de qualidade, representando produtos que só nós (por enquanto) sabemos fazer melhor que os outros. Há um detalhe nesses produtos - raramente vêm do tecido industrial tradicional, mas antes do sector das industrias agro-alimentares. E também aqui temos um constrangimento, são nichos. E como nichos, o volume de negócios tem pequena dimensão. 
É aqui que está o desafio. Transformar nichos de qualidade em produtos massificados sem perder um grama da qualidade que os distingue dos outros.
Portanto se o ministro ASP, começar a falar em Reagroalimentação (acabei de inventar uma nova palavra) de Portugal, selecionando criteriosamente onde se aplicaram os fundos do QREN, e abandonando a triste estratégia de semear dinheiro por todas as capelinhas, teremos, na minha perspectiva pernas para andar.
Relativamente à Europa, vista como um bloco exportador, o problema ainda é mais grave porque a menos que regressem as taxas alfandegárias aos produtos que vêm do exterior, gerando uma verdadeira guerra comercial com os países que herdaram a industria europeia, não vejo como se poderá executar esta política de reindustrialização. Voltarei ao tema Europeu mais tarde porque o texto já excedeu todos os limites da paciência dos escassos leitores, mas deixo já o tema base: porque não internalizar nos preços dos produtos ultrabaratos dos emergentes os custos ambientais e sociais que lhes faltam?

terça-feira, dezembro 11, 2012

Trás-os-Montes

Segundo os dados do INE recolhidos em 2011, residem em Trás-os-Montes e Alto Douro 203000. No concelho de Bragança vivem 35000. Em Vila Real o mais povoado, vivem 51000, em Chaves 41000, em Mirandela 23000, em Celorico de Basto vivem 20000, em Cabeceiras de Basto são 16000 e em Alijó são quase 12 mil. Todos os outros concelhos têm menos de 10000 pessoas a viver lá. Isto são dados do Census de 2011. Desde então o mais natural é estes números terem decrescido como tem acontecido desde 2001.
Estes números referem-se à população residente em todo o concelho e não na cidade ou vila que é sede do mesmo, portanto dentro do próprio concelho a população está ainda mais dispersa.
Este é apenas um exemplo/retrato do país Interior.
10000 pessoas é mais ou menos a lotação do estádio do Leixões, ou o estádio do Olhanenense ou o estádio do Estrela da Amadora. O Pavilhão Atlântico em Lisboa comporta 20000 pessoas.
Poderá algum Estado assegurar todas as suas funções a todos os seus cidadãos, nestas condições? Não.
Não seria mais justo para essas populações que o Estado lhes propusesse claramente um novo contrato social, no qual ele garantiria todas as suas funções (Hospitais completos, Tribunais das várias instâncias, Escolas dos vários ciclos de ensino, Proteção Civil e Segurança Pública devidamente apetrechadas) em aglomerados populacionais racionalmente construídos e distribuídos pelo território nacional?  Em vez de andar a vender serviços que não consegue fornecer em condições mínimas de qualidade e eficácia.



quinta-feira, dezembro 06, 2012