sexta-feira, novembro 09, 2012
Areia para os olhos?
Nunca como no último mês se ouviu tanta "gente" importante alertar para a chamada paz social, ou coesão nacional. As definições mudam, mas o sentido é o mesmo: "vejam lá - governantes, que o povo ás tantas revolta-se e temos todos de fugir para o Brasil como da outra vez".
É sem dúvida muito interessante que, tenha sido este orçamento a suscitar este alerta.
Já li um analista (infelizmente não me lembro do nome) caracterizá-lo como o orçamento mais à esquerda desde o 25 de Abril de 1976. Dizia ele que era de tal modo, que fazia inveja ao Bloco de Esquerda e ao PCP.
As razões que ele apontava para isto, prendiam-se com o facto de este ser o primeiro orçamento que agravava de facto as classes média alta e alta.
Desde que li esse artigo, fiquei mais atento ao tipo, forma e origem dos comentários que iam surgindo na comunicação social, que como se percebe é dominada precisamente por essas classes sociais, e o que é certo é que esses comentários foram sendo mais violentos, muito mais pessimistas e usando muito os termos acima referidos. As origens tendem a ficar mais crispadas ao falar e muitas personalidades que até aí permaneciam caladas, resolveram saltar para o púlpito.
Posso de certa forma concluir que as ações vieram confirmar o teor do artigo.
Mudança de modelo económico
Chegam às vezes a ser apelos desesperados ao surgimento de um modelo alternativo para o desenvolvimento do planeta ou do mundo ocidental, ou da europa, ou de portugal. Essa mudança constitui, à luz da veemência das intervenções, um verdadeiro Santo Graal da Economia. Infelizmente 99,9% das vezes nenhum dos presentes faz a mais pequena ideia de como se deve processar essa mudança nem o que dela deve constar. O único pensamento estruturado sobre este assunto é o de um movimento chamado Zeitgeist, que aproveito para publicitar um pouco e que pode ser explicado vendo os vários documentários disponíveis por exemplo no Youtube.
Mas voltando um pouco atrás, pergunto: quais são as hipóteses do mundo ocidental mudar de modelo económico, de forma pacífica ou seja sem que seja necessário algo parecido com uma revolução?
Vejamos alguns exemplos de mudanças de modelo económico, caracterizadas pelo sentido em que as mesmas se realizaram, ou seja se ocorreram no sentido de favorecer a maioria retirando privilégios à minoria, ou se foram realizadas no sentido de concentrar a riqueza nas elites dominantes. Este exercício não pretende ter em conta o que aconteceu após o momento da tal mudança, porque sabemos todos que a natureza humana ainda não evoluiu o necessário para que mesmo as mudanças no sentido favorável à maioria, não sejam aproveitadas, mais tarde ou mais cedo, para criar novas minorias de privilégio.
Até à revolução Francesa de 1789, existiram essencialmente mudanças de liderança, que ocorriam um pouco em substituição de uma ferramenta que ainda não tinha sido inventada, - as eleições democráticas. Dessa forma, através de golpes de estado, ou de lutas dinásticas, os regimes ocidentais iam-se sucedendo uns aos outros, mas sem nenhumas alterações económicas de relevo.
Em França aconteceu a primeira revolução que pretendia acabar com a desigualdade nas transferências de riqueza entre as classes sociais. Curiosamente a faísca que despoletou o movimento aconteceu quando o rei Luís XIV, decidiu cobrar impostos ao clero e à nobreza, ou seja atacou a minoria priveligiada, que depois manobrou facilmente a opinião pública e libertou a revolução. Foi um acontecimento violento, seguido de um período de extrema volatilidade, que só terminaria com a chegada ao poder de um novo Imperador, - Napoleão Bonaparte.
A próxima mudança de modelo económico aconteceu na Rússia, onde mais uma vez em nome do povo russo, os czares foram destituídos, os privilégios retirados e onde se tentou criar um forma mais justa de repartição da riqueza do país. Todos sabemos que se nos primeiros anos o projeto parecia estar em fase de implementação, logo surgiu quem se apoderasse do comando da máquina bolchevique e se transformasse num novo czar vestido de vermelho. A revolução de Outubro, foi, tal como a francesa, extremamente violenta.
A seguinte mudança de modelo económico não teve o dramatismo das revoluções anteriores, foi antes uma manobra silenciosa e ocorreu ao longo de várias décadas. Aconteceu na América. A Grande Depressão, e as reformas instituídas por Roosevelt ao sistema financeiro dos EUA, para além de salvarem o país da ruína, tiveram também a má fortuna de gerar as semente de um movimento revolucionário, que lentamente foi subindo as escadarias do capitólio com o objectivo de destruir todo o tipo de controlo que o Estado deve ter sobre a riqueza que o país produz. O processo de transformação propriamente dito, teve o seu inicio quando o presidente Reagan foi eleito e teve sequência em todos os que lhe sucederam. Ao contrário das revoluções anteriores esta mudança foi realizada de forma pacífica, organizada e muito lentamente, tendo por isso passado praticamente despercebida até ao momento em que os mecanismos, que o Estado permitiu à minoria privilegiada inventar para se apoderar da riqueza do país, se romperam e tudo se desmoronou como um castelo de cartas.
Este modelo económico Americano, criou um outro braço armado, chamado de Globalização. Com ele, a minoria privilegiada que apesar do colapso da sua doutrina, se mantém a liderar os destinos dos EUA, pretende alargar a sua área de domínio económico a todo o planeta, ou pelo menos a todos os países que não possuam capacidade militar para se lhe opor.
A desregulamentação dos sistemas financeiros nacionais, faz parte dos programas de ajustamento que o FMI, sediado e financiado pelos EUA, impõs aos imensos países por onde já passou. Se lerem o fascinante livro de Joseph Stiglitz (americano, e prémio Nobel de economia) " A Globalização" verão que os países intervencionados pelo FMI, e que decidiram ceder o controlo dos fluxos financeiros, aplicando a receita da liberalização, perderam sempre décadas até recuperarem os níveis anteriores à intervenção e muitos deles ainda nem viram, até hoje a luz ao fundo do túnel.
Os casos da França e da Rússia, mostram que efectivamente a mudança de modelo económico, tem servido ao longo dos anos apenas como uma espécie de cenoura com que as minorias privilegiadas, conduzem a maioria silenciosa. As grandes mudanças que esses 2 movimentos trouxeram ao mundo não envolveram a economia dos países, porque de uma certa forma tudo ficou na mesma, passados os tempos de volatilidade.
Ambas trouxeram mudanças significativas noutras áreas, na escolaridade, na saúde, na organização administrativa, mas o principal chamariz que os despoletou, nunca foi cumprido.
Portanto quando a nossa minoria privilegiada fala na urgência de uma mudança de modelo económico, estão a pensar exactamente em quê?
Querem o derrube do modelo americano e trilhar um rumo novo e desconhecido, ou pretendem apenas acenar com a cenoura que a França e a Rússia usaram? Precisamos de saber isso porque a maioria silenciosa já está cansada de comer cenouras...
terça-feira, novembro 06, 2012
BPN ameaça défice de 2012- Finanças Públicas - Jornal de negócios online
Continua a ser cavada sepultura deste autentico assalto aos contribuintes.
Quando é que o povo português vai conhecer a lista dos titulares dos créditos incobráveis destes veículos TITANIC?
Quando é que o povo português vai poder tomar posse legitima dos activos que esses titulares "compraram" com o nosso dinheiro?
quarta-feira, outubro 31, 2012
Ricciardi diz que não é ilícito nenhum falar com o primeiro-ministro- Empresas - Jornal de negócios online
Este Sr. Ricciardi, e o grupo a que pertence (BESI e associados) pertence a uma categoria de personalidades públicas que me inspiram muito cuidado e desconfiança. Essa lista de pessoas inclui nomes como os do Sr Bartolomeu, da União de Leiria, o Sr. Jardim Gonçalves, o Sr. Catroga, o Sr. Dias Loureiro, o Sr. Mexia, o Sr Narciso Miranda, o Sr. Jorge Coelho e outros, dos quais não se espera que venham a ser apanhados pela rede esburacada da justiça portuguesa, mas que pelo seu trajecto e pelos acontecimentos em que ciclicamente são envolvidos os seus nomes, transmitem-me esses sinais, diria, premonitórios.
Como uma Sra. Maya, consigo ler no Zodíaco astral de todos eles, uma constelação de comportamentos sombrios, na fronteira entre o eticamente deplorável e o ilícito criminal.
É neste cenário que vejo as declarações do Sr. Ricciardi ontem na TV. O argumento é o mesmo que já foi usado pelo Sr. Valentim Loureiro ou pelo Sr. Vale Azevedo. Não é crime falar com o PM, ou fazer-lhe perguntas, ou até mesmo criticas. Mais à frente diz ainda "eu nem conheço essa gente do Monte Branco, nunca os vi", argumento também usado por exemplo pelo Sr. Pinto da Costa. Nada disso é crime e nada é ilícito.
O que não é lícito é que se utilizem esses canais privilegiados de acesso ao poder, para negociar vantagens para si e para os grupos a que pertence. Isso é que é lamentável. Mesmo que não constituam crime, não deixa de ser lamentável. Particularmente quando se sabe que nos negócios onde se influencia, onde se dobra e onde se espreme o Estado, quem paga sempre a respectiva factura somos todos nós. E é por sermos todos nós que somos prejudicados pelas conversas perfeitamente legais que estes Srs. têm com o Estado, que se exigia deles, pelo menos algum respeito. Respeito pelos portugueses é respeito para com o País, faltar ao respeito a Portugal, pode até ser interpretado como traição. No mínimo exige-se destes senhores que não continuem a enganar quem já está a ser todos os dias "roubado" por eles.
Investigador diz que há "fortes indícios" de corrupção na TDT - Renascença
Ora cá está! O que eu suspeitava está cada vez mais próximo de ser revelado.
E como disse anteriormente (no post de 30 de Julho e de 9 de Setembro deste ano) era isto que a TROIKA precisava de estar a estudar e a resolver. São estes "negocios" disfarçados de modernidade, que o estado faz nas costas da sua população e que deixam o País cada vez mais pobre e cada vez mais amarrado à âncora que nos está a levar para o fundo do oceano.
Querem cortar nas rendas excessivas mas todos os anos criam mais uma...
Não se esqueçam por exemplo que para o ano o país vai PAGAR 420 mil euros à PT para esta fazer o favor de transmitir na TDT o canal Parlamento.
Vou deixar aqui um grande apelo:
OH TROIKA, AJUDA-NOS A SALVAR DESTE ESTADO CORRUPTO!
terça-feira, outubro 30, 2012
Passos vai convidar formalmente PS para reavaliar funções do Estado - Renascença
Não há muito para reavaliar: sair do sector dos transportes públicos, sair da rtp 1 e sair da banca comercial. Investir continuadamente na concentração de população nas capitais de distrito onde se centralizarão os investimentos, melhorando a prestação dos serviços públicos que sobram, em deterimento da dispersão demográfica actual. Com isto ganharemos o que nunca tivemos como país, eficiência.
segunda-feira, outubro 22, 2012
Constâncio quer BCE a vigiar todos os bancos do euro | Económico
O top da ironia nesta crise, é sem dúvida que o reforço da supervisão bancária que por todos foi declarado estar na origem do colapso ocidental, dê agora origem a um mecanismo de supervisão ainda mais distante, e que passará a vigiar cerca de 6000 bancos por toda a Zona Euro. Adivinha-se a criação de mais um gigantesco centro burocrático europeu, palco de lugares bem remunerados e completamente ineficaz no desempenho da tarefa.
Outra nota interessante, irá ser acompanhar o que irá acontecer aos bancos centrais destes países, uma vez que sem a competência de emissão de moeda e agora com a supervisão reduzida apenas aos bancos regionais, vai ser dificil justificar a manutenção destes aparelhos pesados nas contas públicas.
Em democracia Portugal nunca conseguirá controlar a despesa- Finanças Públicas - Jornal de negócios online
Nem aprecio muito este economista mas desta vez assino por baixo o que ele escreveu. Infelizmente.
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se não fosse trágico era no minimo ridiculo
PS. é claro que não podemos esquecer que a Alemanha ao mesmo tempo que enfraquece a periferia, particularmente as suas empresas, cria vantagens enormes para si própria. Trata-se de uma posição bastante comoda em que ganha em qualquer dos cenários, ou seja ganha se conseguir disciplinar os devedores crónicos e ganha se eles destruirem nesse processo o seu tecido produtivo.
quarta-feira, outubro 03, 2012
Contribuintes pagam 3,4 mil milhões de euros no caso BPN - Expresso.pt
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A última atualização do buraco, varia entre os 3,4 e os 6,5 mil milhões de euros!
Mas nem uma palavra sobre onde está o dinheiro e quem beneficia com este pornográfico resgate.
sexta-feira, setembro 28, 2012
quinta-feira, setembro 27, 2012
Rio admite transformar Lisboa e Porto em super-autarquias - Renascença
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Mais um que se rendeu aos argumentos expostos no Projecto Lusitânia. Precisamos de gente inteligente para refundar este País.
quinta-feira, setembro 13, 2012
recordando o que se disse
"Estamos disponíveis para soluções positivas, não para penhorar futuro tapando com impostos o que não se corta na despesa."
"Aceitarei reduções nas deduções no dia em que o Governo anunciar que vai reduzir a carga fiscal às famílias."
"Sabemos hoje que o Governo fez de conta. Disse que ia cortar e não cortou."
"Nas despesas correntes do Estado, há 10% a 15% de despesas que podem ser reduzidas."
"O pior que pode acontecer a Portugal neste momento é que todas as situações financeiras não venham para cima da mesa."
"Aqueles que são responsáveis pelo resvalar da despesa têm de ser civil e criminalmente responsáveis pelos seus actos."
"Vamos ter de cortar em gorduras e de poupar. O Estado vai ter de fazer austeridade, basta de aplicá-la só aos cidadãos."
"Ninguém nos verá impor sacrifícios aos que mais precisam. Os que têm mais terão que ajudar os que têm menos."
"Queremos transferir parte dos sacrifícios que se exigem às famílias e às empresas para o Estado."
"Já estamos fartos de um Governo que nunca sabe o que diz e nunca sabe o que assina em nome de Portugal."
"O Governo está-se a refugiar em desculpas para não dizer como é que tenciona concretizar a baixa da TSU com que se comprometeu no memorando."
"Para salvaguardar a coesão social prefiro onerar escalões mais elevados de IRS de modo a desonerar a classe média e baixa."
"Se vier a ser necessário algum ajustamento fiscal, será canalizado para o consumo e não para o rendimento das pessoas."
"Se formos Governo, posso garantir que não será necessário despedir pessoas nem cortar mais salários para sanear o sistema português."
"A ideia que se foi gerando de que o PSD vai aumentar o IVA não tem fundamento."
"A pior coisa é ter um Governo fraco. Um Governo mais forte imporá menos sacrifícios aos contribuintes e aos cidadãos."
"Não aceitaremos chantagens de estabilidade, não aceitamos o clima emocional de que quem não está caladinho não é patriota"
"O PSD chumbou o PEC 4 porque tem de se dizer basta: a austeridade não pode incidir sempre no aumento de impostos e no corte de rendimento."
"Já ouvi o primeiro-ministro dizer que o PSD quer acabar com o 13.º mês, mas nós nunca falámos disso e é um disparate."
"Como é possível manter um governo em que um primeiro-ministro mente?"
Ver este video para conhecer melhor a peça:http://www.youtube.com/watch?v=gNu5BBAdQec
Conta de Twitter de Passos Coelho (@passoscoelho), iniciada a 6 de Março de 2010. Os tuites aqui transcritos foram publicados entre Março de 2010 e Junho de 2011
terça-feira, setembro 11, 2012
Cortes nas PPP mais caros para o Estado - Economia - Sol
tal como já tinha escrito antes, se um governo quiser mesmo negociar com esta gente só tem duas opções: ou chama para as reuniões os 3 ramos das forças armadas, ou põe em cima da mesa uma proposta de lei para nacionalizar as empresas (podem pedir as minutas ao Hugo Chaves que ele envia rápido). Qualquer outra forma de negociar só irá provocar mais prejuizo para a Nação, tal como se provou novamente com mais esta pseudo-renegociação falhada
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segunda-feira, setembro 10, 2012
ensinem a crescer...
quarta-feira, agosto 15, 2012
Cães perigosos outras ficções legislativas
É norma neste país resolverem-se problemas com leis e decretos e geralmente os senhores e as senhoras que têm por missão criar legislação, optam por escrever objectos da mais pura ficção com pouca ou nenhuma adesão à realidade do país onde aparentemente habitam. A questão dos cães perigosos é apenas um dos assuntos que este país optou seguir o caminho ficcional em vez de encontrar uma solução para o problema. É claro que a solução ia incomodar alguns cidadãos e iria criar algum incômodo político e portanto criou-se uma lei que ninguém cumpre, que nenhum organismo fiscaliza, e que não evita que todos os anos cidadãos inocentes sofram traumas profundos às mãos de autênticos inergumeros que impunemente insistem em ter a seu cargo um cão. Caros legisladores, o país não tem nem nunca teve condições, financeiras, técnicas nem culturais para implementar a lei das raças perigosas e a única atitude digna que vos resta é a de revogar imediatamente essa obra de ficção e substitui-la pela simples e imediata proibição dessas raças neste país, devendo todos os exemplares existentes ser imediatamente abatidos. É isto que existe em países bem mais evoluídos que o nosso e é só essa a solução para acabar de vez com esta situação lamentável.
quinta-feira, agosto 09, 2012
CGD atira para a falência projecto no Alqueva considerado pelo Governo de "interesse nacional" - Economia - PUBLICO.PT
Aqui está mais um exemplo tipico de como funciona a classe empresarial, vulgarmente designada por "Donos de Portugal".
Lembram-se de um projecto, provavelmente durante uma jantarada, no Gambrinos:
- Ouve lá oh Zé, e se nós fizessemos um grande campo de golfe no Alqueva?
- Sim parece-me interessante, ora desenvolve lá melhor.
- Oh pá, faziamos um grande projecto, sei lá, talvez com hotel 5 estrelas e tudo no maior luxo, convidavamos um designer famoso e sempre era uma maneira de se aproveitar aquela água toda, em vez de a mandar toda para os espanhois.
- Sim, até estava bem pensado, amanha ligo ao Ministro para ver o que ele pensa disso.
O processo é entusiasticamente recebido pelo governo (sedento de noticias boas), carimbam-lhe o PIN em tempo recorde, mas depois dá-se um fenómeno de osmose do risco, onde gradualmente o investidor (quem teve a ideia e a vontade de investir no país, e que iria colher os frutos do seu risco), transforma-se em promotor (ou seja um sujeito que desiste de arriscar o que é seu, e passa a ser apenas o vendedor da ideia, e que no futuro se o projecto for bom, ficará com os louros de investidor brilhante e os respectivos lucros). Quem efectivamente se vai atravessar com os fundos, é o Estado e neste caso também um sindicato de bancos liderado pelo banco público. Sendo certo que os bancos privados, só investem se tirarem a fatia deles, restava à CGD o papel de fornecedor de notas para pagar a construção do empreendimento, pagar os juros aos outros bancos e rezar muito à Nossa Senhora de Fátima para que tudo corresse bem.
O sucesso ou fracasso de todo o projecto ficou logo pendurado nas condições em que o banco público (também há quem lhe chame o braço armado do governo), financiaria a sua execução.
Esta classe empresarial, na verdade, actua como as claques de futebol, incentivam, aplaudem e dão coragem para se gastar o dinheiro em coisas fantásticas, mas sem que nunca em tempo algum corram o minimo de risco de falhar um golo. Se correr tudo bem, são uns génios, se correr torto, eram apenas os promotores de um projecto fantástico mas que infelizmente não houve enquadramento e apoio do governo para o executar.
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quinta-feira, agosto 02, 2012
eliminar Municipios
segunda-feira, julho 30, 2012
recados à ANACOM
Termino com um esclarecimento, o papel da regulação num mercado liberalizado, consiste em proteger a economia do País, das más práticas empresariais, que através das várias formas de manipulação dos mercados procurem gerar lucros ilicitos ou abusivos. Em Portugal a tendência generalizada das diversas entidades reguladoras é confundir o País, com os acionistas das empresas, e num segundo patamar confundem-no com os postos de trabalho que essas mesmas empresas "fornecem" ao País. Só em 3º lugar surgem os interesses dos consumidores dos produtos dessas empresas.
Esta troca de posições conduz os diversos mercados (energia, telecomunicações, transportes, etc) a acumular sucessivas posições de sobre-exploração dos preços cobrados, retirando em última análise, competividade à economia nacional, levando a que no longo prazo todos sejam atingidos por uma onda negativa mas em que a ordem surge invertida ou seja os clientes deixam de poder consumir os produtos, os postos de trabalho acabam na mesma por ser eliminados e os acionistas alienam as posições e partem para outras paragens.
Concluindo, se o objectivo da regulação em Portugal é proteger os acionistas, criem um mercado justo, se o objectivo for manter e criar postos de trabalho em Portugal, criem um mercado justo, e se finalmente o objectivo for proteger os consumidores, criem um mercado justo.