sexta-feira, junho 22, 2012

Que rumo para as empresas de transporte

Ainda não consegui definir se os sindicatos do sector estão coordenados com a agenda neo-liberal, atuando no sentido de afundar as empresas para forçar a evidência da sua privatização, ou se pelo contrário aprofundam o endividamento e a falência das empresas com o objectivo de afastar os interessados dessa hipotética privatização. Em qualquer dos cenários parece-me claro que a intenção deles é manterem-se a todo o custo no grupo dos sector protegidos e privilegiados (face ao restante da sociedade portuguesa) posição essa que foram construíndo ao longo de muitos anos de sucessivas chantagens negociais.

quarta-feira, maio 30, 2012

io-io

A forma como o país está a enfrentar o aperto da dívida, sem praticamente alterar nada de substancial no que diz respeito à estrutura da sua economia, leva-me a admitir que o resultado final de toda esta situação vai ser o equivalente inverso das dietas io-io (digo inverso porque neste caso ser gordo, significa um país próspero). Quer isto dizer que estamos a emagrecer o PIB, aplicando medidas de austeridade que incidem apenas sobre os cidadãos, deprimindo essencialmente o seu consumo, para que depois, aliviando esse garrote, se consiga engordar durante uns anos, até que a economia recupere o que a recessão "comeu". O ritmo a que se soltará o garrote irá determinar o ritmo do crescimento, levando a crer que os partidos que estarão nesse altura no comando irão certamente gerir esse ritmo de acordo com o ciclo eleitoral.
O balanço final vai ser um PIB que inicialmente irá crescer de forma rápida, permitindo até ganhar as eleições, com a ilusão de que finalmente o país entrou no rumo do crescimento sustentável, mas que posteriormente, como a estrutura se manteve no essencial inalterada, retomaremos o crescimento anémico que ao longo de decadas caracteriza a nossa economia. Com alguma probabilidade, vamos ter 3 anos de emagrecimento acentuado, que depois se for bem gerido irá resultar em 8 a 10 anos de pseudo-crescimento, sendo que no fim o "paciente" voltará a ficar com os 120 kg com que começou o regime, e nem mais uma grama.
Infelizmente todos os sinais até agora apontam para esta conclusão.
A daqui concluo também que o sistema político português não se conjuga bem com os patamares evolutivos da democracia que até agora temos vindo a construir, uma vez que é ele que está a emperrar de forma irremediável o crescimento económico de Portugal.

terça-feira, maio 29, 2012

Quem cavou o buraco do BPN?

Uma pequena tentativa para contabilizar o(a)s senhores(as) que ficaram com o dinheiro que todos os portugueses estão a repôr.
Os valores são indicativos e foram pesquisados na internet, em jornais (principalmente no Diário de Noticias) e no livro "O escândalo do BPN" e completados com a reportagem da SIC em 22/12/2012).
É possível que alguns já tenham regularizado os créditos. A cinzento estão nomes e montantes que se encontram disponíveis em jornais e internet mas que não foram mencionados na reportagem da SIC, que estão a preto.

Buraco estimado entre os 2800 e os 4893 milhões de euros mas que, segundo alguns especialistas, pode chegar aos 8300 milhões!

Coveiros:

  • Duarte Lima, Pedro Lima e Vítor Raposo (Homeland): 49,655 milhões
  • Luís Duque, vereador da CM de Sintra: indeterminado
  • empresário Carlos Marques (stand SportClasse), e advogados Diamantino Morais e Teresa Rodrigues: 100 milhões
  • José Oliveira e Costa 15,307 milhões
  • a filha Yolanda Maria Rodrigues Oliveira e Costa (PROGLOBO) : 3,447 milhões
  • José Oliveira e Costa, António Franco (ex-administrador), José Vaz de Mascarenhas (ex-presidente do Banco Insular) e Ricardo Pinheiro (ex-director do Departamento de Operações do banco): 222,1 milhões
  • Abdool Vakil: indeterminado
  • Banco EFISA 126 milhões
  • Luís Carlos Caprichoso (PLEXPART): 0,820 milhões
  • Francisco Sanchez: indeterminado
  • José Vaz Mascarenhas: indeterminado
  • Luís Reis Almeida: indeterminado
  • Isabel Cardoso: indeterminado
  • José Augusto Rodrigues Monteverde (BIGMUNDI): 5,632 milhões
  • Luís Ferreira Alves: indetermnado
  • F. Baião do Nascimento: indetermnado
  • António Martins Franco: indetermnado
  • Rui Guimarães Dias Costa (Labicer): indetermnado
  • Telmo Reis (Labicer): indeterminado
  • Hernâni Ferreira (gerente da sociedade FOimobiliária) : indetermnado
  • Labicer: 82 milhões
  • Invesco (off-shore): 17,538 milhões
  • Jared Finance (off-shore): 46,588 milhões
  • Solrac (off-shore): 115,116 milhões
  • Merfield Servises (off-shore): 6,615 milhões
  • Marbay Enterprises (off-shore): 4,155 milhões
  • Tempory Limited (off-shore): 3,845 milhões
  • Redshield Services (off-shore): 12,450 milhões
  • Reltona Enterprises (off-shore): 12,585 milhões
  • Webster Worldwide Assets: 26,82 milhões
  • Financial Advisory Services: 2,449 milhões de dólares
  • Orienama Investments: 713,106 mil dólares
  • Antorini Brasil Participações: 399, 247 mil dólares
  • Solrac 77,7 milhões
  • Seaford Holdings: 15 milhões
  • Resia Finance: 6,7 milhões
  • Mardell Investiments: 25,5 milhões
  • Kayes Associated: 2,5 milhões
  • Imobiliária Pousa Flores: 1,55 milhões
  • Almiro Silva: 14.05 milhões
  • Starzone, empresa participada da SLN que geria os direitos de imagem do futebolista Luís Figo e do ex-selecionador português de futebol Luiz Filipe Scolari: 47 mil euros
  • Vítor Baía (através das empresas  Suderel- Gestão Imobiliária SA e  Cleal) 4 milhões
  • Telmo Belino Reis 3,6 milhões
  • Dias Loureiro 10 a 30 milhões
  • Arlindo de Carvalho e José Neto (empresa Pousa Flores) 74,363 milhões
  • Arlindo de Carvalho (via Banco Insular) 4,88 milhões
  • José Neto (via Banco Insular) 4,89 milhões
  • António Coelho Marinho 0,735 milhões
  • Duarte Lima (empréstimo para comprar obras de arte) 6 milhões
  • Fernando Estevam Oliveira Fantasia (OPI 92 e PAPREFU - imobiliárias): 80,847 milhões
  • Emídio Manuel Catum (PLURIPAR): 134,740 milhões 
  • Emídio Manuel Catum e Fernando Fantasia 72,131 milhões
  • José Manuel Gama Pereira (gerente do balcão BPN nas Amoreiras) 10 milhões
  • Francisco Guedes e Leonel Gordo (respectivamente gerente e subgerente do balcão de Fátima) 3,584 milhões
  • Joaquim Pessoa (vendeu ao banco uma colecção de arte pré-histórica falsa): 5,3 milhões
  • Almerindo Duarte (TRANSIBERICA): 23,040 milhões
  • Casa do Douro: 26,549 milhões
  • CNE - Cimentos Nacionais e Estrangeiros: 90,441 milhões
  • Galilei: talvez 1000 milhões
  • Joaquim Alberto Vieira Coimbra (TURITON-Imobiliária): 11,032 milhões
  • Vitória Futebol Clube: 7,021 milhões
  • Boavista Futebol Clube: 3,552 milhões
  • Tomás Taveira (arquitecto): 0,828 milhões

  • TOTAL até agora tornado mais ou menos público: 3795,96 milhões

Era tão bom que publicassem todos os créditos transferidos para a Parvalorem, para a Parups e para a Parparticipadas para sabermos tudo. Para sabermos a quem andamos a pagar os calotes.

quinta-feira, maio 24, 2012

Portugal não é como a Grécia * infinito

Todo português patriótico tem como dever repetir sempre que puder a seguinte frase: Portugal não é como a Grécia.
Este exercício deve ser repetido pelo menos 3 vezes por dia e de preferência em locais públicos.
O objectivo é que com este esforço colossal, de 10 milhões de pessoas, se cumpra a velha máxima inventada por um alemão que explica como uma mentira repetida imensas vezes se pode tornar realidade.
Quero portanto usar este modesto pulpito para dar vazão ao meu dever.

Ora aqui está então: Portugal não é a Grécia e para quem não acredita nisto decidi listar uma série de coisas praticas que distinguem os dois países.

1. A queda da ditadura grega deu-se em 1975 enquanto que portugal iniciou a democracia em 1974. Foram de facto 52 semanas de diferença que deram a Portugal uma superior consolidação da democracia.

2. Na Grécia existem 2 partidos que entre si partilharam o regabofe em se transformaram estes 37 anos de democracia. Ora em contraponto em Portugal assistimos a uma saudável alternância democrática entre 2 forças políticas que constituem o chamado arco de poder destes 38 anos de progresso.

3. Na antecamara da ruína  grega, os alemães convenceram o governo a comprar 3 submarinos, num negócio envolto em corrupção e prejuízo para o Estado. Em Portugal também foram comprados 3 submarinos à mesma empresa, mas de uma versão superior, já com software de última geração e com capacidade para lançamentos de pastéis de nata em operações humanitárias.

4. Na Grécia, ainda dentro dessa antecâmara de ruína, organizaram-se Jogos da XXVIII Olimpíada, em 2004 e ainda hoje se pagam dívidas enormes sobre essa organização megalomana. O nosso país, muito mais inteligente, organizou no mesmo ano de 2004, o Europeu de futebol, uma actividade muito mais lucrativa e que rendeu milhões de euros de lucros ao país e belissimos estádios de futebol, alguns dos quais se transformaram posteriormente em anfiteatros gregos pós-modernos.

5. Como é sabido, a Grécia fica na periferia leste da europa, enquanto que Portugal fica situado no extremo oposto dessa mesma períferia, ou seja a Oeste. Haverá diferença maior que esta entre duas nações?

6. A Grécia encetou  a partir de 1980, um movimento imparável de obras públicas com pouco ou nenhum impacto positivo na economia do país, consistindo principalmente em estradas, aeroportos, pontes, hospitais, piscinas e rotundas. Em Portugal jamais actuariamos centrados unicamente em sectores não transacionáveis até porque isso tornaria a dívida demasiado pesada. Optamos inteligentemente por investir nas infraestruturas que melhor potenciam o crescimento do país ou seja: estradas, aeroportos, pontes, hospitais, piscinas e rotundas.

7. A população grega está envelhecida enquanto a nossa está apenas idosa.

8. Em Portugal criou-se uma época oficial de fogos florestais, enquanto que na Grécia as pobres florestas mediterrânicas ardem desordenamente mal chega o Verão.

9. A Grécia foi durante séculos uma provincia Turca, criando-se por isso muitos atritos e má vizinhança entre esses dois povos, outrora imperiais. Portugal e a vizinha Espanha, que outrora dividiram o planeta entre si, tiveram alguns arufos mas nada que belisque a amizade que os une.

10. É sabido que os aldrabões dos gregos falsificaram as contas públicas para esconder a sua incompetência e despesismo descontrolado. Em Portugal, a engenharia financeira apetrechou o Estado com ferramentas tão sofisticadas que conseguimos fazer igual aos gregos sem que ninguem nos chame aldrabões lá fora. Por exemplo, temos uma empresa pública que compra imóveis ao Estado, gerando receitas fantásticas a partir do ar.


Querem mais uma?

11. A bandeira da Grécia é azul e branca e a de Portugal é verde e vermelha.

Lembrei outra bem boa:

12. A Grécia ganhou um festival eurovisão da canção (simbolo da decadência europeia). Portugal nunca ficou sequer no top 3.

sábado, maio 19, 2012

Qual Crescimento?

Com a vitória recente de François Hollande nas presidenciais francesas, aumentou o grupo de pessoas que apelam à europa (figura cada vez mais espectral) para promover políticas de crescimento que atenuem os efeitos recessivos da austeridade generalizada.
Temos então de reflectir o que tem sido até agora essa politica de investimento e se é dela de facto que a europa precisa.
Uma grande fatia da promoção do crescimento têm sido os fundos estruturais que os países agora em dificuldades têm tido acesso. Esses fundos, são atribuídos aos governos porque se acreditou em Bruxelas que esses seriam os melhores gestores e ninguem melhor que eles saberiam canalizar essa ajuda para robustecer as respectivas economias. Ingenuidade!
Infelizmente para os povos desses países, a agenda dos sucessivos governos que beneficiaram dos fundos estruturas era encabeçada por um só objectivo, garantir a vitória na próxima eleição.
Outro facto contribuiu também para a infelicidade e posterior ruína desses Estados, os fundos eram atríbuídos com prazo de validade. Parece absurdo, mas foi a realidade. 
A conjugação destes dois factos levou ao seguinte raciocinio dos governantes: 

1. "temos aqui uma montanha de euros para gastar em x anos."
2. "se não o gastarmos eles não voltam"
3. "temos de ganhar eleições"
4. "temos lóbis que nos ajudam a ganhar eleições"
5. SOLUÇÃO: vamos "investir" os fundos europeus nos negócios dos nossos "amigos"

Foi isto que aconteceu em todo o lado.
Será uma nova dose disto que a europa precisa? De certo que muitos, talvez mesmo a maioria dos que apelam por novas políticas de crescimento, desejam acima de tudo essa nova dose mas não seria bom, por uma vez que seja, tornar as politicas de crescimento, verdadeiras alavancas no reforço das economias dos Estados e da Europa?

Para que tivessemos isso, a europa tinha acima de tudo de pensar em sí de forma integrada, ou se quiserem de forma CONTINENTAL.
A partir daqui a europa teria de traçar objectivos concretos sobre áreas essenciais ao desenvolvimento economico: 
Objectivos europeus na área energética;
Objectivos europeus na área de transportes e comunicações;
Objectivos europeus na área da educação;
Objectivos europeus na área industrial;

Só depois de definidos estes objectivos, é que a europa devia começar a investir no estímulo à economia e à promoção do crescimento.
Não ha outra solução. 

quarta-feira, maio 16, 2012

Esta nossa democracia é assim, de vez em quando alguém do regime faz uma asneira, pega-se nele chamam-lhe arguido e manda-se uns tempos para uma prisão enquanto se finge que se está a investigar melhor a situação. Depois quando o tempo aconselha, manda-se o sujeito para casa com uma pulseira ou outro tipo de castigo, à laia de castigo infantil, "vai lá embora e não voltes a jogar à bola na rua".
Ficam assim concluídos os castigos da "gente" do regime. Não espere o povo outro tipo de justiça neste país.
Os exemplos são tantos que nem vale a pena listá-los. O próprio povo já sabe associar ao tipo de arguidos que ciclicamente caem nesta situção, o tipo de castigo que lhe irá ser proposto. E o que é verdadeiramente grave é que já todos nos conformamos que a vida deve ser mesmo assim. Já ficamos satisfeitos porque pelo menos tiveram que passar uns diazitos fechados num sitio qualquer sem poder ir ao cinema, ou passear à beira mar. Nem nos lembramos ou queremos saber se podem estar inocentes. E parece que eles também não se importam muito em serem detidos sem julgamento ou sem provas dos delitos que alegadamente cometeram. É o preço a pagar por pertencerem ao clube do regime. Sabem que em breve voltam à liberdade, e que o povo já ficou contente por vê-los dentro dos automóveis da PJ a cobrir a cara, quando saem a alta velocidade para os malditos "calabouços" da judiciária. Reparem que a comunicação social (também dominada pelo regime) usa muito esta expressão quando os arguidos são do tipo "colarinho branco" precisamente para o povo ao ouvir essa palavra, imaginar imediatamente, umas instalações do tipo da santa inquisição, onde eles irão estar sujeitos às mais variadas sevicias corporais, a obrigados a comer só pão e beber só água.

A verdade é uma só: Há intocáveis em Portugal, e não são poucos. 

Outra verdade: Não procurem distinguir esta gente em função das cores dos partidos a que pertencem porque neste caso, todos "comem da mesma gamela" e também porque o universo desta gente não se restringe à política.

terça-feira, maio 08, 2012

A liga francesa

O socialista Hollande está para a república francesa como o nosso Mário Figueiredo está para a liga portuguesa de futebol profissional.
Sempre se mentiu para alcançar objectivos o que destaca estes dois casos é a falta de preocupação nas conseqüências que as suas falsas promessas terão nos que os elegeram.
Na altura de angariar votos sempre a classe política usou de meios mais ou menos fantasiosos para alcançar o objectivo. Em maior ou menor grau todos o fazem.
Quando no entanto a fantasia atinge este nível só podemos estar perante alguém que até já sabe qual vai ser o percurso alternativo ao país das maravilhas que vendeu aos cidadãos.
Aqui como no circo o bom acrobata dedica o mesmo tempo a treinar o salto como a preparar a queda.

quarta-feira, abril 11, 2012

O proder

Sabiam Vossas Excelências que a união europeia por intermédio PRODER e das suas regras cozinhadas pelo estado português, financia o corte de árvores das galerias ribeirinhas. Como é possível gastar-se dinheiro desta forma?

sábado, março 31, 2012

breves

Os portugueses em geral ainda não tomaram verdadeira consciência do que aconteceu no BPN. Sabe-se que o estado perdeu definitivamente 2,5 mil milhões de euros. Sabe-se que poderá perder mais 3,5 mil milhões de euros. O resto não se sabe. Acima de tudo é estranho ninguém coneguir explicar para onde foi este dinheiro, ou seja o que aconteceu e quem ficou com ele uma vez que não foi perdido num incêndio ou noutra calamidade mais ou menos natural. Ontem num documentário francês sobre a cidade de Detroit, foi avançado um número que despertou a minha curiosidade. O Governo americano, presidido por Obama, também foi obrigado a acorreu a um incêndio sistémico, resgatando da falência as 3 grandes construtoras americanas de automóveis (Ford, GM e Chrysler). Foram 7 mil milhões de euros, para as salvar da falência, do pós-subprime. Esses dois números de porporções gigantescas ficaram a bater na minha cabeça toda a noite. 6 mil milhões para o BPN, 7 mil milhões para a 3 Bigs. 3 empresas, multinacionais com centenas de milhares de trabalhadores e com cash-flows seguramente de dimensão próxima do PIB português. Este tema do BPN, toda a história, incluindo o risco sistémico, a chuva de milhões que o estado gastou para o evitar, o desaparecimento do dinheiro, e finalmente o último capítulo da privatização, tudo polvilhado pela impunidade com que os culpados irão ser agraciados, daria certamente um argumento cinematográfico capaz de ombrear com o Inside Trader ou com Wall Street.


Desde 1835 que o mapa administrativo português não sofria alteração significativa e das que sofreu, todas foram para o tornar mais obsoleto, por via da criação estupida de mais concelhos, para alargar a clientela partidária. Agora, com o pretexto da troika, parece que vão mexer mais profundamente no dito mapa, mas pelo que se tem vindo a saber, ao contrário das minhas espectativas, vão enfermar esta revisão de dois erros crasos: 1. como é tradição, nas reformas cosméticas, atacar-se-à o elo mais fraco, com menos poder revindicativo. As freguesias. Mantendo-se intactos os verdadeiros, gastadores de dinheiro e acumuladores de corrupção e de incompetência que são as Camaras Municipais. 2.O corte no número das freguesias, não vai trazer qualquer acréscimo de competência técnica às Autarquias, ou seja, o que faziam mal vai continuar a ser mal gerido. Esta pseudo reforma administrativa não vai capacitar as autarquias para acolherem as novas competências que lhes têm de ser entregues para serem tratadas de forma bem mais eficiente do que até aqui: educação, proteção civil, transportes públicos, gestão do território e ambiente. Grande parte das funções asseguradas pelas freguesias pertencem ao sector da assistência social às populações. Nada beliscam no cancro da gestão territorial que é onde o problema que a troika pretendia resolver, reside.

sexta-feira, dezembro 23, 2011

2012

O próximo ano 2012, vai ser o ano onde, (espero eu) se avalie friamente a crise verdadeiramente sistémica em que Portugal mergulhou, muito por culpa das medidas tomadas para evitar uma cada vez mais hipotética crise sistémica, que iria ser provocada pela normal falência de dois bancos mal geridos - BPN e BPP.
Agravou-se uma crise para evitar uma hipótese de crise que ninguém quer submeter a escrutínio.

quarta-feira, dezembro 14, 2011

Ligado à corrente- Editorial - Jornal de negócios online

Ligado à corrente- Editorial - Jornal de negócios online:

'via Blog this'



Este artigo retrata acima de tudo o raciocinio daqueles que não tiram os olhos do chão e nunca arriscam lançar um olhar para o horizonte.
O jornalista escreve que o lobi dos veículos eléctricos ficou triste com o corte aos incentivos à compra, mas não fala no regozijo com que o bem mais importante lobi do petróleo, festejou essa decisão.
O jornalista entende que o incentivo era um luxo a que o país não pode ter, mas evita fazer as contas ao peso que a importação de petróleo tem na nossa balança de transação, nem do incremento de eficiência energética que a generalização do uso deste tipo de veículo traria a Portugal a médio e longo prazo.
Mantendo os olhos focados no chão, e marchando com o rebanho, rumo ao empobrecimento, de nada adiantará a poupança imediata que se irá obter com mais esta medida avulsa que o governo toma, motivado acima de tudo pela vontade de fazer diferente relativamente ao anterior, em vez de se preocupar em fazer melhor.

terça-feira, novembro 01, 2011

euro grécia

O drama grego continua a agitar os mercados, ou será continua a ser usado para conduzir os mercados?
Está bem consolidada a noção de que ninguém tem poder suficiente para dirigir os mercados. Eles são formados por multiplas ideias e convicções e o rumo que toma dia-a-dia e mês-a-mês, é determinado pelo somatório de todas essas ideias e convicções. Para poder influenciar o seu rumo teria de existir um monstruoso poder financeiro com peso suficiente para influenciar a balança onde se pesam ursos e touros.
Também creio ser mais ou menos claro para todos, que a parte dita ocidental do mundo está a perder inexoravelmente a sua secular influência na economia mundial, em favor das novas potências eco-demográficas.
Junto a estas duas noções a de que este mundo ocidental, tem vindo nas ultimas duas decadas a disfarçar a sua perda de peso, recorrendo a dinheiro emprestado por essas mesmas nações ditas emergentes. O crédito substitui o crescimento interno que deixou de poder acompanhar as beneses sociais que esses estados criaram para os seus povos.
Estamos neste momento a constatar que também o crédito se está a esgotar e as nações ocidentais, enfrentam o fim de mais esse recurso para colmatar a perda cronica dos seus factores de crescimento.
Sem capacidade de produzir, sem capacidade de pedir emprestado, resta a derradeira soluçao dos desesperados: apropriar-se de capitais de terceiros.
Creio que é a concretização desta ideia que temos vindo a assistir.
Os dirigentes europeus e americanos, têm concertado entre si determinados gestos, que fazem mexer os mercados no sentido que eles pretendem, tendo como objectivo derradeiro, gerar capital que permita pagar as enormes dívidas que todos foram acumulando.
É desta fora que eu percebo o recente anuncio do PM grego, sobre a realização de um referendo (para dar força aos ursos), que se seguiu a mais uma cimeira para a agradar aos touros.
Com estas manipulações aos mercados os estados ocidentais usam uma espécie de inside trading estatal para conseguirem fundos que paguem as contas.
Nos ultimos 3 meses, todas as oscilações nos indices mundiais, começaram ou terminaram, com um evento politico, criado pelos estados ocidentais endividados.
Só no ultimo ciclo (cimeira do dia 26/10, anuncio do referendo grego no dia 1/11) o DAX mexeu 700 pontos (12%). Os bancos franceses mexeram 40% em 5 dias!

terça-feira, outubro 04, 2011

contas

Agencia Nacional para Compras Públicas

MS Office custa 5 vezes mais que nas lojas públicas (FNAC, WORTEN, VOBIS, etc)
A simples compra de um bilhete de comboio exige a consulta a 13 agências de viagens, sendo que só temos um fornecedor de serviço de passageiros a operar (a CP)

terça-feira, agosto 16, 2011

BCP e CP

O que se diria se a CP, para equilibrar as contas e pagar as dívidas vendesse ao melhor preço as suas locomotivas?
Pois é isso precisamente que o BCP se prepara para fazer, com a venda da sua unidade na Polónia.
É certo que também tem planos para comprar outras "locomotivas" no Brasil e em Angola, mas essas ainda estão a ser fabricadas e nem se sabe como irão andar (consumos, velocidades e fiabilidade) enquanto que esta (Polónia) viajava à vários anos, em velocidade de cruzeiro e sem grandes problemas, gerando lucros.
Há certas coisas que um leigo vê e acha má opção, porque não alcança os objectivos dos sábios, mas também há "sábios" que não passam de leigos em bicos de pés.

sexta-feira, julho 08, 2011

eis a verdade da agricultura portuguesa

Tal como já tinha sido abordado num post mais antigo, esta moda recente de promover "o regresso à agricultura", só pode ser concretizado se o problema dos custos de produção for resolvido. Se não acontecer isso, a moda será apenas isso, uma moda.

Noticia da Rádio Renascença 08-07-2011 11:33

Produtores de leite fecham portas devido à concorrência estrangeira



Nos últimos anos, encerraram mil explorações leiteiras. 90% do leite vendido pelas marcas brancas é importado.

Está a aumentar o encerramento de explorações leiteiras no país. O alerta parte da Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite (FENELAC), cujo secretário-geral, Fernando Cardoso, explica que o problema é que “a grande distribuição enveredou por uma estratégia, nos últimos anos, de importação de produtos lácteos”, que chegam ao mercado português “a preços muito, muito baixos”.

“Há pouco tempo, tivemos leite vendido nas grandes superfícies a 39 cêntimos por litro. Se o consumidor opta por essas importações, é evidente que há uma parte da produção nacional que não é comercializada ou é comercializada a um preço muito baixo”, acrescenta Fernando Cardoso.

A produção nacional é suficiente para as necessidades do consumo interno, garante o secretário-geral da FENELAC. "O problema está nas importações, essencialmente promovidas pela grande distribuição para as suas marcas próprias e a preços muito baixos”.

O futuro do sector está hoje em debate num seminário internacional em Santa Maria da Feira.

quarta-feira, junho 15, 2011

privatizações

Retirar o Estado das empresas tem uma grande vantagem, tem impacto imediato na honestidade e no sentido de serviço público dos governantes que vierem a seguir.
Actualmente diria que 80% dos políticos e aspirantes a políticos, particularmente os jotas, têm em mente um objectivo principal, conseguir entrar no clube dos intocáveis administradores de empresas públicas ou com forte dose de influência do Estado. Ao retirar esse isco nefasto, imediatamente é passado um crivo de credibilidade a essa classe que tanto dela precisa.
Podem dizer os críticos que também se perdem os mais dotados que assim se afastarão ainda mais da vida política.
Respondo já: no ponto em que estamos prefiro um honesto normal do que um aldrabão sobredotado.

terça-feira, junho 14, 2011

a agricultura

De repente entramos numa nova fase de movimento de opinião massificada em que todos os discursos vão parar à ideia de que temos de regressar à agricultura, povoar os campos, e produzir os nossos próprios alimentos para reduzir as importações.
Tudo isto não é novo e acontece em todos os países que atravessam crises do género da nossa, no entanto este raciocínio simplista esbarra de frente com uma outra verdade quase universal, a concorrência de preços é que determina a decisão do consumo. Quer isto dizer que os produtos alimentares estrangeiros que nos entram pela fronteira dentro, não nos são impingidos, entram porque efectivamente são mais baratos e a nossa agricultura desapareceu essencialmente porque não conseguiu competir com esses produtos. Esta é a verdade e embora seja romântica a ideia de que foi a horrível europa que nos obrigou a abandonar a lavoura, a verdade é que foi apenas mais um efeito da globalização.
Se o patriotismo dos portugueses atingir a fasquia em que em pleno hipermercado preferem pagar mais uns euros por um produto português do que por outro mais barato mas importado, então força.
Tudo para a Cova da Beira em força.
Não sendo isto, procurem mas é descobrir porque é que portugal gasta tanto dinheiro a mais que os outros para produzir 1 kg de hortaliça.

quarta-feira, junho 01, 2011

eleições... outra vez

Pois é, país a votos de novo.
E de novo sem a evidência de vermos eleito alguém que tenha o discernimento suficiente para perceber porque é que o país não consegue caminhar para o desenvolvimento sem ser à custa de muletas externas.
Muito se fala em gordura, em cortar despesa ou em aumentar receita mas é tudo vago e sem o sentido de uma verdadeira estratégia política com vista a assegurar um futuro melhor para quem vier a seguir.
Volto a identificar os dois impedimentos fundamentais para Portugal se tornar competitivo:

1. Na década de oitenta, "aconselhados vivamente" pelo FMI, o país privatizou muitos sectores da sua economia mas não cuidou em criar um verdadeiro poder de regulação. Com o passar dos tempos os sectores privatizados tornaram-se, por via de variados mecanismos, (golden shares, participações cruzadas, PARPUBLICA e CGD) em mercados protegidos retirando à economia e do país capacidade de crescimento. Como bem diz Vítor Bento nos seus livros: o sector dos bens não transacionáveis cresceu à custa de transferências de riqueza vindas do sector que produz bens em regime de concorrência (Nacional e Internacional).

2. A desorganização espacial e administrativa do país, implica um custo pesado (mas sempre negligenciado pelos governantes) nos chamados factores de produção. Com o crescimento urbano selvagem que é imagem de marca de quase todo o país, não é apenas a estética que sofre, sofre a economia do país. Quem contabiliza as horas e o combustível que os portugueses queimam no percurso casa-trabalho-casa, por falta de planeamento das cidades e das respectivas redes de transporte público? Todas as infraestruturas económicas baseadas em rede (telecomunicações, energia, transportes, água) têm em Portugal um custo por km, superior aos nossos concorrentes europeus. Enquanto os Espanhóis gastam 2 M euros para instalar a rede de tratamento de águas residuais de uma cidade com 100 mil habitantes, nós temos de gastar 4 M euros devido unicamente à extensão exagerada da mesma. O mesmo raciocínio tem aplicação a outros aspectos da vida social que também se organizam em rede e que têm impactes tremendos nos custos do tão falado Estado Social. A rede de escolas, por exemplo. O Sistema Nacional de Saúde. O Mapa Judiciário.

Quantas vezes já todos nós nos questionamos, será que somos mesmo mais preguiçosos que os Espanhois, ou que os Franceses, ou que os Italianos para estarmos sempre em crise económica? Porque é que este país não é competitivo? Porque é que quase tudo o que produzimos fica mais caro que noutros países mesmo sabendo que os salários são dos mais baixos da europa? Temos férias e feriados a mais? Somos mais corruptos?
Na base da resposta estão estes 2 problemas. Tenho para mim que o segundo tem muito mais peso que o primeiro e se é um facto que já são vários os economistas que atacaram o excesso de liberalismo dos mercados protegidos, em relação à falta de organização do país, ainda nada foi avançado e muito menos corrigido.