quinta-feira, fevereiro 18, 2010
sexta-feira, novembro 27, 2009
isto é ser prudente?
Destaco dela uma interrogação: a palavra prudencial é muitas vezes usada pelos banqueiros e por quem os regula (?) para manifestar a orientação que deve ser sempre seguida na supervisão de tão importante sector em qualquer país.
Mas, será prudente que um banco (seja ele qual for) se deixe ficar tão dependente de tão poucas pessoas/instituições como é o caso relatado na noticia do JdN?
Então e a história da galinha e dos ovos no cesto, não é levada a sério quando o tamanho da galinheira é suficientemente grande para matar toda quinta no caso de um colapso?
Estará a gestão do BCP (e o silêncio sempre oportuno do Banco de Portugal) a contar que estes 6 magníficos caloteiros, têm a solidez do "ouro", nome pelo qual os contribuintes deviam passar a ser designados, neste mundo cada vez mais de pernas para o ar?
Então aqui fica a noticia tímida mas que deixa muita poeira no ar:
Jornal de Negócios Online de 26/11/2009
| Seis clientes do Banco Comercial Português (BCP) devem ao grupo financeiro cerca de 3,5 mil milhões de euros, o equivalente a aproximadamente 80% da capitalização bolsista do grupo, que ontem totalizava 4,3 mil milhões de euros. De acordo com uma notícia de hoje do “Público”, só a construtora Mota Engil tem responsabilidades assumidas para com o banco da ordem de 1,2 mil milhões de euros, cerca de 28% do seu valor de mercado. "O BCP não comenta relações com potenciais clientes. Em todo o caso, todas as operações respeitam os rácios impostos pelo Banco de Portugal", disse ao “Público” o porta-voz do banco presidido por Carlos Santos Ferreira. Para além da empresa liderada por Jorge Coelho, ex-governante socialista (ministro de Estado e do Equipamento Social), encontram-se também neste lote de grandes devedores do BCP mais dois grupos ligados ao sector da construção, a Teixeira Duarte (Pedro Teixeira Duarte) e a Soares da Costa (Manuel Fino). No grupo estão ainda a Cimpor, cimenteira detida pela Teixeira Duarte e por Manuel Fino, o investidor Joe Berardo, e o empresário Joaquim Oliveira, dono da Controlinvest, que controla a Lusomundo e os títulos de mediaDiário de Notícias, Jornal de Notícias, 24Horas e TSF. |
quarta-feira, novembro 11, 2009
| Um relatório encomendado pela Comissão Europeia refere que os impactos e a verdadeira necessidade do programa nacional de barragens português foram mal avaliados. De acordo com a Sic Notícias, que veicula a informação, o documento refere que ficaram estudos por fazer como aqueles para avaliar os impactos das novas barragens na qualidade da água. Na bacia hidrográfica do Douro, por exemplo, a construção de cinco novas barragens “irá deteriorar significativamente” a qualidade da água. O governo já adjudicou a maior parte das construção referentes ao plano, uma das bandeiras do actual governo socialista. O Ministério do Ambiente esclarece à SIC que já conhece o conteúdo do relatório desde Junho. O relatório avisa ainda que caso Portugal concretize todas os dez aproveitamentos hidroeléctricos previstos no Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico, irá falhar o cumprimento da directiva europeia sobre a qualidade da água.“Considerando a relação custo-benefício é difícil compreender esta decisão”, sustentam ainda os investigadores, citados pela mesma cadeia televisiva. No Programa de Governo, apresentado e discutido na semana passada na Assembleia da República, a “implementação do Plano Nacional de Barragens” consta na alínea dedicada à energia hídrica do capítulo sobre a “revolução energética” O Executivo de José Sócrates definiu como meta para a energia hídrica o aumento da actual potência hidroeléctrica instalada, ambicionando cumprir a redução de 54% para 33% do potencial hidroeléctrico por aproveitar até 2020. |
Agora falo eu:
Pergunta lógica: A ARH do Norte, que tem como objectivo o cumprimento da DQA, na região Norte e assegurar o bom estado de todas as massas de água até 2015 o que tem a dizer sobre isto?
Não seria bom para a afirmação da ARH do Norte no triste panorama Nacional dos RH, tomar uma posição firme, no combate ao PNBEPH, em vez de assobiar para o lado.
quinta-feira, outubro 15, 2009
o imbecil do PS
Já tinha descoberto há muito o Top do PSD, - o destacado Major.
Ontem, em prime time, revelou-se o do PS.
Jorge Coelho!
Nem mais.
O PS tem finalmente o seu Major.
Andava escondido, entrou e escorregou pelo governo abaixo com a chuva. Saltou para a Mota-Engil. Ontem revelou ao país que afinal está ali o imbecil do PS.
Fiquei a saber que foi ele um dos principais "obreiros" do tristemente celebre Plano Rodoviário Nacional. O tal que prevê a ligação por auto-estrada de todos os cidadãos de Portugal.
A imbecilidade começou a revelar-se no seu pseudo-humor agressivo com que pretendia surpreender o entrevistador/humorista. Mas foi a forma como tentou explicar simplisticamente que as 3 autoestradas Lisboa-Porto, têm por base fomentar a concorrência, que constituiu a pedra de toque da sua intervenção televisiva.
Com o humor não se brinca. E ninguém numa situação daquelas consegue mentir.
Ficou portanto o país a saber que temos 3 auto-estradas, porque há 3 empresas interessadas em partilhar o tráfego que supostamente lá passará.
Não foi para interesse do desenvolvimento do país.
Não foi para diminuir distâncias.
Não foi por necessidade face ao aumento de tráfego na A1. (para isso bastava fazer a 3ª faixa, que curiosamente até está a ser feita)
Não foi por estratégia de desenvolvimento devidamente justificada.
Não.
Foi para que 3 empresas possam partilhar entre si as receitas.
Este concorrer também tem um subentendido escondido. É que elas vão concorrer como as gasolineiras da A1, ou como as operadoras de telemóveis. Concorrer aqui significa cartelizar os preços. Garanto que quando estiverem impostos os pagamentos de portagens nas 3 vias, ir numa ou noutra vai rigorosamente igual.
Agora eu pergunto, em que país, se abdica de tantos km2 de território para construir 3 auto-estradas paralelas com o mesmo destino?
No país que foi tocado pela magia imbecil de pessoas como este Jorge Coelho.
E como infelizmente para nós calhou a Portugal essa fava, cá as temos, construídas pela sua empresa e ao serviço de quem pagar.
Regionalização
O que já li, fez-me reflectir em dois erros que se cometem quando se pretende defender a regionalização do país e que pretendo explicar melhor:
1. A defesa da regionalização não pode ser realizada apenas por esta se apresentar como veiculo de combate ao poder centrado na capital, - Lisboa. Fazer isto neste momento, é entrar num circulo povoado por personagens que já entraram por direito próprio no folclore português, e ficar de tal maneira colado a elas que muito dificilmente alguém fora do circulo lhes dará crédito. A regionalização tem de se impor como medida de incremento da eficiência do país em todas as áreas. Criar novas micro-lisboas por esse país fora não ajuda a impor eficiência, bem pelo contrário, é apenas um absurdo.
2. Discutir os mapas e as regiões a criar, é semelhante a debater qual é o sexo dos anjos. Ninguém conseguirá "vender" a história da regionalização aos eleitores, se não centrar a discussão no que verdadeiramente interessa ao país, i.e. quais as competências que devem assumir as regiões a criar e acima de tudo, a perda de poder e de competências que tem de acontecer ao nível das actuais câmaras municipais, incluindo provavelmente a sua extinção tal como hoje as conhecemos.
É nestes temas que se deve centrar o debate.
Perder tempo a discutir se devem ser 5 ou 7 regiões, perder energia a discutir se Castro d'Aire deve pertencer a Viseu ou ao Porto, indo buscar argumentos do tempo de D. Dinis, é desviar as atenções dos temas realmente imperativos, e constitui também um argumento forte que é dado, de mão beijada, a todos os que se opõem a esta medida tão necessária para Portugal.
Aliás foi nesta armadilha que caiu o anterior referendo. A ideia que queriam impor ao país era criar uma "coisa" supra-municipal, que iria, não se sabe ainda hoje muito bem como, coordenar projectos intermunicipais.
Seria uma espécie de upgrade às actuais CCDR. Os eleitores perceberam imediatamente que o objectivo era acima de tudo engordar mais ainda a actual intrincada e ineficiente teia administrativa, criar mais cargos, mais decisores, sobrecarregando o já pesado fardo que os contribuintes carregam.
O que eu defendo é uma regionalização tipo bottom up, ou seja uma que aglutine as competências dispersas pelos 308 concelhos, em 14 estruturas que já existem e toda a gente compreende (os Distritos) e então sim, criar centros de decisão verdadeiramente competentes para gerir com eficiência o território sob a sua jurisdição.
Só assim faz sentido defender a regionalização.
Enquanto não se chegar à ideia que temos de reduzir 308 equipas de governação (a maior parte medíocres e sem competência humana para o cargo) para 14 que aglutinarão os melhores das 308, nenhum português aprovará o que quer que seja, em matéria de regionalização.
Enquanto não se associar eficiência à nova gestão do território, nunca mais se conseguirá "vender" a ideia a ninguém.
A política de desenvolvimento de um país pobre como Portugal, tem de uma vez por todas de abandonar o conceito de dispersão de recursos, que até hoje tem vindo a ser usada por quem dela tira proveito próprio, e adoptar o economicamente mais racional conceito da concentração.
Há um longo caminho a percorrer até atingirmos a organização territorial que permita usar mais eficazmente os parcos recursos financeiros que o país tem, mas se não começarmos já a dar o primeiro passo, nunca mais lá chegaremos.
Deixo mais um tema, em Portugal confundem-se permanentemente os conceitos de cidade e concelho. É certo que existem aberrações neste país nas quais o concelho tem o tamanho da cidade, e nesses a confusão está justificada. O problema mais grave reside no entanto nos outros concelhos. É que a falta de preparação dos 308 autarcas, confundindo os conceitos de cidade e concelho fez com que quase todos eles estejam a ser geridos como se fossem cidades, sendo tarefa prioritária para esses autarcas, urbanizar as partes das suas "cidades" que ainda se encontram cobertas de "mato e silvas".
Exemplos? Dou alguns que conheço bem e por ordem arbitária: Paços de Ferreira, Valongo, Maia, Matosinhos, Paredes, Penafiel, Felgueiras, Braga, Espinho, Vila Nova de Gaia, Baião, Marco de Canaveses, Amarante e muitos outros.
domingo, outubro 11, 2009
eleições na Lusitânia
Na Lusitânia, o país tem um esquema de gestão administrativa, bastante diferente.
Onde em Portugal existem 208 Câmaras Municipais, cada uma com um mini-governo formado pelos vereadores eleitos, na Lusitânia existem os chamados Distritos. E são 14 ao todo no território continental que é onde se baseia esta comparação. Não existem portanto 208 eleições, existem apenas 14.
Outra diferença básica que existe entre os dois países é o conceito de cidade.
Em Portugal a excessiva fragmentação do território em parcelas demograficamente insuficientes, associado à escandalosa falta de preparação técnica da grande maioria dos autarcas que governam esses concelhos, produziu o efeito perverso de cada concelho se ir lentamente transformando numa gigantesca mancha urbana, cheia de estradas que se transformam em ruas, de aglomerados disformes e sem contornos definidos.
Na Lusitânia a primeira coisa que foi realizada foi a delimitação geográfica de cada cidade. Quando por acumulação de erros do passado, alguma cidade se encontrava como que fundida com outra vizinha, procedeu-se à respectiva unificação, e atribuição de uma só equipa de gestão. O esquema é o seguinte: em cada eleição para o governo Distrital (14 eleições), o povo escolhe quem irá governar o Distrito nos próximos 6 anos. O governo eleito em cada um dos distritos, nomeia para cada cidade o Alcaide. Este Alcaide apenas tem por competência gerir o que existe na cidade. Conservar monumentos e património municipal, ruas, cuidar dos parques e jardins limpeza urbana, iluminação, e pouco mais.
Tudo o resto é gerido e decidido pelo governo Distrital (conforme já descrevi no capitulo Ordenamento do Território).
O governo Distrital define a politica de segurança, a politica de transportes, a politica educativa, a politica de saúde e a politica de defesa do ambiente e conservação da natureza.
Acima do governo distrital existe obviamente o governo central.
E para este há eleições próprias, obviamente. No entanto há uma pequena grande diferença em relação a Portugal, é que só pode ser eleito para presidente do governo nacional uma das equipas que passou já por um dos 14 governos distritais. E esta eleição é feita de modo a que os eleitores de um determinado distrito só podem votar nos candidatos dos outros distritos e nunca no seu próprio.
Outra diferença que existe é a abolição do actual cargo de presidente da republica. As suas funções de equilíbrio e de fiscalização constitucional do funcionamento do governo passam a ser desempenhadas pelo chamado Senado e que é constituído por representantes de cada Distrito Nacional.
Quando em Portugal, se fala em regionalização, as vozes contra argumentam sempre com o fantasma da criação de mais uns tachos, de mais burocracia ou de mais contra-poderes. O que se passou na Lusitânia com a reforma, foi precisamente o contrário. Concentrou-se a capacidade técnica de decidir, a competência de planear, em 14 equipas governativas. Acabaram-se com centros de pseudo-decisão que apenas serviam para pactuar com actos de corrupção, para alimentar clientelas de construtores civis. As cidades passaram a ser geridas como aglomerados populacionais organizados. Com limites para o seu crescimento. Sem hipoteses de manter a incontrolável explosão de urbanização em que o país se estava a afogar.
As poupanças em dinheiro gasto foram enormes. Aliás é lógico que quando se reduzem 208 unidades de gestão para apenas 14, os ganhos de produtividade sobem exponencialmente.
Este país agora está organizado. Está preparado para existir durante o próximo milénio.
segunda-feira, setembro 07, 2009
as doenças de portugal
Soluções para isto? Há muitas e algumas tão simples que de certeza que resultariam. Exemplo? Porque não impor aos Municípios a obrigatoriedade de pelo menos 1/3 do seu território ficar com coberto florestal? Sabiam que em Vagos a própria autarquia cedeu terrenos seus para construção de mais um mega empreendimento turístico? Quando o próprio Estado se comporta assim como se há-de salvar o país?
Aplicando esta simples regra, entendida por todos e muito facilmente fiscalizável (novas tecnologias de captação de imagem via satélite) que poderia ser prejudicado? A resposta vem dar à segunda doença de Portugal.
Portugal tem também uma grave doença oncológica no seu sector económico. Na base de todos os problemas nacionais está a subordinação sistemática das opções estratégicas de desenvolvimento, às decisões das grandes empresas (ver PSI 20). Foram a Brisa, as construtoras (Soares da Costa, Mota-Engil e Teixeira Duarte) e os bancos que traçaram o Plano Rodoviário Nacional, os planos do TGV, as obras nos aeroportos, os planos das grandes obras públicas (os estádios, os hospitais, etc). Nenhuma destas obras foi decidida a pensar nas populações, no desenvolvimento sustentado do país.
Foi a Sonae e a Jerónimo Martins mais as papeleiras e os bancos que decidiram a morte da produção agrícola nacional e que traçaram o destino das florestas portuguesas e dos respectivos ciclos de incêndios.
A Galp e a EDP e os bancos decidiram a estratégia energética nacional, ou melhor dizendo a crónica ausência dela.
A PT e os bancos decidiram a TV Digital Terrestre, e os timings para implementação da banda larga em todo o país.
E mesmo quando não são empresas a decidir, vêm as ordens e as associações do sector opinar (leia-se ordenar) como se deve fazer para não as beliscar. Vejam-se os comportamentos da Associação Nacional de Farmácias (que mandou despedir o Ministro), da Ordem dos Médicos que tudo faz para manter vivo e bem vivo o programa de combate às listas de espera, ou os sindicatos dos professores que são sempre a favor de um programa de avaliação mas nunca do que está a ser executado.
Com um bocado de reflexão veremos que tudo o que teve e tem interesse estratégico para o desenvolvimento do país, acabou e acaba sempre, por ser aprovado directa ou indirectamente por corporações mais ou menos privadas. Por grandes empresas. Por empresas e corporações que sempre (desde o tempo de Salazar, algumas) decidiram o rumo do país.
Não gosto de teorias de conspiração mas esta merece de facto profunda reflexão!
No entanto, também para isto há solução. Simples e aplicável como a outra.
Qual? É muito fácil. Abram o país à concorrência! Deixem que a Europa e o mundo entrem em Portugal. Acabem com as golden shares. Enterrem de vez a cantiga da protecção aos centros de decisão nacionais que é apenas uma farsa para esconder a submissão do estado aos interesses dos PSI 20. Com concorrentes de peso a morder-lhes os calcanhares e sem a protecção sempre presente do Estado, quem ganha em última instância são as populações e as boas opções para o desenvolvimento do país.
terça-feira, junho 16, 2009
Uma pergunta ao PSD
O que se passou entre 2005 e 2008, que fez mudar tão completamente de opinião os lideres deste partido, em relação ao TGV?
Será que o TGV de 2005 era mais barato e não implicava o endividamento brutal que vai hipotecar o futuro das gerações futuras?
Será que foi a crise financeira de 2008 que fez com que a obra deva ser adiada por um dois anos e depois veja de novo a luz verde, preferencialmente dada por um governo laranja?
Estará o partido contra a obra pensando-a numa estratégia de longo prazo para o país (como aconselhou o Presidente Cavaco Silva) ou é só o momento actual que é inoportuno para o lançamento da obra?
São contra em qualquer circunstância ou daqui por uns tempos voltam a ser a favor?
Convinha esclarecer o país sobre isto.
Até agora sabe-se apenas que mudaram de opinião mas quem garantirá que este partido não mudará de opinião outra vez lá para o final do ano?
São estas opções que dão ou retiram credibilidade aos partidos políticos.
sexta-feira, maio 29, 2009
o anúncio obsceno da EDP
Projectando barragens estamos a contribuir para a preservação de espécies em perigo.
É mais ou menos isto que pretendem vender.
E não deixa de ser fantástico que tenham coragem para lançar esta colagem para cima do país. Certamente que muitos dos portugueses até a aceitam.
Eu acho-a obscena!
Quem perceber alguma coisa de ecossistemas, de bio-diversidade e de biologia aquática, não pode pensar de outra maneira.
Valorizo bastante vários projectos que a EDP tem apoiado e que efectivamente ajudam a preservar espécies em risco. Falo dos projectos financiados pela EDP na área da protecção das cegonhas, das aves de rapina, dos lobos e dos morcegos. Mas considero que esta nova ideia de associar a construção de barragens a estas iniciativas é totalmente imprópria de uma instituição que quer ser levada a sério pela comunidade científica nacional.
Dias Loureiro e outras pessoas muito sérias
Ao primeiro sinal de alarme, é logo marcar conferências de imprensa em horário nobre, para propagar alto e em bom som que o seu bom nome, se equipara sem grandes distâncias ao das mais puras figuras públicas da história. Estão ali entre Gandhi e Luther King (se forem homens), ou entre a Rainha Santa Isabel e a Madre Teresa de Calcutá (para o caso feminino).
O caso de Dias Loureiro é só mais um. A lista é cada vez mais longa. A perder de vista.
O que tem este de particularmente diferente? Nada.
Apenas uma nota que ainda não vi exposta. Vem hoje publicado no Diário de Noticias, que este caso BPN, onde está mergulhado o ainda Conselheiro de Estado, envolve um total de 8 off-shores que serviam para em sucessivas transferências de dinheiro, fazer "evaporar" cerca de 40 milhões de euros.
Creio ser unânimemente aceite que é exactamente para isso que servem esses veículos financeiros, como agora se chamam. Aliás, para isso e também para fugir ao fisco. Conjugando essas duas componentes, concluo que se trata de organizações pouco próprias para homens sérios.
Agora eu gostava que de perguntar: Poderá um homem sério, envolver-se num negócio (seja ele qual for) que meta pelo meio uma off-shore, e esperar que a sua imagem permaneça imaculadamente limpa se e quando esse negócio for tornado público?
Não será exigir demais dos portugueses, que para além de serem roubados em 40 milhões de euros, lhe continuem também a manter a imagem de homem sério?
Não se pode ficar com tudo. Senhores, homens sérios! Não queiram ficar com tudo! Os milhões já todos sabemos que são irrecuperáveis. A punição para os responsáveis pelo roubo, também está bastante comprometida. Restará aos portugueses mais algum beneficio para além de poderem brincar com mais este nome sério, no pantâno de homens sérios em que se tornou este país?
Outra pergunta: Quando alguem sabe que um homem sério fez um negócio envolvendo uma ou oito off-shore, deve manter nele a sua total confiança?
Reparem que para fazer estas perguntas, não é necessário esperar por resultados de inquéritos, ou de comissões, ou de processos de investigação.
quarta-feira, abril 15, 2009
Linguagem corporal no caso BPN
Falo particularmente dos indivíduos rotulados como sendo accionistas de referência, ou até mesmo membros ou ex-membros da administração do banco. Essa imagem que eles, certamente de forma involuntária, passam para a opinião pública só pode encontrar justificação num facto: estão
tranquilos porque o saldo que eles fazem desta "aventura" deve-lhes ter sido claramente favorável. Por palavras mais simples, o que sacaram foi certamente superior ao que perderam
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Enviada a partir do meu dispositivo móvel
sexta-feira, junho 27, 2008
as obras
Quem fala destas coisas em portugal, fá-lo essencialmente para defender os seus interesses, como é tradição neste país tão sui generis, e se no caso recente do PSD (via a nova chefe, Ferreira Leite) o interesse é meramente o de tentar mostrar diferenças face ao PS, seu irmão gémeo, no caso de outros cidadãos esse interesse é mais escondido. Penso que ninguem duvida que se as posições fossem alternadas (poder-oposição) o discurso de uns e a prática dos outros era exactamente igual, porque entre os dois partidos só mesmo a letra D os separa.
Chamo agora ao texto o senhor engenheiro Fernando Santo, Bastonário da Ordem dos Engenheiros, que na edição de 26 de Junho 2008 do Diário de Notícias, vem revelar-se contra o investimento em novas estradas e incondicionalmente a favor do investimento na ferrovia.
Ora bem, salvo opinião em contrário o Sr Eng, como Bastonário, defende os interesses da sua classe e creio que é legítimo concluir que ao defende-los, inclui no seu espectro todo o sector essencial à sua subsistência, ou seja o sector das empresas de construção civil e obras públicas.
Podemos então concluir que o sector das obras prefere a ferrovia à rodovia! Esta é, sem dúvida, uma afirmação surpreendente vinda deste sector, e acima de tudo vem confirmar o que escrevi no inicio do post, quando falei no país sui generis em que cada um defende o seu quadrado e está-se nas tintas para portugal.
Porquê?
Se o Sr Bastonário estivesse realmente interessado no progresso, teria de fazer o seu raciocinio com determinados conceitos bem presentes:
a) o país, bem ou mal (na minha opinião foi bastante mal), optou desde há muitos anos pelo transporte rodoviário. Foi desmantelando e desinvestindo sistematicamente nas linhas, no equipamento circulante, nas estações, etc. Ao mesmo tempo em que gastava os 70% de fundos europeus para o sector dos transportes em estradas, ao ponto de termos hoje as melhores da Europa. Portanto decidimos ter estradas boas.
b) todos sabemos que quem decide o rumo que o país deve seguir, são os governos e os seus elementos e também todos sabemos das ligações "perigosas" do poder político aos lóbis, que leva a que quase sempre as decisões que são tomadas não sejam as melhores para o país mas antes as melhores para quem as "encomendou". Neste esquema "sujo" é aceite por toda a gente que as obras públicas são o grande mercado e que as respectivas empresas estão sempre no topo da pirâmide do poder. Falando de empresas de construção de obras públicas e como elas não existem sem pessoas, temos de falar objectivamente na classe dos Engenheiros que são na verdade quem vive da prosperidade dessas empresas. Ora recordo quem quem falou ao DN foi o bastonário da Ordem dos Engenheiros.
Portanto quem decidiu ter estradas boas, foram as empresas que as iam construir.
Em resumo podemos afirmar que durante 20 anos, os Engenheiros deste país decidiram que deviamos gastar 70% do dinheiro destinado ao sector dos transportes, a construir estradas.
Em 2008 aparece nos jornais um senhor a criticar essa opção (também critica os 10 estádios do euro 2004! dizendo que deviam ter sido menos), envolto na candura de quem chegou hoje ao país, após uma viagem de 20 anos pelo cosmos, e descartando a responsabilidade que a sua classe teve nessas decisões.
É cómico. Para ele, o poder político é livre e independente, não sofrendo influências de lóbis ou grupos de pressão. Como disse antes o Senhor Bastonário deve ter chegado hoje ao país.
Na Lusitânia, se algum dia chegassemos à conclusão que tinhamos errado numa decisão estratégica deste tipo, a palavra chave teria de ser: RENTABILIZAR.
O país tem de rentabilizar ao máximo a opção que tomou e não voltar-se para trás e gastar de novo biliões de euros na criação de toda uma nova rede de transportes, alternativos aos triliões que já gastou na outra alternativa.
Por vezes (e creio que esta é uma delas) é preferivel assumir as opções menos felizes e seguir em frente, em vez de fazer como as crianças que brincam com os Legos e que quando se aborrecem podem sempre destruir as construções que fizeram e começar outra nova.
Na realidade, o que o Senhor Bastonário mostrou na entrevista que deu ao DN é que a classe dos Engenheiros continua atenta ao mercado e que chegou à conclusão que está na hora de desviar os euros da EU, que pingavam no bolso direito, para o bolso esquerdo. Custos elevados para o erário público?, Interesse Nacional? isso é noutro filme...
quarta-feira, junho 04, 2008
soluções rápidas para os problemas mais actuais
- Simples: 1. permitam que se criem empresas distribuidoras de produtos refinados que tenham possibilidade de negociar (leia-se comprar) o produto directamente em qualquer refinaria europeia. Caso a primeira medida não seja suficiente: 2. Crie-se ao nível da UE um imposto único europeu sobre produtos petrolíferos, que será para uso exclusivo no financiamento de projectos de investigação de novas e sustentadas formas de produção de energia.
Equilibrio das contas públicas?
- Utilizem os 12 mil milhões de euros que vai custar o TGV (e se for necessário e possível, cancelem também o aeroporto) para negociar com os funcionários públicos que estão a mais, a respectiva rescisão do contrato. Já alguem sugeriu a venda das reservas nacionais de ouro para o mesmo efeito, mas julgo que o TGV constituirá um passivo muito maior para o país, pelo que numa medida só, o Estado poupava na despesa dita rígida (funcionários a mais) e ao mesmo tempo evitava o buraco que mais este elefante branco vai representar nos cofres do Estado. (o que não é rentável dá sempre prejuizo).
quarta-feira, abril 16, 2008
as grilhetas
No que ao ambiente interessa, essas grilhetas têm por vezes a necessidade de ser remodeladas, para se irem adaptando às novas regras que nos chegam da União Europeia.
Recentemente uma dessas regras (A Directiva Quadro da Água) atirou-nos com nova instrução: a gestão dos recursos hídricos tem de ser realizada por intermédio de órgãos próprios, que sejam capazes de os gerir autonomamente e defendendo o uso racional do recurso água. Em portugal chamaram a estes organismos - ARH, Administrações de Região Hidrográfica.
Parte desta gestão prende-se com as utilizações da água, que a nova Directiva passou a chamar, e bem, de pressões. Ora poder arbitrar que se deve utilizar água para uns fins e não para outros gerou na cabeça de quem realmente manda no país, um sinal de alerta! - "Temos que ter cuidado na transposição dessa ideia porque podemos ser prejudicados".
Foi então accionado o plano a que eu chamo "Humphrey" em homenagem a um personagem notável de uma série antiga da BBC. Em que consiste este plano?
Basicamente trata-se de criar essa estrutura alicerçada numa intrincada dependência dos seus próprios objectos de regulação, ou seja dos utilizadores da água. Seja através de estrangulamentos financeiros, seja por falta de meios técnicos para desempenhar bem as suas funções o que interessa é que essa nova entidade não venha perturbar o equilíbrio instituído.
Tem sido este o enquadramento de todos os organismos portugueses que tratam das coisas do ambiente. Sejam eles o ex.ICN, ou o ICNB, o INAG e as ex.DRAOT, o ex.IA ou a APA.
Em todos eles se aplicou a grilheta dos meios. Sem meios não chateiam ninguém.
Com as recém criadas ARH, a asfixia financeira está a ser tão forte que todas as atenções se voltaram para o chamado Regime Económico e Financeiro relativo ao uso da água. Ou seja as instituições só sobrevivem se obtiverem receita e só têm receita de autorizarem usos na água.
Um dos usos que paga mais são as hidroeléctricas (o outro são as empresas que fornecem água às autarquias ou equiparadas), pelo que a tentação de autorizar tudo, vai ser muito grande.
Mas o que pode uma instituição pública com meia dúzia de técnicos e sem dinheiro, fazer contra os superiores interesses de uma PSI20 na construção uma barragem em qualquer rio?
Portugal sempre foi gerido a partir dos gabinetes de uma dúzia de empresas e por muito que a União Europeia queira e insista, os governos que vão aparecendo, mais não fazem que cumprir as ordens dessas empresas, que os premeiam no fim dos mandatos, contratando quem fez um bom serviço.
Se somarmos isto, à crónica cultura de monopólios que herdamos do Dr. Salazar, temos o quadro completo, de um país adiado, agrilhoado aos interesses de uns poucos que o gerem ao sabor dos relatórios de contas, e que prestam contas apenas aos seus accionistas.
Por causa disto é que a electricidade, os combustíveis, as telecomunicações, e quase todos os outros factores de produção são mais caros em portugal do que nos outros países europeus. Portugal não é competitivo, não tem boa produtividade devido a isto.
A treta que nos impingem todas as noites acerca do peso da administração pública, o peso dos salários, a baixa produtividade do trabalhador português, serve apenas para que se desvie a atenção deste status quo.
Tudo isto encaixa com a lógica precisa de um puzzle.
Já li em vários lugares que este país, na realidade pode ser dividido em 2. O país do PSI20 e o resto, que mais não serve senão para fornecer recursos (leia-se, naturais e humanos) para o Grande Esquema de desenvolvimento que essas empresas traçaram.
quarta-feira, outubro 10, 2007
Estão a ver...
A Comissão Europeia vai investir 940 milhões de euros na pesquisa e no desenvolvimento de carros a hidrogénio. Este programa vai ser financiado, em 50%, pela Royal Dutch Shell e pela Bayerische Motoren Werke (BMW), e os restantes 50% pela UE ao longo dos próximos seis anos.
O comissário europeu para a Ciência e a Investigação, Janez Potocnik, anunciou esta manhã, que a CE vai investir 940 milhões de euros para incentivar o desenvolvimento de carros a hidrogénio. Este programa "é o início de um mudança real" e vai ajudar a "colocar estas tecnologias no mercado", afirmou Potocnik.
Quando usado como combustível, o hidrogénio não produz poluentes como o dióxido de carbono. Com este programa, a UE espera reduzir as emissões poluentes e diversificar as fontes de energia.
Este programa é financiado, em 50%, por empresas e a outra metade pela UE, durante os próximos seis anos.Até agora apenas a petrolífera Royal Dutch Shell e a fabricante de automóveis BMW estão confirmadas como financiadoras.
quinta-feira, outubro 04, 2007
o mau caminho
Vou dar aqui, neste escondido blog, uma novidade ao senhor ministro do ambiente, ao ministro da economia e ao primeiro ministro: A energia hidrica não é verdadeiramente renovável.
Ser renovável significa que não destroi recursos, não extingue partes do sistema onde se insere.
Pensem nisso um bocadinho...
Para além desta importante contra-indicação da energia hidroeléctrica (tal como vai ser implementada), debate-se também na reforma energética para a nova Lusitânia, a questão de esta forma de produção de energia ser tecnologicamente retrogada e ultrapassada. Nada na sua tecnologia é novo. Nada há a inventar. Nada há que permita criar valor intelectual para o país.
Ao invés dela, a energia das ondas, a solar e a eólica conjugadas entre si como ferramentas para produzir sustentavelmente o HIDROGÉNIO, são os territórios "quase virgens" na descoberta de novos paradigmas energéticos. É aí que está a inovação! Aí está o futuro!
Imagine-se o que um país como o nosso poderia ganhar se se tornasse o número 1 destas formas de produção de energia! O dominador! O dono das patentes! O controlador do Know-How!
Mais uma vez os nossos governantes mostram a sua pequenez, a sua falta de ambição!
Querem hidricas para cumprir o Quioto. Limitam-se a cumprir uma espécie de "Mínimos Olímpicos". Satisfazem-se em ter 10 neste exame, que tantas implicações poderia ter no futuro da nação...
O que nos vale a nós, habitantes deste território mal gerido, é que a mudança está para chegar!
A fundação da nova Nação Lusitânia, irá mudar a mentalidade de todos, tal como a luz do sol transforma a uva verde, no nectar dos Deuses!
sexta-feira, abril 06, 2007
o benfica
O que pretendiam eles alcançar com esta jogada?
Pretendiam demonstrar que o slb não deve ceder bilhetes aos clubes rivais porque eles portam-se mal, criam problemas e tudo corre melhor se no seu estádio só existirem adeptos do seu clube. O unanimismo garantirá a paz e a tranqüilidade pra todos. E assim é que o desporto deve ser, na cabeça dos seus dirigentes. Cumprindo este desígnio, o seu presidente já está a trabalhar na 2a parte do plano. Já ameaçou não ceder bilhetes ao sporting para o próximo derbi da capital. Ainda esboçaram um tentativa de interditar o estádio do dragão como punição para o mau comportamento da claque no estádio da luz. Tudo vale para atingir os seus objectivos.
O presidente do slb merece aliás uma análise mais profunda. Esse senhor é de facto um caso de estudo nesta sociedade. Ele já afirmou não receber lições de justiça, de ninguém. Já afirmou não receber lições de ética, de ninguém. Agora no decorrer de mais este caso, afirmou não receber lições de segurança da comissária da psp. Estamos portanto perante 2 hipótes que importa estudar: ou de facto ele é uma sumidade que o país está a desperdiçar completamente ao dar-lhe apenas o cargo de presidente de um clube desportivo, ou então trata-se de um mero disco riscado que ele engoliu ou que alguém o fez engolir. Em qualquer das hipóteses, o que importa reforçar é que este clube sempre conviveu mal com adversários e particularmente com adversários com potencial para lhe ganhar jogos. Aliás recordando a história desse clube, facilmente veremos que o seu período áureo, coincidiu com o de um regime político que também tinha esse problema. Também conviva muito mal com qualquer adversário que lhe aparecesse pela frente, e de certo concordaria de pronto em decretar que no estádio da luz apenas poderão entrar adeptos de clubes que logo à partida se comprometam por escrito prestar a devida vassalagem ao "glorioso sport lisboa e benfica".
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
O crime não pode compensar
A sociedade portuguesa tem usado sistematicamente a degradação e a desqualificação dos recursos hídricos como pretexto para viabilizar todos os projectos que decida executar. O primeiro passo é poluir os cursos de água, destruir as margens e os ecossistemas associados, depois artificializá-lo o mais possível construindo muros nas margens, entubamentos e desvios do leito. Por fim quando pouco mais resta ao Ribeiro do que alguns troços a céu aberto e altamente contaminados (como é o presente caso), evoca-se a saúde pública para colocar a lápide final.
“Aqui correu em tempos um Ribeiro, depois uma linha de drenagem topográfica e finalmente um esgoto a céu aberto, mas nós graças a este magnifico empreendimento conseguimos finalmente fazer desaparecer esse empecilho à modernidade e declaramos que ele deixou de existir.” De forma sucinta é este o argumento utilizado, uma vez mais, neste projecto de Centro Comercial.
Não deixa de ser irónico como acabam por ser os sucessivos atentados a que são sujeitos os cursos de água portugueses, a razão final para justificar seu destino final. São o início e o fim do ciclo de destruição a que assistimos. O que custa mais é o primeiro passo. Depois dele, como já se desvalorizou o seu carácter natural, os posteriores atentados já são encarados com mais brandura, e quando finalmente ele chega a um estado “comatoso”, surge um empreendimento qualquer que se propõe “generosamente” a praticar a “eutanásia” final.
Toda esta justificação é meramente filosófica, porque a maneira com os projectos são apresentados e justificados, levam a discussão precisamente para esse campo. Não podemos punir o último infractor quando deixamos incólume o primeiro e o segundo e o terceiro. E se virmos bem, se calhar o actual Ribeiro da Longra, tal com o da Nassica, e outros, já nem são recuperáveis, portanto até nem se perde grande valor. Só que o problema é precisamente este tipo de raciocínio. É com este tipo de conclusão circular, que a sociedade se pretende auto-desculpar.
terça-feira, fevereiro 20, 2007
Apitos
- Os sucessivos mandatos de Pinto da Costa na direcção do FC Porto, não engrandeceram apenas as vitrinas do museu de troféus, dedicadas ao desporto rei. Durante a sua gestão, o FC Porto tornou-se melhor clube de Hóquei, melhor clube de Basquetebol, melhor clube de Andebol, conquistou provas de Atletismo, de Voleibol (entretanto extinto), e até de bilhar. No hóquei transformou-se numa potência europeia. A gestão foi portanto de natureza ecléctica e abrangente. Como explicar este fenómeno? À luz do apito dourado, provavelmente (dirão os inimigos) a receita teria sido a mesma e terão sido os métodos de aliciamento de árbitros, dirigentes e agora até atletas. Para quem tem os pés assentes da terra, não me parece que tal tenha acontecido. A ter sido assim, estaríamos perante não um polvo mas talvez uma centopeia. Uma centopeia de dimensões bíblicas que de certo só existirá nos pesadelos recorrentes dos adversários do FC Porto.
- O domínio exercido pela equipa de futebol nas competições nacionais, teve também enormes consequências no perfil internacional do clube. Como se sabe, à semelhança de outros períodos em que a predominância pertenceu a outros emblemas, o palmarés europeu e mundial do FC Porto cresceu. E cresceu tanto, que durante este período de tempo, o FC Porto se transformou no melhor clube português. Terão todas essas conquistas internacionais sido também obtidas de forma ilegal? Deverão ser investigadas? Se assim for, teremos de abrir inquérito aos títulos europeus do Benfica em 61 e 62? Não serão esses títulos internacionais (agora do FC Porto e dantes do Benfica e do Sporting) o melhor atestado possível para a qualidade de uma equipa de futebol? e se assim for, não seria normal, que essa qualidade permitisse acumular vitórias nas competições internas?
- Recentemente, um treinador de top do futebol mundial, afirmou que a melhor equipa que treinou foi o FC Porto da época de 2002/2003. Nesse ano, esse treinador e essa equipa, ganharam o campeonato português, a supertaça portuguesa e a taça UEFA. Esse treinador é José Mourinho, que uma época depois ganhou mais um campeonato, uma taça de Portugal, outra supertaça e a Liga dos Campeões. Logo que saiu do FC Porto, Mourinho foi proclamado por todos "especialistas" como o melhor treinador do mundo e o melhor de sempre do futebol nacional. Ora neste cenário, como é que pode ser verosímil, que se estejam a investigar jogos, precisamente da época 2002/2003? Fará algum sentido que a direcção do FC Porto tenha feito alguma manobra ilegal, precisamente nessa época?
- À medida que se constroi uma entidade, seja um clube de futebol, uma empresa ou uma organização, mais precioso se torna o património construído, ou no caso de um clube, o património conquistado. Nenhum clube português conquistou tanto em tão pouco tempo como este FC Porto, arquitectado pela direcção de Pinto da Costa e com toda a certeza, ele mais do que nenhum outro homem em Portugal, sabe o valor específico de cada vitória, de cada troféu e de cada conquista. Fará algum sentido arriscar tudo isto com jogos de bastidores que configuram um comportamento quase infantil, confiando nas informações que o segredo de justiça nos tem apresentado?
Falando por mim garanto, se isso vier a acontecer, nunca mais acompanharei nenhum evento desportivo que tenha lugar neste país.
sexta-feira, janeiro 12, 2007
portagens
Por mais que pense na resposta não a consigo encontrar.
Porque é que o automóvel há-de ser privilegiado em relação ao todos os outros meios de transporte?
Não há comboios grátis e comboios pagos, pois não?
Não há autocarros grátis e autocarros pagos. Não há vôos comerciais grátis e vôos pagos?
Então porque raio é que o automóvel tem de ter obrigatoriamente uma alternativa grátis para ir para o mesmo sítio.
Creio que se trata de mais uma adulação ao Deus do automóvel, sem o mínimo de racionalidade. O português adora o automóvel tal maneira que cria coisas destas e obedece-lhes sem nunca questionar o porquê.
Por existirem salas de cinema comercial (Lusomundo, Castelo Lopes ou Medeia) terá o Estado Português a obrigatoriedade de proporcionar aos seus cidadão a alternativa de ir assistir aos mesmos filmes (embora em salas mais fraquinhas)?
Em nenhuma actividade essa obrigação existe. Mas tratando-se do Deus automóvel, é lógico perante todos que isso tenha de acontecer.
Mas porque carga de água?
Pergunto eu...
O relatório avisa ainda que caso Portugal concretize todas os dez aproveitamentos hidroeléctricos previstos no