sexta-feira, maio 29, 2009
Dias Loureiro e outras pessoas muito sérias
Ao primeiro sinal de alarme, é logo marcar conferências de imprensa em horário nobre, para propagar alto e em bom som que o seu bom nome, se equipara sem grandes distâncias ao das mais puras figuras públicas da história. Estão ali entre Gandhi e Luther King (se forem homens), ou entre a Rainha Santa Isabel e a Madre Teresa de Calcutá (para o caso feminino).
O caso de Dias Loureiro é só mais um. A lista é cada vez mais longa. A perder de vista.
O que tem este de particularmente diferente? Nada.
Apenas uma nota que ainda não vi exposta. Vem hoje publicado no Diário de Noticias, que este caso BPN, onde está mergulhado o ainda Conselheiro de Estado, envolve um total de 8 off-shores que serviam para em sucessivas transferências de dinheiro, fazer "evaporar" cerca de 40 milhões de euros.
Creio ser unânimemente aceite que é exactamente para isso que servem esses veículos financeiros, como agora se chamam. Aliás, para isso e também para fugir ao fisco. Conjugando essas duas componentes, concluo que se trata de organizações pouco próprias para homens sérios.
Agora eu gostava que de perguntar: Poderá um homem sério, envolver-se num negócio (seja ele qual for) que meta pelo meio uma off-shore, e esperar que a sua imagem permaneça imaculadamente limpa se e quando esse negócio for tornado público?
Não será exigir demais dos portugueses, que para além de serem roubados em 40 milhões de euros, lhe continuem também a manter a imagem de homem sério?
Não se pode ficar com tudo. Senhores, homens sérios! Não queiram ficar com tudo! Os milhões já todos sabemos que são irrecuperáveis. A punição para os responsáveis pelo roubo, também está bastante comprometida. Restará aos portugueses mais algum beneficio para além de poderem brincar com mais este nome sério, no pantâno de homens sérios em que se tornou este país?
Outra pergunta: Quando alguem sabe que um homem sério fez um negócio envolvendo uma ou oito off-shore, deve manter nele a sua total confiança?
Reparem que para fazer estas perguntas, não é necessário esperar por resultados de inquéritos, ou de comissões, ou de processos de investigação.
quarta-feira, abril 15, 2009
Linguagem corporal no caso BPN
Falo particularmente dos indivíduos rotulados como sendo accionistas de referência, ou até mesmo membros ou ex-membros da administração do banco. Essa imagem que eles, certamente de forma involuntária, passam para a opinião pública só pode encontrar justificação num facto: estão
tranquilos porque o saldo que eles fazem desta "aventura" deve-lhes ter sido claramente favorável. Por palavras mais simples, o que sacaram foi certamente superior ao que perderam
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Enviada a partir do meu dispositivo móvel
sexta-feira, junho 27, 2008
as obras
Quem fala destas coisas em portugal, fá-lo essencialmente para defender os seus interesses, como é tradição neste país tão sui generis, e se no caso recente do PSD (via a nova chefe, Ferreira Leite) o interesse é meramente o de tentar mostrar diferenças face ao PS, seu irmão gémeo, no caso de outros cidadãos esse interesse é mais escondido. Penso que ninguem duvida que se as posições fossem alternadas (poder-oposição) o discurso de uns e a prática dos outros era exactamente igual, porque entre os dois partidos só mesmo a letra D os separa.
Chamo agora ao texto o senhor engenheiro Fernando Santo, Bastonário da Ordem dos Engenheiros, que na edição de 26 de Junho 2008 do Diário de Notícias, vem revelar-se contra o investimento em novas estradas e incondicionalmente a favor do investimento na ferrovia.
Ora bem, salvo opinião em contrário o Sr Eng, como Bastonário, defende os interesses da sua classe e creio que é legítimo concluir que ao defende-los, inclui no seu espectro todo o sector essencial à sua subsistência, ou seja o sector das empresas de construção civil e obras públicas.
Podemos então concluir que o sector das obras prefere a ferrovia à rodovia! Esta é, sem dúvida, uma afirmação surpreendente vinda deste sector, e acima de tudo vem confirmar o que escrevi no inicio do post, quando falei no país sui generis em que cada um defende o seu quadrado e está-se nas tintas para portugal.
Porquê?
Se o Sr Bastonário estivesse realmente interessado no progresso, teria de fazer o seu raciocinio com determinados conceitos bem presentes:
a) o país, bem ou mal (na minha opinião foi bastante mal), optou desde há muitos anos pelo transporte rodoviário. Foi desmantelando e desinvestindo sistematicamente nas linhas, no equipamento circulante, nas estações, etc. Ao mesmo tempo em que gastava os 70% de fundos europeus para o sector dos transportes em estradas, ao ponto de termos hoje as melhores da Europa. Portanto decidimos ter estradas boas.
b) todos sabemos que quem decide o rumo que o país deve seguir, são os governos e os seus elementos e também todos sabemos das ligações "perigosas" do poder político aos lóbis, que leva a que quase sempre as decisões que são tomadas não sejam as melhores para o país mas antes as melhores para quem as "encomendou". Neste esquema "sujo" é aceite por toda a gente que as obras públicas são o grande mercado e que as respectivas empresas estão sempre no topo da pirâmide do poder. Falando de empresas de construção de obras públicas e como elas não existem sem pessoas, temos de falar objectivamente na classe dos Engenheiros que são na verdade quem vive da prosperidade dessas empresas. Ora recordo quem quem falou ao DN foi o bastonário da Ordem dos Engenheiros.
Portanto quem decidiu ter estradas boas, foram as empresas que as iam construir.
Em resumo podemos afirmar que durante 20 anos, os Engenheiros deste país decidiram que deviamos gastar 70% do dinheiro destinado ao sector dos transportes, a construir estradas.
Em 2008 aparece nos jornais um senhor a criticar essa opção (também critica os 10 estádios do euro 2004! dizendo que deviam ter sido menos), envolto na candura de quem chegou hoje ao país, após uma viagem de 20 anos pelo cosmos, e descartando a responsabilidade que a sua classe teve nessas decisões.
É cómico. Para ele, o poder político é livre e independente, não sofrendo influências de lóbis ou grupos de pressão. Como disse antes o Senhor Bastonário deve ter chegado hoje ao país.
Na Lusitânia, se algum dia chegassemos à conclusão que tinhamos errado numa decisão estratégica deste tipo, a palavra chave teria de ser: RENTABILIZAR.
O país tem de rentabilizar ao máximo a opção que tomou e não voltar-se para trás e gastar de novo biliões de euros na criação de toda uma nova rede de transportes, alternativos aos triliões que já gastou na outra alternativa.
Por vezes (e creio que esta é uma delas) é preferivel assumir as opções menos felizes e seguir em frente, em vez de fazer como as crianças que brincam com os Legos e que quando se aborrecem podem sempre destruir as construções que fizeram e começar outra nova.
Na realidade, o que o Senhor Bastonário mostrou na entrevista que deu ao DN é que a classe dos Engenheiros continua atenta ao mercado e que chegou à conclusão que está na hora de desviar os euros da EU, que pingavam no bolso direito, para o bolso esquerdo. Custos elevados para o erário público?, Interesse Nacional? isso é noutro filme...
quarta-feira, junho 04, 2008
soluções rápidas para os problemas mais actuais
- Simples: 1. permitam que se criem empresas distribuidoras de produtos refinados que tenham possibilidade de negociar (leia-se comprar) o produto directamente em qualquer refinaria europeia. Caso a primeira medida não seja suficiente: 2. Crie-se ao nível da UE um imposto único europeu sobre produtos petrolíferos, que será para uso exclusivo no financiamento de projectos de investigação de novas e sustentadas formas de produção de energia.
Equilibrio das contas públicas?
- Utilizem os 12 mil milhões de euros que vai custar o TGV (e se for necessário e possível, cancelem também o aeroporto) para negociar com os funcionários públicos que estão a mais, a respectiva rescisão do contrato. Já alguem sugeriu a venda das reservas nacionais de ouro para o mesmo efeito, mas julgo que o TGV constituirá um passivo muito maior para o país, pelo que numa medida só, o Estado poupava na despesa dita rígida (funcionários a mais) e ao mesmo tempo evitava o buraco que mais este elefante branco vai representar nos cofres do Estado. (o que não é rentável dá sempre prejuizo).
quarta-feira, abril 16, 2008
as grilhetas
No que ao ambiente interessa, essas grilhetas têm por vezes a necessidade de ser remodeladas, para se irem adaptando às novas regras que nos chegam da União Europeia.
Recentemente uma dessas regras (A Directiva Quadro da Água) atirou-nos com nova instrução: a gestão dos recursos hídricos tem de ser realizada por intermédio de órgãos próprios, que sejam capazes de os gerir autonomamente e defendendo o uso racional do recurso água. Em portugal chamaram a estes organismos - ARH, Administrações de Região Hidrográfica.
Parte desta gestão prende-se com as utilizações da água, que a nova Directiva passou a chamar, e bem, de pressões. Ora poder arbitrar que se deve utilizar água para uns fins e não para outros gerou na cabeça de quem realmente manda no país, um sinal de alerta! - "Temos que ter cuidado na transposição dessa ideia porque podemos ser prejudicados".
Foi então accionado o plano a que eu chamo "Humphrey" em homenagem a um personagem notável de uma série antiga da BBC. Em que consiste este plano?
Basicamente trata-se de criar essa estrutura alicerçada numa intrincada dependência dos seus próprios objectos de regulação, ou seja dos utilizadores da água. Seja através de estrangulamentos financeiros, seja por falta de meios técnicos para desempenhar bem as suas funções o que interessa é que essa nova entidade não venha perturbar o equilíbrio instituído.
Tem sido este o enquadramento de todos os organismos portugueses que tratam das coisas do ambiente. Sejam eles o ex.ICN, ou o ICNB, o INAG e as ex.DRAOT, o ex.IA ou a APA.
Em todos eles se aplicou a grilheta dos meios. Sem meios não chateiam ninguém.
Com as recém criadas ARH, a asfixia financeira está a ser tão forte que todas as atenções se voltaram para o chamado Regime Económico e Financeiro relativo ao uso da água. Ou seja as instituições só sobrevivem se obtiverem receita e só têm receita de autorizarem usos na água.
Um dos usos que paga mais são as hidroeléctricas (o outro são as empresas que fornecem água às autarquias ou equiparadas), pelo que a tentação de autorizar tudo, vai ser muito grande.
Mas o que pode uma instituição pública com meia dúzia de técnicos e sem dinheiro, fazer contra os superiores interesses de uma PSI20 na construção uma barragem em qualquer rio?
Portugal sempre foi gerido a partir dos gabinetes de uma dúzia de empresas e por muito que a União Europeia queira e insista, os governos que vão aparecendo, mais não fazem que cumprir as ordens dessas empresas, que os premeiam no fim dos mandatos, contratando quem fez um bom serviço.
Se somarmos isto, à crónica cultura de monopólios que herdamos do Dr. Salazar, temos o quadro completo, de um país adiado, agrilhoado aos interesses de uns poucos que o gerem ao sabor dos relatórios de contas, e que prestam contas apenas aos seus accionistas.
Por causa disto é que a electricidade, os combustíveis, as telecomunicações, e quase todos os outros factores de produção são mais caros em portugal do que nos outros países europeus. Portugal não é competitivo, não tem boa produtividade devido a isto.
A treta que nos impingem todas as noites acerca do peso da administração pública, o peso dos salários, a baixa produtividade do trabalhador português, serve apenas para que se desvie a atenção deste status quo.
Tudo isto encaixa com a lógica precisa de um puzzle.
Já li em vários lugares que este país, na realidade pode ser dividido em 2. O país do PSI20 e o resto, que mais não serve senão para fornecer recursos (leia-se, naturais e humanos) para o Grande Esquema de desenvolvimento que essas empresas traçaram.
quarta-feira, outubro 10, 2007
Estão a ver...
A Comissão Europeia vai investir 940 milhões de euros na pesquisa e no desenvolvimento de carros a hidrogénio. Este programa vai ser financiado, em 50%, pela Royal Dutch Shell e pela Bayerische Motoren Werke (BMW), e os restantes 50% pela UE ao longo dos próximos seis anos.
O comissário europeu para a Ciência e a Investigação, Janez Potocnik, anunciou esta manhã, que a CE vai investir 940 milhões de euros para incentivar o desenvolvimento de carros a hidrogénio. Este programa "é o início de um mudança real" e vai ajudar a "colocar estas tecnologias no mercado", afirmou Potocnik.
Quando usado como combustível, o hidrogénio não produz poluentes como o dióxido de carbono. Com este programa, a UE espera reduzir as emissões poluentes e diversificar as fontes de energia.
Este programa é financiado, em 50%, por empresas e a outra metade pela UE, durante os próximos seis anos.Até agora apenas a petrolífera Royal Dutch Shell e a fabricante de automóveis BMW estão confirmadas como financiadoras.
quinta-feira, outubro 04, 2007
o mau caminho
Vou dar aqui, neste escondido blog, uma novidade ao senhor ministro do ambiente, ao ministro da economia e ao primeiro ministro: A energia hidrica não é verdadeiramente renovável.
Ser renovável significa que não destroi recursos, não extingue partes do sistema onde se insere.
Pensem nisso um bocadinho...
Para além desta importante contra-indicação da energia hidroeléctrica (tal como vai ser implementada), debate-se também na reforma energética para a nova Lusitânia, a questão de esta forma de produção de energia ser tecnologicamente retrogada e ultrapassada. Nada na sua tecnologia é novo. Nada há a inventar. Nada há que permita criar valor intelectual para o país.
Ao invés dela, a energia das ondas, a solar e a eólica conjugadas entre si como ferramentas para produzir sustentavelmente o HIDROGÉNIO, são os territórios "quase virgens" na descoberta de novos paradigmas energéticos. É aí que está a inovação! Aí está o futuro!
Imagine-se o que um país como o nosso poderia ganhar se se tornasse o número 1 destas formas de produção de energia! O dominador! O dono das patentes! O controlador do Know-How!
Mais uma vez os nossos governantes mostram a sua pequenez, a sua falta de ambição!
Querem hidricas para cumprir o Quioto. Limitam-se a cumprir uma espécie de "Mínimos Olímpicos". Satisfazem-se em ter 10 neste exame, que tantas implicações poderia ter no futuro da nação...
O que nos vale a nós, habitantes deste território mal gerido, é que a mudança está para chegar!
A fundação da nova Nação Lusitânia, irá mudar a mentalidade de todos, tal como a luz do sol transforma a uva verde, no nectar dos Deuses!
sexta-feira, abril 06, 2007
o benfica
O que pretendiam eles alcançar com esta jogada?
Pretendiam demonstrar que o slb não deve ceder bilhetes aos clubes rivais porque eles portam-se mal, criam problemas e tudo corre melhor se no seu estádio só existirem adeptos do seu clube. O unanimismo garantirá a paz e a tranqüilidade pra todos. E assim é que o desporto deve ser, na cabeça dos seus dirigentes. Cumprindo este desígnio, o seu presidente já está a trabalhar na 2a parte do plano. Já ameaçou não ceder bilhetes ao sporting para o próximo derbi da capital. Ainda esboçaram um tentativa de interditar o estádio do dragão como punição para o mau comportamento da claque no estádio da luz. Tudo vale para atingir os seus objectivos.
O presidente do slb merece aliás uma análise mais profunda. Esse senhor é de facto um caso de estudo nesta sociedade. Ele já afirmou não receber lições de justiça, de ninguém. Já afirmou não receber lições de ética, de ninguém. Agora no decorrer de mais este caso, afirmou não receber lições de segurança da comissária da psp. Estamos portanto perante 2 hipótes que importa estudar: ou de facto ele é uma sumidade que o país está a desperdiçar completamente ao dar-lhe apenas o cargo de presidente de um clube desportivo, ou então trata-se de um mero disco riscado que ele engoliu ou que alguém o fez engolir. Em qualquer das hipóteses, o que importa reforçar é que este clube sempre conviveu mal com adversários e particularmente com adversários com potencial para lhe ganhar jogos. Aliás recordando a história desse clube, facilmente veremos que o seu período áureo, coincidiu com o de um regime político que também tinha esse problema. Também conviva muito mal com qualquer adversário que lhe aparecesse pela frente, e de certo concordaria de pronto em decretar que no estádio da luz apenas poderão entrar adeptos de clubes que logo à partida se comprometam por escrito prestar a devida vassalagem ao "glorioso sport lisboa e benfica".
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
O crime não pode compensar
A sociedade portuguesa tem usado sistematicamente a degradação e a desqualificação dos recursos hídricos como pretexto para viabilizar todos os projectos que decida executar. O primeiro passo é poluir os cursos de água, destruir as margens e os ecossistemas associados, depois artificializá-lo o mais possível construindo muros nas margens, entubamentos e desvios do leito. Por fim quando pouco mais resta ao Ribeiro do que alguns troços a céu aberto e altamente contaminados (como é o presente caso), evoca-se a saúde pública para colocar a lápide final.
“Aqui correu em tempos um Ribeiro, depois uma linha de drenagem topográfica e finalmente um esgoto a céu aberto, mas nós graças a este magnifico empreendimento conseguimos finalmente fazer desaparecer esse empecilho à modernidade e declaramos que ele deixou de existir.” De forma sucinta é este o argumento utilizado, uma vez mais, neste projecto de Centro Comercial.
Não deixa de ser irónico como acabam por ser os sucessivos atentados a que são sujeitos os cursos de água portugueses, a razão final para justificar seu destino final. São o início e o fim do ciclo de destruição a que assistimos. O que custa mais é o primeiro passo. Depois dele, como já se desvalorizou o seu carácter natural, os posteriores atentados já são encarados com mais brandura, e quando finalmente ele chega a um estado “comatoso”, surge um empreendimento qualquer que se propõe “generosamente” a praticar a “eutanásia” final.
Toda esta justificação é meramente filosófica, porque a maneira com os projectos são apresentados e justificados, levam a discussão precisamente para esse campo. Não podemos punir o último infractor quando deixamos incólume o primeiro e o segundo e o terceiro. E se virmos bem, se calhar o actual Ribeiro da Longra, tal com o da Nassica, e outros, já nem são recuperáveis, portanto até nem se perde grande valor. Só que o problema é precisamente este tipo de raciocínio. É com este tipo de conclusão circular, que a sociedade se pretende auto-desculpar.
terça-feira, fevereiro 20, 2007
Apitos
- Os sucessivos mandatos de Pinto da Costa na direcção do FC Porto, não engrandeceram apenas as vitrinas do museu de troféus, dedicadas ao desporto rei. Durante a sua gestão, o FC Porto tornou-se melhor clube de Hóquei, melhor clube de Basquetebol, melhor clube de Andebol, conquistou provas de Atletismo, de Voleibol (entretanto extinto), e até de bilhar. No hóquei transformou-se numa potência europeia. A gestão foi portanto de natureza ecléctica e abrangente. Como explicar este fenómeno? À luz do apito dourado, provavelmente (dirão os inimigos) a receita teria sido a mesma e terão sido os métodos de aliciamento de árbitros, dirigentes e agora até atletas. Para quem tem os pés assentes da terra, não me parece que tal tenha acontecido. A ter sido assim, estaríamos perante não um polvo mas talvez uma centopeia. Uma centopeia de dimensões bíblicas que de certo só existirá nos pesadelos recorrentes dos adversários do FC Porto.
- O domínio exercido pela equipa de futebol nas competições nacionais, teve também enormes consequências no perfil internacional do clube. Como se sabe, à semelhança de outros períodos em que a predominância pertenceu a outros emblemas, o palmarés europeu e mundial do FC Porto cresceu. E cresceu tanto, que durante este período de tempo, o FC Porto se transformou no melhor clube português. Terão todas essas conquistas internacionais sido também obtidas de forma ilegal? Deverão ser investigadas? Se assim for, teremos de abrir inquérito aos títulos europeus do Benfica em 61 e 62? Não serão esses títulos internacionais (agora do FC Porto e dantes do Benfica e do Sporting) o melhor atestado possível para a qualidade de uma equipa de futebol? e se assim for, não seria normal, que essa qualidade permitisse acumular vitórias nas competições internas?
- Recentemente, um treinador de top do futebol mundial, afirmou que a melhor equipa que treinou foi o FC Porto da época de 2002/2003. Nesse ano, esse treinador e essa equipa, ganharam o campeonato português, a supertaça portuguesa e a taça UEFA. Esse treinador é José Mourinho, que uma época depois ganhou mais um campeonato, uma taça de Portugal, outra supertaça e a Liga dos Campeões. Logo que saiu do FC Porto, Mourinho foi proclamado por todos "especialistas" como o melhor treinador do mundo e o melhor de sempre do futebol nacional. Ora neste cenário, como é que pode ser verosímil, que se estejam a investigar jogos, precisamente da época 2002/2003? Fará algum sentido que a direcção do FC Porto tenha feito alguma manobra ilegal, precisamente nessa época?
- À medida que se constroi uma entidade, seja um clube de futebol, uma empresa ou uma organização, mais precioso se torna o património construído, ou no caso de um clube, o património conquistado. Nenhum clube português conquistou tanto em tão pouco tempo como este FC Porto, arquitectado pela direcção de Pinto da Costa e com toda a certeza, ele mais do que nenhum outro homem em Portugal, sabe o valor específico de cada vitória, de cada troféu e de cada conquista. Fará algum sentido arriscar tudo isto com jogos de bastidores que configuram um comportamento quase infantil, confiando nas informações que o segredo de justiça nos tem apresentado?
Falando por mim garanto, se isso vier a acontecer, nunca mais acompanharei nenhum evento desportivo que tenha lugar neste país.
sexta-feira, janeiro 12, 2007
portagens
Por mais que pense na resposta não a consigo encontrar.
Porque é que o automóvel há-de ser privilegiado em relação ao todos os outros meios de transporte?
Não há comboios grátis e comboios pagos, pois não?
Não há autocarros grátis e autocarros pagos. Não há vôos comerciais grátis e vôos pagos?
Então porque raio é que o automóvel tem de ter obrigatoriamente uma alternativa grátis para ir para o mesmo sítio.
Creio que se trata de mais uma adulação ao Deus do automóvel, sem o mínimo de racionalidade. O português adora o automóvel tal maneira que cria coisas destas e obedece-lhes sem nunca questionar o porquê.
Por existirem salas de cinema comercial (Lusomundo, Castelo Lopes ou Medeia) terá o Estado Português a obrigatoriedade de proporcionar aos seus cidadão a alternativa de ir assistir aos mesmos filmes (embora em salas mais fraquinhas)?
Em nenhuma actividade essa obrigação existe. Mas tratando-se do Deus automóvel, é lógico perante todos que isso tenha de acontecer.
Mas porque carga de água?
Pergunto eu...
quinta-feira, janeiro 11, 2007
atraso estrutural
Em portugal vive-se um atraso estrutural. Toda a gente deve estar farta de ouvir isto. Para mim é verdade. Para mim o atraso vê-se num facto incontestável. Antigamente, quando o país não tinha estradas, não tinha aeroportos, em que era recomendável regionalizar o poder de decisão, centralizou-se tudo na capital. Nos dias de hoje, em que devemos ter a melhor rede de estradas da europa, as quais reduziram dramaticamente as distâncias entre as regiões e onde nos apercebemos realmente que o país é pequeno, vai-se avançar para a repartição reginal de poderes.
Conculsão, demoramos tanto tempo a corrigir uma anormalidade, que quando finalmente decidimos a solução, o país já não é o mesmo e reparamos atónitos, que a cura foi pior que a doença.
terça-feira, novembro 14, 2006
Feito à Medida
O actual processo de Avaliação de Impactes Ambientais (AIA), pouco mais representa no panorama de licenciamento, do que um procedimento de contornos francamente surrealistas, no qual o Estado uma vez mais, se ausenta da sua competência de zelar pelo bem-estar do país como unidade territorial.
No actual processo, duas correntes se conjugam na perfeição. A primeira (o proponente) engana e ludibria a seu belo prazer, a segunda (o Estado português), que aceita ser enganado, por mera preguiça intelectual ou sob o peso de estar a prejudicar outros interesses mais importantes. Quais são esses interesses? Pois bem, será tudo o resto que possa surgir, excepto efectivamente o ordenamento do território e a sua componente ambiental.
Tudo começa logo torto com a filosofia que está nas raízes do decreto-lei que criou esta anormalidade – o Decreto-Lei n.º 69/2000 de 3 de Maio. A própria lei, diz que cabe ao proponente o encargo de elaborar o respectivo Estudo de Impacte Ambiental (EIA) ou adjudicar o mesmo a uma entidade competente. Com este início, como se pode esperar que o EIA seja efectivamente completo, rigoroso e que forneça todas as indicações necessárias para o Estado poder finalmente decidir?
Quer seja o proponente, ele próprio a elaborar o EIA, ou o mande elaborar a um consultor, jamais se poderá esperar que o mesmo reflicta a verdade. Não tenho conhecimento de que, que num qualquer ambiente de negócios, se espere que uma das partes admita todas as suas fragilidades negociais. Ninguém que esteja numa “mesa de negociações” irá dar o peso real que os impactes identificados em determinado projecto efectivamente apresentam.
O AIA, de acordo com o DL 69/2000 a AIA devia ser isto:
e) «Avaliação de impacte ambiental» ou «AIA» - instrumento de carácter preventivo da política do ambiente, sustentado na realização de estudos e consultas, com efectiva participação pública e análise de possíveis alternativas, que tem por objecto a recolha de informação, identificação e previsão dos efeitos ambientais de determinados projectos, bem como a identificação e proposta de medidas que evitem, minimizem ou compensem esses efeitos, tendo em vista uma decisão sobre a viabilidade da execução de tais projectos e respectiva pós-avaliação;
A realidade dificilmente poderia ser mais diferente.
A lei começa por definir o AIA como instrumento de carácter preventivo, que apontará possíveis alternativas para os projectos. No dia-a-dia o que se verifica é que uma grande parte dos projectos, encaram o EIA como um extra ao processo de licenciamento e executam-no já com quase tudo construído. Quanto à indicação de alternativas, basta lembrar-nos da triste comédia que foi o IKEA de Paços de Ferreira para perceber que quando alguém avança para um determinado projecto o sítio já está há muito tempo escolhido. É escolhido logo à nascença, e não há EIA nem outra coisa qualquer que o possa deslocar.
Só quando o proponente é o próprio Estado é que o local está sempre em aberto. É ao sabor de vontades privadas ou de cores políticas que se decidem os trajectos das estradas, nunca ou quase nunca a decisão final é tomada por razões ambientais.
A abertura que o Estado tem perante um EIA elaborado pelo proponente é a mesma que existe quando se tenta convencer um adepto do SLB de que o SCP tem um plantel superior e joga um futebol mais atractivo.
A alínea J) do artigo 1 define Impacte Ambiental desta forma:
j) «Impacte ambiental» - conjunto das alterações favoráveis e desfavoráveis produzidas em parâmetros ambientais e sociais, num determinado período de tempo e numa determinada área (situação de referência), resultantes da realização de um projecto, comparadas com a situação que ocorreria, nesse período de tempo e nessa área, se esse projecto não viesse a ter lugar;
Perante isto, alguém estaria à espera que um empresário descrevesse da mesma forma as alterações favoráveis e as desfavoráveis? Quem, onde e quando se elaboraria uma “barbaridade” dessas. Se calhar só a Madre Teresa de Calcutá, e mesmo ela teria de marcar audiência prévia com o Grande Arquitecto para pedir aconselhamento.
O que se pode ler em todos os EIA é uma sistemática depreciação de todas as situações de referência associadas a uma constante subvalorização dos impactes negativos que foram identificados. Quanto pior for a situação inicial menos graves serão os impactes negativos provocados, sejam eles quais forem e ao mesmo tempo maior será a magnitude dos positivos.
É com esta lógica que se classificam cursos de água que atravessam as áreas de implantação, como “depressões no solo por se faz o escoamento das águas da chuva”. Ou se classifica como terreno abandonado, degradado e cheio de silvas todos os que não estejam já impermeabilizados por construção.
O que não tem valor não pode ser prejudicado por esta pedreira, ou por este centro comercial, ou por este parque industrial, ou por esta urbanização.
O papel dos consultores é pois logo à partida definido, ou fazem um EIA favorável ao projecto ou não recebem o dinheiro e ficam com má fama entre o “mercado” de proponentes. Certamente que deve existir entre eles um rácio de projectos aprovados/desconformes que traduz-se num ranking dos melhores consultores. Arriscar fazer um EIA justo é, nestas circunstâncias, uma façanha muito próxima da dos samurais quando praticavam Hara-Kiri.
Depois de elaborado o EIA, ele é remetido à chamada Autoridade de AIA que nomeará a respectiva Comissão de Avaliação (CA).
A Autoridade de AIA tanto pode ser o Instituto do Ambiente (em projecto que constam no anexo I do DL 69/2000) ou as CCDR para todos os outros projectos.
Após ser nomeada a CA, compete-lhe uma das tarefas mais ingratas de todo o processo:
Artº 9
d) Proceder à verificação da conformidade legal e à apreciação técnica do EIA;
e) Elaborar o parecer técnico final do procedimento de AIA;
Considero-a a mais ingrata porque é nesta fase que os técnicos envolvidos nas CA, se confrontam com os “factos” inscritos nos EIA, elaborados por consultores especializados, em manobrar manto um nevoeiro espesso com que tentam dar o tom sempre cor-de-rosa ao projecto.
Algumas vezes as CA conseguem detectar as fantasias mas outras não. Penso que não devia ser assim.
O DL deixa outra “bela” ferramenta ao dispor da CA:
Artº 13
nº 4 - A comissão de avaliação pode solicitar ao proponente, e este pode tomar a iniciativa de propor, por uma única vez, aditamentos, informações complementares ou a reformulação do resumo não técnico para efeitos da conformidade do EIA, a apresentar em prazo a fixar para o efeito, sob pena de o procedimento não prosseguir, suspendendo-se, entretanto, o prazo previsto no número anterior, o que deve ser comunicado à entidade licenciadora ou competente para a autorização.
5 - Quaisquer outros pedidos posteriores de aditamentos ou informações complementares não suspendem o prazo do procedimento de AIA.
Quer isto dizer: a CA pode tirar dúvidas uma só vez. O que o proponente responder, não pode ser de novo questionado sob pena de os prazos serem ultrapassados (esta fase de verificação de conformidade têm a duração máxima de 20 dias úteis) e o EIA obter o respectivo deferimento tácito. A palavra-chave de todo este processo é não atrapalhar.
Recordo que é neste período de 20 dias úteis que se confrontam as verdades com as mentiras. Para quem nunca viu um EIA, revelo que só o volume principal, chamado Resumo Técnico, tem sempre mais de 200 páginas.
Esclareço também que a maioria dos técnicos envolvidos na emissão do parecer final da CA, não trabalha a tempo inteiro neste processo.
O Estado não devia promover as mentiras e as omissões. Devia exigir rigor. Não se devia criar, sob o capote da própria lei, uma situação em que a uns cabe a tarefa, ingrata para alguns, de mentir e os outros têm de descobrir as mentiras.
Nem devia ser preciso mentir.
Só que atribuindo ao proponente a execução do EIA, como já disse, é isso que inevitavelmente se obtém.
Estaria o legislador a contar que do lado do Estado estariam os técnicos mais competentes e atentos, que acabariam por desmascarar o tom rosa dos EIA?
Não creio. Quem conhecer minimamente o cenário em que se trabalha nas instituições envolvidas, percebe rapidamente que as fragilidades são muito maiores que a boa vontade que demonstram em resolver problemas.
Aliás outra coisa não seria de esperar quando se confrontam equipas de especialistas bem pagos, com um simples técnico da desprezada, desprestigiada, desequipada e tantas vezes desautorizada função pública.
O que me parece que esteve na origem deste infeliz DL, foi a tentativa, lamentável e totalmente conseguida de, através de um esquema que promove os truques de ilusionismo, enganar a frágil estrutura Avaliadora, conseguindo sempre fazer passar pelo crivo os projectos dos proponentes. Agindo assim, terão pensado eles, o ambiente não prejudicará a economia, tal como aconselha o George W. Bush.
Quem ganha com a actual situação?
- No topo da lista estão, evidentemente, todos os proponentes. Graças a este esquema, a única coisa que perdem é algum tempo e dinheiro, mas valerá sempre a pena porque o resultado, (leia-se aprovação) estará praticamente garantida. É menos um risco que têm de assumir na gestão dos projectos.
- De seguida vêm os consultores. Alguém já lhes chamou o lobi do ambiente. Pois sim. Graças a este esquema, o futuro está garantido a 30000 euros cada EIA (preço base). Existem já empresas especializadas nas diversas temáticas, que por exemplo, na área da extracção de pedras ornamentais já têm os EIA praticamente prontos mal o proponente entra nos seus escritórios!
- Podia também colocar nesta lista de ganhadores, os potenciais empregos que os projectos criarão. Sem dúvida que quase todos os projectos têm como efeito “colateral” a criação de riqueza para o país e de empregos para a população. Estou muito distante dos fundamentalistas que não aceitam sequer que se mudem as pedras da calçada da avenida dos aliados. Mas também acho que as fábricas devem ser sempre construídas nos parques industriais criados para o efeito, que as superfícies comerciais devem estar sempre inseridas em meio urbano e não servir de pretexto para mais expansão urbana e as urbanizações residenciais só devem ser permitidas em aglomerados urbanos. Acredito que os rios têm de ser protegidos de descargas clandestinas e de ocupações construtivas nas suas margens. Enfim, coisas básicas mas que nem sempre são cumpridas nos projectos que se aprovam. Resumindo, acredito profundamente que respeitando estes princípios tão simples o país pode na mesma continuar a crescer, a produzir e a evoluir. Com uma diferença básica muito importante, passará a crescer bem. Sem desequilíbrios, ordenado. É por essa razão que não considero que os empregos criados e a riqueza criada sejam beneficiários desta situação. Eles acabariam por ser mais beneficiados se o AIA fosse mais rigoroso.
Quem perde?
- Perdemos todos. Perdem os rios, perde o mar, perdem as serras, perdem as cidades, perdem os espaços rurais, perde a qualidade de vida.
Hoje (14 de Novembro de 2006), graças a este tipo de esquema que a administração usa para se aliviar das suas responsabilidades, tive a oportunidade de assistir ao cortejo fúnebre do ribeiro da Gandra, Vila do Conde.
Um projecto comercial vai financiar com muitas centenas de milhar de euros, o entubamento das águas pluviais que pertenciam ao ribeiro, ao longo de 2km de conduta enterrada até 300 metros da costa. Água limpa. Água da chuva.
Os mesmos euros podiam ser utilizados para recuperar o ribeiro. Para o despoluir, para o limpar, para o re-naturalizar, vão servir para lhe retirar água limpa.
Vão enterrá-lo, e por isso é fúnebre.
Foi o que escolheu a Junta de Freguesia, a Câmara Municipal e a CCDR. Abrigadas todas à sombra de um EIA feito à medida.
terça-feira, outubro 24, 2006
OPA sobre a PT
Parte deste acompanhamento tenho-o realizado lendo bastantes opiniões que cidadãos normais e anónimos vão deixando em diversos fóruns de opinião pública.
Foi de entre esses comentários que formulei a minha percepção de que os portugueses (pelo menos aqueles que se dão ao trabalho de escrever as suas opiniões) são de uma maneira geral bastante hostis a esta OPA. Os comentários mais inflamados e incisivos fazem-se quase sempre contra a Sonae e defendendo a PT. Aliás na outra OPA também é maioritária a defesa do BPI contra o BCP.
Tento descobrir porque assim será!
Não tenho da PT a ideia de uma empresa particularmente competente. Nem ela nem a sua "prima", a PT multimedia.
É público que, por exemplo, a TVcabo (da PT Multimédia) é desde há uns anos a empresa com mais reclamações por parte dos seus cliente e ex-clientes.
O serviço de ISP fornecido pelo Sapo, é constantemente classificado como um dos mais caros da Europa, sem que esse preço justifique um serviço de superior qualidade.
Não me parecem pois que sejam pessoas que estejam a defender um produto e/ou empresa de qualidade. Também não acredito que sejam empregados da PT com medo de perder o seu emprego ou accionistas tentar influênciar o mercado :-)
Pode ser que sejam inimigos do Belmiro, ou invejosos. É também uma possibilidade.
O que me parece a mim claro nesta operação é que tanto as opiniões que tenho lido nos forum como nos diversos artigos de fundo escritos por celebres pensadores, esquecem uma questão fundamental: Esta operação envolve o mercado da rede fixa telefónica (voz e banda larga), o mercado da TV por assinatura (também com banda larga), o mercado da rede móvel. E vai haver concentração num para que possa haver separação em dois. Com a vantagem adicional de o mercado grossista no cobre, passar a ser também autónomo.
Constantemente vejo criticar a concentração nos móveis e considerá-la totalmente inaceitável. Só estão a ver uma face da operação. E mesmo essa face está a ser mal interpretada. Eu condenaria a redução de 3 para 2 operadores, se e só se a situação tripartida de hoje, estivesse a ser benéfica para quem consome o produto. Quem é que nas condições que vigoram hoje pode classificar o mercado móvel português como vivendo em saudável concorrência?
As tarifas são praticamente iguais, os preços dos equipamentos são iguais, as soluções de banda larga móvel são iguais... Onde está a diversidade? E não estou a falar de produtos já com algum tempo de mercado que acabam por sofrer a erosão natural e tendem a aproximar-se nos preços. Estou a falar em preços de lançamento!!! As três operadores móveis lançam produtos novos todas ao mesmo preço! Em cartel? Será?
Para mim esta questão da redução de operadores móveis não irá em nada prejudicar os consumidores pelo simples facto de com três a concorrência já ter falecido há muito tempo.
Restam então os dois outros mercados completamente dominados pela PT, o fixo (cobre) e o fixo (cabo).
Como é óbvio, também aqui não existe concorrência. E neste caso nunca chegou a existir.
A Sapo e a Netcabo há muito adoptaram a política da não interferência no mercado de cada uma e sistematicamente lançam produtos exactamente iguais onde apenas o suporte é diferente.
Com o triple pay à porta, e não acontecendo a OPA, estou certo que iriamos a ter mais do mesmo mas desta vez o próprio objecto de consumo iria ser o mesmo (tv, telefone e internet). Um sistema seria Sapo e outro TVcabo e esta iria ser a única diferença entre ambos. Os preços iriam continuar a ser elevados porque nem uma nem a outra empresa estariam interessados em baixar e todos continuariamos a ser explorados como sempre fomos.
Porquê então tanta animosidade?
Vou continuar a investigar.
Esta OPA tem ainda outro beneficio, a separação do negócio grossista da PT.
sexta-feira, outubro 20, 2006
IKEA em Paços de Ferreira (actualização)

Afinal, o plano que a CM de Paços de Ferreira, pretende executar, tem uma dimensão superior ao que está a ser divulgado.
O projecto IKEA vai servir apenas de cereja no topo do bolo.
A CM pretende, com a revisão em curso do seu PDM, destacar da sua já diminuta área florestal (já representa apenas 13% do concelho), mais 53,5 ha para construir um parque industrial em frente à fábrica da IKEA.
A configuração do plano é a que está representada na figura.
Está já em execução a chamada variante à ER 207, que irá fornecer os acessos às industrias (representada pela linha amarela).
Toda a área envolvida pelo trapézio vermelho está já suspensa do PDM, seguindo o mesmo processo que envolveu a fábrica da IKEA e que culminará na destruição de um total de 53,5 ha de área natural para dar lugar a mais ocupação de betão e alcatrão.
Assim vai o País. Lentamente a população vai envelhecendo, em breve entrará em diminuição, e no entanto, o País cada vez parece mais pequeno, face ao avanço inexorável dos processos de expansão urbana.
segunda-feira, outubro 16, 2006
Processo - Termolan

Tudo aponta para que o autor do último crime ambiental no rio Ave (15/10/2006) tenha sido a empresa Termolan, de Santo Tirso.
Trata-se de uma industria que fabrica lã de rocha a partir de rochas basálticas e já não é a primeira vez que esta unidade procede desta maneira irresponsável.
Vamos aguardar pelas consequências legais.
quinta-feira, outubro 12, 2006
como se negoceia o país
Imaginem a seguir, uma Câmara Municipal (CM). Uma CM do Norte do País. Imaginem que a essa CM interessa como é até legitimo, criar todas as condições para o desenvolvimento sócio-económico do concelho (sempre dentro da legalidade, acrescento eu). Imaginem ainda que essa CM tem ainda por resolver (apesar da chuva de fundos comunitários de que dispôs para o efeito) o problema sempre "chato" do saneamento básico de uma franja muito consideravel do concelho e que por um feliz acaso a freguesia onde a empresa pretende ampliar é precisamente uma dessas zonas carenciadas.
Estas são as bases e agora há que negociar favores e interesses.
Eis o acordo a que chegaram:
A CM desbloqueia a chatice da RAN, movendo as necessárias influências.
A empresa constroi, sob a frágil capa de um Estudo de Impacte Ambiental mal amanhado, uma conduta subterrânea de 1,5m de diâmetro ao longo de 2,0 Km, seguida de um exutor submarino de 300m de comprimento.
A esta conduta atribuem-se como funções "oficiais", o transporte de água da chuva que por efeito da impermeabilização do solo, fruto da ampliação, não poderá ser conduzida ao Ribeiro que passa na proximidade, devido a este não ter capacidade para escoar a água em excesso (estas últimas 10 palavras são dos Engenheiros da própria CM).
Este Ribeiro, está tão mal tratado, e tão degradado que as análises à sua água efectuadas no âmbito do EIA, revelaram níveis de contaminação superiores às normas de descarga de águas residuais. Traduzindo, se o rio fosse um esgoto de uma empresa, pagava multa por ser tão mau...
Algo no entanto não correu tão bem como as entidades envolvidas esperavam, e foi possivel ler no EIA inicial, que a consultora que o elaborou, considerava dois cenários possíveis para o escoamento pluvial:
a) intervencionar o Ribeiro, re-naturalizando-o nos troços em que ele foi obstruído por construções nas suas margens e requalificá-lo sob o ponto de vista ambiental tirando inclusivé partido do novo caudal para melhorar as suas condições de suporte à vida.
b) construir a tal conduta que levará as águas em excesso até à praia mais próxima.
Naturalmente que a CM tudo fez para afundar a hipotese a) e louvar a solução b).
Eis as questões que tudo isto levanta:
1. Quem e com que intenções é que se constroi uma conduta com 1,5m de diâmetro e de 2,0 Km de extensão e mais um exutor submarino de 300m de comprimento só para descarregar no mar águas pluviais? águas das chuvas? águas tecnicamente limpas?
2. Como a resposta à pergunta anterior parece óbvia, e portanto não devem ser só águas da chuva que a conduta escoará, surge uma nova questão pertinente. A quem irá a autarquia pedir responsabilidades, pela má qualidade das águas balneares do seu concelho, quando é ela própria que a desqualifica, cada vez mais?
3. Porque é que isto não foi esclarecido durante as longas fases do processo de avaliação de impacte ambiental?
4. Porque é que sempre que aparece uma oportunidade de valorizar algo que está degradado, surgem sempre obstáculos inultrapassáveis que viabilizam soluções alternativas, mais de feição a obras de engenharia pesada, com custos económicos mais gravosos e sempre de pior valor ambiental? Será falta de know-how? Será o lobby da construção civil a funcionar?
Na minha Lusitânia, o senhor presidente desta autarquia já há muito, muito tempo teria sido chamado a assumir as suas responsabilidades pelo actual estado da infraestrutura de saneamento básico do concelho. Já há muito tinha sido chamado a esclarecer porque é que as suas zonas costeiras e os seus rios e ribeiros têm tão má qualidade. E apuradas as reais intenções de mais esta situação pouco clara, teria sobre si a dura tarefa de redigir a sua cartinha de demissão.
Relativamente à empresa, pouco há a fazer porque apenas tentou negociar a sua prosperidade defendendo os seus interesses. Apenas poderia ser equacionada a inviabilização da ampliação para servir de exemplo a futuros autarcas destemidos.
quarta-feira, outubro 04, 2006
países pequenos, bom ou mau?
Em Portugal vivemos permanentemente a chorar pelo nosso copo vazio e raramente se encaram os acontecimentos sob a perspectiva do copo cheio.
Nunca ou quase nunca se vêm debates nos foruns da moda, sobre as vantagens que o País tem em ser como é. Nunca se exploram as potencialidades que temos, e em alternativa, não parámos de olhar para todos os outros países com um misto de inveja e auto-flagelação. É este o destino de Portugal? Ser para sempre um país de invejosos paralíticos?
Portugal é um país pequeno. Esta verdade, tão frequentemente evocada para embranquecer derrotas e frustações, pode ser uma virtude.
- Por sermos pequenos pode tornar-se mais fácil atingir por exemplo um grau elevado de auto-suficiencia energética.
- Tendo pouca população é uma das condições necessárias para que os sistemas de transporte possam caminhar num sentido da eficiencia.
- A dimensão também pode favorecer a comunicação entre os centros de decisão e os cidadãos, podendo torna-la mais directa do que noutros países com uma população mais densa e um território mais amplo.
- A questão da segurança é também favorecida pelo facto do país ser de pequena dimensão e ter fronteira com um só país – a Espanha.
Muitos outros assuntos relevantes para o bem-estar e desenvolvimento de Portugal podem ser tratados de forma mais eficaz se jogarmos com a dimensão em nosso favor em vez de estarmos constantemente da lamentar a falta de peso na FIFA, na ONU, na UE e em praticamente todos os palcos internacionais, dando uma imagem de cidadãos mentecaptos deste planeta.
Considero esse “pódio” como um equivalente ao escalonamento que foi feito com a Era dos Descobrimentos. A visão que teve D. João I ao lançar o país na aventura gloriosa era fundamental que reinasse na cabeça de algum governante nestes tempos que correm. Um que definitivamente criasse um verdadeiro designio Nacional relevante (não um festival de vaidades como o Euro2004 ou a EXPO98). Um que seguisse o exemplo do JFK quando instigou os habitantes dos EUA para alcançarem a Lua.
Já imaginaram bem a vantagem competitiva que Portugal teria se se libertasse das amarras geo-políticas e estratégicas que o petróleo hoje obriga? Poder dizer não às intervenções dos EUA como zeladores do nosso petróleo, poder proíbir a passagem de petroleiros nas águas da nossa ZEE, poder cumprir os Protocolos de Quioto, de Joanesburgo, Istambul ou de Caracas e os mais actos de propaganda que os EUA quisessem organizar...
Já não falando na inovação tecnológica que um objectivo deste tipo traria por força e por si só ao país.
Na Lusitânia serão estes os alicerces do País!
Seremos independentes, mas verdadeiramente independentes!
sexta-feira, setembro 29, 2006
IKEA em Paços de Ferreira, tudo bem, mas assim??
Seria mesmo necessário, suspender o PDM e desanexar REN para construir esta fábrica?O concelho de Paços de Ferreira não teria espaços já urbanizados, com tecido industrial, mais adequados a este empreendimento?
Não seria mais útil para as populações, preservar o único espaço verde consistente do concelho (Serra da Agrela)?
Levantam-se de imediato várias questões: de quem serão 32.6 ha de terreno até agora quase sem valor? e nas vizinhanças? quem serão os proprietários dos terrenos que irão ficar nas margens dos acessos que obrigatoriamente terão de ser construidos?
Quando irá parar esta febre de construir, de impermeabilizar o país ou com alcatrão ou com cimento?
No Lusitânia isto não poderia acontecer...
Alguns dados interessantes sobre o concelho de Paços de Ferreira:
Segundo o último Recenseamento Geral Agrícola (RGA, 1999) o concelho encontrava-se assim distribuído:
Área Florestal: 13% (correspondente a 957 ha)
Área Agrícola: 28% (correspondente a 2026 ha)
Área Residencial/Industrial: 59% (correspondente a 4282 ha)
Destaco que esta informação é de 1999 e não tenho a impressão que a área residencial/industrial tenha diminuido. Nem aqui nem em nenhuma outra parte de Portugal.
Na área de implantação existem 3 linhas de água abrangidas pelo regime de protecção do Domínio Hídrico, uma é afluente da margem esquerda do rio Leça e duas afluentes do rio Eiriz que pertence à sub-bacia hídrográfica do rio Ferreira.
A área de implantação esteve sujeita a fogos florestais nos últimos 2 anos, encontrando-se assim legalmente protegida (Dec-Lei 327/90 de 22 de Outubro) no que se refere a qualquer alteração ao uso do solo.
Verifica-se ainda que toda a zona de intervenção se integra na REN nomeadamente nas seguintes classes de protecção:
- Cabeceiras de linhas de água.
- Áreas com riscos de erosão (declives superiores a 30%).
- Áreas de máxima infiltração.
Na área de implantação, nomeadamente no seu extremo Sudeste, existe uma área classificada como de interesse arqueológico - um Castro.
quinta-feira, setembro 28, 2006
A corrida ao granito amarelo
Esta é uma fotografia de 2006 tirada na Serra da Falperra. Melhor dizendo na ex-Serra da Falperra, actual parque industrial de extracção de granitos ornamentais.A cronologia dos acontecimentos deixa poucas dúvidas quanto às responsabilidades de todos no aconteceu aqui. No inicio da década de 90 enormes incêndios florestais, destruiram a mancha de pinhal que cobria quase toda a Serra. Nos meses e anos seguintes, nada foi feito para proteger o solo das chuvas do Inverno, tendo ocorrido a inevitável e consequente erosão. Nunca mais a Serra adquiriu capacidade para suportar coberto vegetal mais complexo que os arbustos naturais da região. A ausência de solo produziu outro acontecimento na história recente e trista deste espaço natural, pôs a descoberto granito. Muito Granito. Granito com um côr original (Amarelo). No final da década, o Estado português lança os programas Pólis. Pretendia-se, e bem, embelezar os centros históricos de várias cidades. Entregou-se o projecto à sociedade responsável pelo Parque Expo e pela obra de requalificação mais famosa do País (Expo98).
Este gabinete, utilizando a experiência adquirida, tratou de trazer para essas obras de requalificação, uma pedra ornamental até aí praticamente desconhecida - O Granito Amarelo. Deu-se inicio à corrida ao "ouro" à moda portuguesa. Por todo o lado se abriram pedreiras. Ilegais, anárquicas, destruidoras, depredadoras. Esventraram-se Serras por todo o Norte do País em busca da pedra dourada.
A Falperra foi uma das vítimas, mas infelizmente há mais.

Esta é outra fotografia recente (27/09/2006) de outro local de extracção selvagem e ilegal de granito amarelo. Desta vez no concelho de Mondim de Basto, nas encostas do também desportivamente famoso, Monte da Srª da Graça.